quarta-feira, 5 de agosto de 2026

NA TRILHA DA LINHA OURO

 



Com uma área de 1.521.202 km²é muito difícil dizer que se conhece a cidade de São Paulo. Quando trabalhava, passei várias vezes de carro pela Zona Sul da cidade, mas isso não quer dizer muita coisa, porque nessas ocasiões os interesses eram outros, mais específicos e práticos. A inauguração do monotrilho – Linha Ouro 17 do metrô, no mês passado, foi a oportunidade para ver esse lado de São Paulo. Assim, semana passada fui com o amigo Nilton conhecer o trecho do monotrilho da linha Ouro, que funciona provisoriamente de segunda à sexta-feira das 9 às 16 horas em operação assistida. O monotrilho é totalmente automático, ou seja, sem operador.

Na estação Klabin (Lilás), embarcamos para o Campo Belo onde se faz a transferência para o Aeroporto de Congonhas. No caminho, poucas pessoas, a maioria sem mala como nós, mas cheias de curiosidade. Na plataforma de embarque/desembarque a sensação agradável que a iluminação natural oferece e lá fora o panorama visto do alto – a altura média do percurso do monotrilho é de vinte metros.

Funcionários explicam o trajeto – embora os painéis eletrônicos funcionem adequadamente. Enquanto esperamos, vamos observando o panorama desse pedacinho do Campo Belo, onde fui anos atrás para visitar a Casa Modernista do arquiteto Vilanova Artigas (1915-1985). Chega o trem e, embora sobrem lugares, preferimos ir em pé para não perder os detalhes do percurso. Nilton vai identificando para mim as avenidas que cruzamos. Um caminho em que o destaque é a diversidade arquitetônica dos edifícios comerciais e residenciais antigos e modernos; há núcleos de casas que resistem. O contraste é o remanescente da favela do Buraco Quente, incrustada numa área cercada por prédios de apartamentos. Formada por casas de tijolinhos vermelhos, construídas provavelmente aos poucos e com soluções pouco convencionais, mas que atendem às necessidades dos moradores dentro de suas possibilidades, já que foram eles os arquitetos.  

A viagem é curta, a velocidade, média. Na parada Congonhas resolvemos ir até a estação Morumbi. Nesse trecho, a principal atração da paisagem é sem dúvida a Ponte Octavio Frias de Oliveira, a famosa Ponte Estaiada, que liga a avenida Roberto Marinho à Marginal Pinheiros. Eu que sempre quis vê-la de perto!

Foi uma ótima tarde de inverno desse inverno atípico, mas eu fiquei com vontade de fazer algumas partes do percurso a pé... E voltei ontem começando o passeio pela avenida Washington Luís, onde fica o Aeroporto de Congonhas. Ao desembarcar da Linha 17 fui informada que não precisava atravessar a avenida Washington Luís, bastava usar a passagem subterrânea, onde há uma exposição de fotos dos visitantes que ficaram felizes por conhecerem "uma avenida no céu". Outra surpresa, pois saí exatamente no térreo do aeroporto para minha caminhada. 

FOTOS: O texto de apresentação da exposição de fotos no túnel de ligação entre o metrô e o aeroporto. Vista do acesso ao aeroporto de Congonhas.





FOTOS: Área de embarque e desembarque na estação Campo Belo.





Um comentário:

Nilton Tuna disse...

Descrita desse jeito, a viagem ganha melhores contornos! Beijos.