Eu tive uma infância feliz! Guardo ótimas lembranças. Única criança na casa situada em rua em transição do residencial para o comercial, onde havia apenas mais uma menina, filha do seu Luciano. Às vezes ela ia em casa brincar, mas eu nunca fui a casa em que ela morava. Minha primeira amiga foi Semíramis – ela e a irmã mais velha estudavam piano com minha tia Odete, ótima pianista e excelente professora.
Sempre
gostei de brincar sozinha – espaço não faltava. Pensando bem eu fui uma criança
estranha: sempre que no rádio tocava “Vingança” ia para a sala correndo para
ouvir aquela cantora desejar que alguém rolasse como “as pedras que rolam na
estrada, sem ter nunca um cantinho de seu para poder descansar”. 1951. E eu só
tinha sete anos!
A
tia mais jovem, que era funcionária da Receita Federal, comprava revistas do
Pato Donald, que minha avó desaprovava, compensando com livros de contos de
fadas com capas coloridas, miolo com poucas ilustrações e todas em preto e
branco. Enquanto não aprendi a ler, minha tia lia as histórias para mim. As
duas tias se revezavam a contar o enredo dos filmes a que assistíamos no Cine
Carlos Gomes ou Bandeirantes. Até que um dia num bonde, acompanhando minha avó
em algum passeio, olhei um anúncio e descobri que podia ler algo fora da
cartilha! Uma revelação!
Tia
Odete me apresentou Monteiro Lobato com “Os Doze Trabalhos de Hércules” e minha
avó semeou livros em minha vida – no princípio na Páscoa, no meu aniversário,
no Natal; mas depois sempre que ela podia eles iam chegando às minhas mãos e me
encantando a cada página. Depois da turma do Sítio do Pica-pau Amarelo, vieram
os Três Mosqueteiros – dos quatro amigos, preferia Atos...
Havia
também o rádio. Vivi o final da era do rádio que Woody Allen transformou num
filme maravilhoso...
Quando a infância terminou? Não sei. O importante é viver cada fase da vida e no final dizer, como os franceses, “c´est la vie”.
Na foto acima, com minha avó Maria Luísa, c. 1947.




Um comentário:
Como é bom ter boas lembranças!
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