O
homem sempre sonha com o impossível e, quando não consegue realizar seus
desejos, inventa algo para superar essa falha. Desde o princípio dos tempos,
ele desejou voar como os pássaros que observava cortar os ares. A mitologia
grega revela esse desejo no mito de Dédalo, que fabricou dois pares de asas com
penas, que se prendiam aos ombros com cera, para escapar com o filho Ícaro do
Labirinto de Cnossos, onde estavam presos. Dédalo alertou o filho para evitar
se aproximar do sol e do mar porque o calor derreteria a cera e a umidade
tornaria as penas muito pesadas. A experiência única encantou Ícaro que
esqueceu as recomendações paternas e aproveitou a beleza e o prazer do momento:
subiu às alturas, caiu no mar e morreu afogado. No século XV, Leonardo Da Vinci
(1452-1519) se ocupou com a ideia de voar e elaborou o projeto de um veículo
com asas acopladas aos braços denominado ornitóptero. Essa ideia, entretanto, só se concretizou neste século,
graças a um projeto do Instituto de Estudos Espaciais da Universidade de
Toronto para a construção de uma aeronave de propulsão humana, denominada Snowbird,
que voou efetivamente em 2010.
O
primeiro homem a voar foi o padre santista Bartolomeu de Gusmão
(1685-1724), inventor da passarola como denominou o aeróstato. Ele apresentou
seu invento ao rei D. João V e à corte portuguesa em duas ocasiões – na
primeira vez o balão de papel pegou fogo, mas na segunda, subiu vinte palmos,
mas antes de chegar ao teto, os criados destruíram o balão com medo de
incêndio. O padre Bartolomeu de Gusmão é considerado o Pai da
Aerostação.
No
início do século XX, nas Américas e na Europa havia muita gente trabalhando
para tornar o sonho realidade – nos Estados Unidos, os irmãos Wright, e no
Brasil o jovem mineiro, Alberto Santos-Dumont (1873-1932). Santos-Dumont
(1873-1932) projetou e construiu os primeiros balões dirigíveis com motor a
gasolina e o fez em Paris, no dia 23 de outubro de 1906. A partir daí tornou-se
uma celebridade na Cidade Luz, mas continuou empenhado no desenvolvimento das
máquinas voadoras. Enquanto os primeiros carros circulavam por Paris,
Santos-Dumont deslocava-se por Paris nos seus dirigíveis.
A
história da aviação é fascinante – 63 anos depois o homem pousava na Lua! O
mundo ficou menor e o universo do trabalho se expandiu. No início, os aviadores
eram vistos como esportistas (o que aborrecia Santos-Dumont), mas logo se
expandiu para o setor comercial.
Atualmente,
em todo o mundo há cerca de quarenta mil aeroportos e aeródromos registrados.
No ranking internacional, em primeiro lugar encontra-se os Estados Unidos com
16.116, seguido do Brasil, com 5.297; Austrália: 2.257; México, 1.580; e
Canadá, 1459*.
Pilotos, mecânicos e engenheiros aeronáuticos foram
as primeiras profissões que o transporte aéreo criou, enquanto o serviço dos correios
foi o setor mais beneficiado inicialmente, pois até aquela época dependia do
transporte marítimo e ferroviário, já que veículos automotores terrestres
estavam também começando. Uma profissão muito antiga também ganhou um novo
status: o meteorologista tornou-se fundamental para apoio à navegação aérea. Os
primeiros voos eram feitos por hidroaviões. O aeródromo mais antigo do mundo é o
College Park, em Maryland (USA), criado em 1909 pelos irmãos Wright. Os
primeiros voos eram em hidroaviões ou em pistas terrestres improvisadas e,
quando o espaço na fuselagem aumentou, o piloto passou a contar com um
navegador para determinar e orientar a rota.
Foi um começo forjado por heróis. Os pilotos
eram desbravadores dos céus que singravam em reides aéreos, estabelecendo rotas
e recordes de milhagens. Entre esses pioneiros contam-se os franceses Eugène
Adrien Roland Georges Garros (1888–1918) e Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), os brasileiros Eduardo Pacheco
Chaves (1887-1975), João Ribeiro de Barros (1900-1947) e João Negrão
(1901-1978) – a dupla do Jaú; o norte-americano Charles Lindebergh (1902-1974) e
os portugueses Gago Coutinho (1869-1959)
e Sacadura Cabral
(1881-1924).
Embora não tenha sido aviador, Charles Astor (1900-1972) teve um papel importante na aeronáutica: ele foi o introdutor do paraquedismo no Brasil e idealizador da criação do Serviço de Busca e Salvamento da Força Aérea Brasileira – PARA-SAR – FAB. E aqui, minha homenagem ao primo tenente-coronel José Antônio Silveira, que foi paraquedista, e nos deixou há alguns anos, quando já estava na reserva.
E vale lembrar também o piloto
americano Chuck Yeager, que quebrou
a barreira do som (Mach 1,06)
em 14 de outubro de 1947,
a bordo do Bell X-1.
* Os números podem varias dependendo da fonte.
Edu Chaves, João Negrão e João Ribeiro de Barros.




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