Agosto, 25. Um dia típico de inverno. Céu nublado. Cai uma garoa fina. O frio agradável apetece uma poltrona, um chá preto ou vinho tinto, bom livro; mantenho, porém, minha rotina. Há menos pessoas pelas ruas e nos ônibus. O motorista está de touca e bem agasalhado. De manhã trabalha com a esposa, que é cobradora e faz meio período. Num ponto próximo do Centro, quando a porta se abre, um homem conta uma pequena história para conseguir carona e ele manda subir pela porta de trás. No próximo, outro carona. Não dá porque já tem um caroneiro. Lá fora, os poucos que enfrentam o tempo compõem um cenário um tanto sombrio com suas roupas escuras. Em meio ao trânsito o homem puxa uma carroça cheia de material reciclável. Duas amigas entram tagarelando, sentam-se no banco dos preferenciais e tagarelam até que um abre um pacotinho para saborear uma bomba. Desço na Rua Boa Vista e sigo em direção à Praça do Patriarca. Meu destino é uma visita às Graças na Galeria Prestes Maia. Elas encontram-se protegidas por um cercadinho. Uma jovem varre os nichos em que elas se encontram. Tudo brilhando. Subo pela escada rolante e fico em dúvida sobre a direção. A Rua Direita está em obras. A temperatura e a garoa afugentaram os camelôs. Sigo pela Rua da Quitanda, sem pressa. Vislumbro um café muito simpático e resolvo entrar. Poucas pessoas e atendimento rápido. Gostei demais do cardápio.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
TARDE DE INVERNO
PRATO DO DIA
Felicidade à moda
Porção de carinho
Paz ao ponto
Amor a gosto
Saúde à vontade
Servido com afeto e dedicação.
No caixa, um senhor paga a conta, mas o cartão foi recusado. Ele troca rapidamente por outro. “Que vergonha!” – diz sorrindo meio sem jeito. Acontece – comento para animá-lo.
Entro na loja que procurava e uma vendedora apressada e desinteressada foi dizendo “Meu nome é fulana, se precisar de algo é só me procurar”. E sumiu. Nada me agrada. A essa altura já estou na Sé, onde namoro os doces da Romana, me desvio do assédio do pessoal da Rua do Ouro e das tentações da Livraria da UNESP.
Antes de pegar o ônibus, passei pela estação da Sé para saber mais sobre o museu dos objetos esquecidos e da prótese de perna em exibição na vitrine. O funcionário foi muito simpático. O museu resume-se à vitrine que se renovará periodicamente com objetos estranhos esquecidos no metrô, como a perna mecânica. Esta não foi a primeira. Já houve outros casos e ele lembrou de um rapaz que fora à AACD para reparos da perna mecânica e já retornara usando outra e esquecera a antiga no vagão. Achar dentaduras é muito comum, segundo ele. Ri e explica que para eles isso é rotina, mas não resiste e conta que já deixaram até móveis grandes no vagão. Hora de voltar para casa. (Preguiça de levantar para fazer a foto.)
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