Sem poder sair de casa, escolhi três ruas históricas para este passeio.
Logo após a
fundação de São Paulo pouca coisa havia para se fazer na vila. Além de trabalhar,
os moradores frequentavam as igrejas que iam proliferando aqui e ali, como
atestam as denominações das ruas no século XVII. Um dos caminhos ia do Pátio do
Colégio à igreja de São Bento e ganhou em 1668 o nome de um morador importante,
o bandeirante Manoel Paes Linhares. Com a construção da Igreja de Nossa Senhora
do Rosário dos Homens Pretos em 1715 (onde hoje é a Praça Antônio Prado), ficou
conhecida como Rua do Rosário. Em 1846, D. Pedro II e esposa visitaram São
Paulo e a Câmara Municipal tratou de homenagear a imperatriz Tereza Cristina, mudando
o nome da rua. Assim, a Rua do Rosário passou a ser Rua da Imperatriz. Os políticos
não mudam e estão atentos às mudanças do vento ou do regime e com a proclamação
da República em 1899 resolveram se livrar de tudo que lembrasse o antigo regime
(esqueceram que a História não perdoa). Assim, a Rua da Imperatriz tornou-se RUA
QUINZE DE NOVEMBRO.
O traçado
original tortuoso foi retificado e a Rua Quinze tornou-se um dos logradouros
mais importantes da cidade. No início do século passado, era o endereço dos
principais jornais de São Paulo: "Correio Paulistano", “Diário
Popular" e "O Estado de S. Paulo". Foi o centro bancário da
cidade até os anos de 1970, quando o setor se transferiu para a Avenida
Paulista. Tem um charme especial.
No princípio, a
vila de São Paulo de Piratininga além do colégio pouco ou nada tinha e o vizinho
mais ilustre do pedaço era o Cacique Tibiriçá, que ajudara os jesuítas a fundar
o povoado. Um dos primeiros caminhos da vila levava à aldeia do cacique,
situada onde hoje se encontra o Largo de São Bento, e os portugueses o chamavam
de Rua de Martim Afonso Tibiriçá, nome com que batizaram o aliado convertido. Em
1647, quando o convento de São Francisco foi construído, o caminho ficou
conhecido como “Rua que vai para São Francisco” e, segundo a prefeitura de São
Paulo, tempos depois a população referia-se à "Rua de São Bento para São Francisco",
"Rua que vai para São Bento" e "Rua Direita de São Bento",
uma notória demonstração da influência da igreja na sociedade da época. Quando
a Câmara Municipal, em 1897, deu à rua o nome do coronel Moreira César, militar
que combatera na Guerra dos Canudos, a população não gostou e em 1899 teve
oficializado o nome que é uma referência ao Mosteiro de São Bento: Rua São
Bento. A primeira igreja de São Bento foi construída em 1598 e o mosteiro por
volta de 1600. O conjunto foi reformado várias vezes até ser demolido no início
do século XX e o novo Mosteiro de São Bento foi inaugurado em 1921.
A RUA SÃO BENTO,
que é um calçadão, começa na Rua José Bonifácio, atravessa os Largos do
Patriarca e do Café, a Praça Antônio Prado e termina na Rua Boa Vista. Comércio
variado, alguns bancos e repartições públicas, galerias e prédios que se
tornaram emblemáticos tanto pela beleza como pela história.
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