sexta-feira, 23 de outubro de 2026

DIA DOS AVIADORES

 

O homem sempre sonha com o impossível e, quando não consegue realizar seus desejos, inventa algo para superar essa falha. Desde o princípio dos tempos, ele desejou voar como os pássaros que observava cortar os ares. A mitologia grega revela esse desejo no mito de Dédalo, que fabricou dois pares de asas com penas, que se prendiam aos ombros com cera, para escapar com o filho Ícaro do Labirinto de Cnossos, onde estavam presos. Dédalo alertou o filho para evitar se aproximar do sol e do mar porque o calor derreteria a cera e a umidade tornaria as penas muito pesadas. A experiência única encantou Ícaro que esqueceu as recomendações paternas e aproveitou a beleza e o prazer do momento: subiu às alturas, caiu no mar e morreu afogado. No século XV, Leonardo Da Vinci (1452-1519) se ocupou com a ideia de voar e elaborou o projeto de um veículo com asas acopladas aos braços denominado ornitóptero. Essa ideia, entretanto, só se concretizou neste século, graças a um projeto do Instituto de Estudos Espaciais da Universidade de Toronto para a construção de uma aeronave de propulsão humana, denominada Snowbird, que voou efetivamente em 2010.

            O primeiro homem a voar foi o padre santista Bartolomeu de Gusmão (1685-1724), inventor da passarola como denominou o aeróstato. Ele apresentou seu invento ao rei D. João V e à corte portuguesa em duas ocasiões – na primeira vez o balão de papel pegou fogo, mas na segunda, subiu vinte palmos, mas antes de chegar ao teto, os criados destruíram o balão com medo de incêndio. O padre Bartolomeu de Gusmão é considerado o Pai da Aerostação.

            No início do século XX, nas Américas e na Europa havia muita gente trabalhando para tornar o sonho realidade – nos Estados Unidos, os irmãos Wright, e no Brasil o jovem mineiro, Alberto Santos-Dumont (1873-1932). Santos-Dumont (1873-1932) projetou e construiu os primeiros balões dirigíveis com motor a gasolina e o fez em Paris, no dia 23 de outubro de 1906. A partir daí tornou-se uma celebridade na Cidade Luz, mas continuou empenhado no desenvolvimento das máquinas voadoras. Enquanto os primeiros carros circulavam por Paris, Santos-Dumont deslocava-se por Paris nos seus dirigíveis.

            A história da aviação é fascinante – 63 anos depois o homem pousava na Lua! O mundo ficou menor e o universo do trabalho se expandiu. No início, os aviadores eram vistos como esportistas (o que aborrecia Santos-Dumont), mas logo se expandiu para o setor comercial.

            Atualmente, em todo o mundo há cerca de quarenta mil aeroportos e aeródromos registrados. No ranking internacional, em primeiro lugar encontra-se os Estados Unidos com 16.116, seguido do Brasil, com 5.297; Austrália: 2.257; México, 1.580; e Canadá, 1459*.

Pilotos, mecânicos e engenheiros aeronáuticos foram as primeiras profissões que o transporte aéreo criou, enquanto o serviço dos correios foi o setor mais beneficiado inicialmente, pois até aquela época dependia do transporte marítimo e ferroviário, já que veículos automotores terrestres estavam também começando. Uma profissão muito antiga também ganhou um novo status: o meteorologista tornou-se fundamental para apoio à navegação aérea. Os primeiros voos eram feitos por hidroaviões. O aeródromo mais antigo do mundo é o College Park, em Maryland (USA), criado em 1909 pelos irmãos Wright. Os primeiros voos eram em hidroaviões ou em pistas terrestres improvisadas e, quando o espaço na fuselagem aumentou, o piloto passou a contar com um navegador para determinar e orientar a rota.

Foi um começo forjado por heróis. Os pilotos eram desbravadores dos céus que singravam em reides aéreos, estabelecendo rotas e recordes de milhagens. Entre esses pioneiros contam-se os franceses Eugène Adrien Roland Georges Garros (1888–1918) e Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), os brasileiros Eduardo Pacheco Chaves (1887-1975), João Ribeiro de Barros (1900-1947) e João Negrão (1901-1978) – a dupla do Jaú; o norte-americano Charles Lindebergh (1902-1974) e os portugueses Gago Coutinho (1869-1959) e Sacadura Cabral (1881-1924).

Embora não tenha sido aviador, Charles Astor (1900-1972) teve um papel importante na aeronáutica: ele foi o introdutor do paraquedismo no Brasil e idealizador da criação do Serviço de Busca e Salvamento da Força Aérea Brasileira – PARA-SAR – FAB. E aqui, minha homenagem ao primo tenente-coronel José Antônio Silveira, que foi paraquedista, e nos deixou há alguns anos, quando já estava na reserva.

            E vale lembrar também o piloto americano Chuck Yeager, que quebrou a barreira do som (Mach 1,06) em 14 de outubro de 1947, a bordo do Bell X-1.

* Os números podem varias dependendo da fonte.



Edu Chaves, João Negrão e João Ribeiro de Barros. 


                                 
                                                                                                                      Chuck Yeager (1923-2020)


Nenhum comentário: