A
bruxa é alguém capaz de fazer ou parecer fazer coisas estranhas para além do
poder conhecido da arte e da natureza comum, em virtude de uma combinação com
maus espíritos. Definição do filósofo inglês Joseph Glanvill (1636-1680),
estudioso e naturalista inglês, autor de um livro em que defendeu a crença em
deus e na feitiçaria. De acordo com o dicionário Michaelis “bruxaria é o
conjunto de práticas, que segundo a crendice popular, permitem à bruxa ou ao
bruxo usar de poderes sobrenaturais de modo a prever o futuro e atuar
negativamente sobre a vida de uma pessoa, causando-lhe danos ou malefícios ou,
até mesmo, levando à morte”. E complementa: (bruxaria) “é o acontecimento que,
por não ter explicação lógica, acaba tendo sua ocorrência atribuída à atuação
de forças sobrenaturais”.
Bruxaria
não é atributo feminino, pois as lendas incluem homens, sendo Merlin,
personagem da saga arturiana anglo-saxônica, um dos magos mais famosos;
portanto, creio que os americanos deveriam comemorar o dia dos bruxos, mas que
eu saiba nenhum bruxo se sentiu prejudicado com essa omissão.
A
literatura se encarregou de difundir histórias fantásticas envolvendo homens e,
especialmente, mulheres com poderes extraordinários. Um dos romances mais
famosos de Walter Scott (1771-1832) conta como Rebeca, uma jovem judia trata
dos ferimentos do cavaleiro saxão Ivanhoé com unguentos e poções, e acaba sendo
acusada de bruxaria. “Ivanhoé” foi lançado em dezembro de 1819. A história se
passa na Alta Idade Média, século XII, século em que a Igreja estabeleceu a
Inquisição para julgar e punir pessoas acusadas de desvios da fé católica, como
a feitiçaria. É bom lembrar que em várias culturas o tratamento de doentes era
atribuição de curandeiros – nas tribos indígenas nativas do Brasil, por exemplo,
o papel cabia aos pajés. Numa época em que a medicina ainda era rudimentar,
muitas vezes, cabia à mulher cuidar dos doentes com chás, poções e unguentos
preparados com ervas. Nas mentes ignorantes, a cura dos doentes e feridos era
vista como magia, feitiçaria, atribuída a bruxas e magos.
“No creo en las brujas, pero que
las hay, las hay” deve ser o dito popular preferido da indústria
cinematográfica e editorial, pois o tema rende muitas histórias e,
principalmente, dinheiro. “As brumas de Avalon”,
de Marion Zimmer, e “Harry Potter”, de J.K. Rowling, que o digam.
Hoje, entretanto, gostaria de relembrar
a atriz americana Elizabeth Montgomery (1933-1995) que mudou esse universo de
mulheres feias e malévolas ao interpretar Samantha, uma feiticeira bonita, elegante,
dona de um nariz perfeito e que ela usa para fazer suas feitiçarias. A série “A
Feiticeira”, exibida de 1964 a 1972, foi um grande sucesso. Samantha se
apaixona por um simples mortal com quem se casa. O marido James (Dick York) nem
desconfia dos poderes da esposa, mas quando descobre exige (ah! outros tempos)
que ela nunca mais use feitiçaria. Ela aceita o desafio cheia de boas intenções
e tenta ser uma dona de casa esforçada. Vassoura? Usou uma vez para levar a
família para visitar Papai Noel. James logo descobre que o casamento inclui a sogra
Endora (Agnes Moorehead – 1900-1974), uma bruxa quase malvada que não aprova a
escolha da filha, e toda uma coorte de feiticeiros – pai, tios, primos e um
médico impagável (Bernard Fox – 1927-2016). As maluquices que acontecem ao
longo das oito temporadas da série são possíveis principalmente por causa da
profissão de James, um publicitário que trabalha numa grande agência, chefiada
por um profissional mesquinho.
Se o telespectador acreditava que ter uma bruxa/bruxo na família poderia tornar a vida mais fácil, desiludia-se a cada episódio em que as bruxarias causavam mais problemas que soluções.
Dick
York, por problemas de saúde, foi substituído na sexta temporada por Dick
Sargent (1930-1994).

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