domingo, 27 de novembro de 2016

PROCURA-SE...

... um senhor de idade indefinida com chegada prevista para os próximos dias em algum ponto deste mundo maluco. Ele está um pouco acima do peso, mas ainda é capaz de enxergar o dedão do pé ou a ponta da bota que costuma usar; gosta de roupas um tanto extravagantes – invariavelmente vermelhas – e uma barba branca muito bem cuidada adorna o rosto onde brilha um sorriso simpático encimado por um nariz vermelhinho, que revela o gosto por eggnogs e nightcaps. Dizem que está a caminho...
Ele atende por um desses nomes de acordo com o local em que é esperado:

Juliman (Dinamarca)
Babbo Natal (Itália)
Grandfather Frost (Rússia)
Joulupukki (Finlândia)
Jultomten (Suécia)
Santa Claus (EUA e Inglaterra)
Père Noel (França)
Papa Noel (Espanha)
Weihnachtsmann (Alemanha)
Sinterklaas (Países Baixos)
Papai Natal (Portugal)

Papai Noel (Brasil)

sábado, 26 de novembro de 2016

PAPAI NOEL DOS CORREIOS

Papai Noel é um mito adorável que sobrevive apesar da distorção do sentido original da festa familiar em favor de um consumismo promíscuo incentivado pelos interesses econômicos em escala mundial. Se antes as famílias presenteavam apenas as crianças, hoje é quase obrigação presentear a todos mesmo à custa do endividamento antecipado no ano que vai chegar.
Crianças de famílias pobres não entendem bem o motivo de não receberem presentes quando a publicidade na TV, nos outdoors e em revistas mostra um mundo tão cor-de-rosa e um velhinho tão pródigo em promessas – alguns até dão plantão em lojas, shoppings e magazines ouvindo pedidos que nem anotam.  
Quem se importa com aqueles que não receberão presentes? Muita gente e, felizmente, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos cuja direção se comoveu com a quantidade de cartas endereçadas a Papai Noel, que chegava todo final de ano. Assim, há 27 anos foi criada a campanha “Papai Noel dos Correios”, que responde às cartas de crianças de todo o Brasil que escrevem para Papai Noel. Nos últimos três anos em todo o país foram atendidos mais de 1,5 milhão de pedidos — cerca de 80% das cartas dentro dos critérios de participação.
As cartas são lidas e as selecionadas de acordo com os critérios da campanha são postas para adoção na Casa do Papai Noel ou em outras unidades da empresa no País onde as pessoas devem ir para adotar uma delas. O endereço da criança não é informado ao “Papai Noel” ou padrinho. Os presentes são encaminhados pelos padrinhos para locais específicos designados pelos Correios que, naturalmente, se encarregam da entrega.

Uma campanha de solidariedade. 

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

"TEATRO NATALINO"
Suely Ribella 

As pessoas vão se empolgando,
se deixando contaminar
pelo espírito natalino.
E saem por aí distribuindo votos
disto e daquilo, sem sequer saberem
o que dizem e a quem dizem.
Passado esse período que antecede
e o dia propriamente do Natal,
vem o pós Natal e, as pessoas
guardam os votos na gaveta
para usarem no próximo ano.
Algumas até jogam fora.
E lá vêm as caras amarradas,
sem sorrisos, vêm as mãos
que não se abrem nem se estendem,
vêm os braços que não abraçam,
até o próximo Natal,
quando o teatro se repete. 


            A poetisa e advogada santista Suely Ribela tem vários livros publicados entre os quais Encantos, Meus Caminhos, Outros Sonhos, Quase Nada. O poema “Teatro Natalino” encontra-se no livro mais recente: Entre nós (São Paulo: Editora Delicata, 2016). 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

IT’S BEGINNING TO LOOK A LOT LIKE CHRISTMAS.
It's beginning to look a lot like Christmas 
Ev'rywhere you go; 

Take a look at the five and ten glistening once again 

With candy canes and silver lanes aglow. 


It's beginning to look a lot like Christmas 
Toys in ev'ry store 
But the prettiest sight to see is the holly that will be 
On your own front door. 

A pair of hopalong boots and a pistol that shoots 
Is the wish of Barney and Ben; 
Dolls that will talk and will go for a walk 
Is the hope of Janice and Jen; 
And Mom and Dad can hardly wait for school to start again.

It's beginning to look a lot like Christmas

Ev'rywhere you go; 

There's a tree in the Grand Hotel, one in the park as well, 

The sturdy kind that doesn't mind the snow. 


It's beginning to look a lot like Christmas; 
Soon the bells will start, 
And the thing that will make them ring is the carol that you sing 
Right within your heart

It's beginning to look a lot like Christmas 
Toys in ev'ry store 
But the prettiest sight to see is the holly that will be 
On your own front door.

So it's Christmas once more.


Esta música foi composta em 1951 por Meridith Wilson (1902-1984) e gravada por Perry Como (1901-2001), Crosby (1903-1977) e The Fontane Sisters, no mesmo ano. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A ARTE CORREIO


A arte correio, surgida nos anos de 1960, de acordo com Paulo Roberto Barbosa Bruscky, oferecia uma série de possibilidades para explorar e veicular o trabalho artístico – o envelope como obra, o conteúdo, o postal, o aerograma, o telegrama e o telex. “O genial da arte correio é que existia uma corrente e o Correio era o único meio de comunicação incontrolável (...).” A XVI Bienal de São Paulo teve uma sala de arte postal, que gerou muita polêmica. Em um trabalho para a UNICAMP sobre a exposição, Carolina Tiemi Odashima (bolsista na época) explicava que a arte postal se caracteriza “por seu valor subversivo, político, marginal democratizante, pela lógica do quantitativismo, da efemeridade e da transitoriedade”.  

A arte correio fez um grande sucesso no mundo todo, não se prendia a questões de nacionalidade; as pessoas engajadas no movimento se empenharam em não quebrar essa corrente, pois ela permitia discussões sistemáticas. Os artistas participantes da corrente em todo o mundo muitas vezes nem se conheciam e por meio da arte denunciavam governos ditatoriais, as ações contra a liberdade de expressão e assim obra era a informação, segundo Bruscky, que foi preso por causa de seu trabalho. Museus e os colecionadores buscam a comprovação dessa troca de informação, “mas a obra em si não era palpável, era essa troca de informação e essa resistência no mundo todo”.


Para aprofundar o tema:

enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa7783/paulo-bruscky  
www.museudapessoa.net/pt/conteudo/pessoa/paulo -roberto-barbosa-bruscky-4063

segunda-feira, 21 de novembro de 2016


Não Diga o Meu Espelho que Envelheço

Paul Signac (1863-1935): Mulher a pentear-se. 

Não diga o meu espelho que envelheço,
se a juventude e tu têm igual data, 
mas se os sulcos do tempo em ti conheço 
então devo expiar no que me mata. 
Tanta beleza te recobre e deu 
tais galas a vestir a meu coração, 
que vive no teu peito e o teu no meu. 
Mais velho do que tu serei então? 
Portanto, meu amor, cuida de ti 
como eu, não por mim, por ti somente 
te cuido o coração, que guardo aqui 
como à criança a ama diligente. 
    Não contes com o teu se o meu morrer. 
    Deste-me o teu e o não vou devolver.

William Shakespeare. Soneto 22. (Tradução sem crédito.)

domingo, 20 de novembro de 2016

MULHER AO ESPELHO

Cecília Meirelles (1901-1964)

Georges Seurat (1859-1891)

Hoje, que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz,
já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal fez essa cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se é tudo tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira,
a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.





quarta-feira, 16 de novembro de 2016

SALVE LINDO PENDÃO DA ESPERANÇA!




A Bandeira Nacional foi instituída quatro dias após a proclamação da República em 19 de novembro de 1889. A letra do Hino à Bandeira é de Olavo Bilac e a música foi composta por Francisco Braga. Ele foi apresentando pela primeira vez em 9 de novembro de 1906. 


HINO À BANDEIRA
Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
Recebe o afeto que se encerra
em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil! 
 Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.
Recebe o afeto que se encerra
em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil! 
 Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amados,
poderoso e feliz há de ser!
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil! 
Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre sagrada bandeira
Pavilhão da justiça e do amor!

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

BOBAGENS DO DIA
Que bom! Chegamos ao 322.º dia do ano; faltam 43 para terminar o ano e 37 para receber a visita de Papai Noel. O dia 18 de novembro marca alguns eventos históricos interessantes. Nessa data em 1926, o escritor irlandês George Bernard Shaw recusou o prêmio Nobel de Literatura. Em 1976 a  democracia voltou à Espanha, após 37 anos de ditadura; em 1993 a nova Constituição garantiu direito de voto para os negros do país.

      Quem conhece a República da Letônia? Uma boa chance de conhecer esse país que festeja hoje a Independência da Alemanha e Rússia alcançada em 1918. O Sultanato de Omã, situado na costa sudeste da Península Arábica comemora o dia da Pátria. No Brasil, comemora-se o Dia do Conselho Tutelar e o Dia do Tabelião e Registrador. O décimo primeiro mês do ano no calendário gregoriano era o nono (novem em latim) mês do calendário romano, que começava em março.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

REPÚBLICA


“Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, ovante, da Pátria no altar!”*


Há exatamente um ano encontrava-me no Rio de Janeiro e resolvi ir conhecer o Campo de Santana, onde a República foi proclamada em 1889. O local é um bonito parque urbano, ornamentado com algumas esculturas. Logo na entrada havia uma banda do Exército executando algumas músicas populares antes do início de uma cerimônia. Modesta até mesmo em audiência. Circulei pelas alamedas, onde dois ou três boêmios dormiam nos bancos... Um pavão exibia-se para três turistas perdidos na manhã carioca. Mais adiante três aves disputavam a atenção de uma pavoa indiferente (parecia). Ouçi os acordes do Hino Nacional e fui ouvi-lo junto à banda marcial. Havia umas 30 pessoas – a maioria fazia parte da organização. Lembro que a República foi proclamada sem grandes comoções; apenas a monarquia caiu de inanição.

Rio de Janeiro, 15 de novembro de 2015.

*Verso do Hino da Proclamação da República: letra de José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque (1867 - 1934) e música de Leopoldo Américo Miguez (1850 - 1902). Foi composto para ser o Hino Nacional, mas o presidente Marechal Deodoro da Fonseca vetou a ideia, determinando que fosse o Hino da Proclamação da República. Tela de Benedito Calixto (1853-1927).

domingo, 13 de novembro de 2016


TARTARUGAS, JABUTIS E COTIAS


A tartaruga nadava tranquilamente no laguinho do Orquidário de Santos, seguida pela cria (única pelo visto) que se esforçava para segui-la. Enfim, Dona Tartaruga parou para observar papai que parecia cochilar. O filhote a alcançou e começou a brincadeira, batendo as patinhas minúsculas na cabeça da mãe que aguentou o divertimento do rebento por uns bons minutos; porém, paciência de toda mãe tem limite e esta tartaruga não é diferente. Vira-se e nada rapidamente para longe do brincalhão. A tartaruguinha se desespera e segue a mãe em disparada. Parece que a relação entre mãe e filho é igual em qualquer espécie. (O filhote à esquerda acima da cabeça da tartaruga maior,seguindo a mãe mais à direita.)


A cutia para quando vê a intrusa. Não se mexe. Quando me afasto, ainda está no mesmo lugar,
 na mesma posição. Mais tarde passeava tranquilamente pelas alamedas atrás de alguma coisa mais interessante.

Não é apenas turista que aprecia uma praia.  Do outro lado
 do lago os jabutis aproveitam o sol da manhã. 

Araras em sincronia na hora da higiene pessoal (por assim dizer).




sábado, 12 de novembro de 2016

O PAVÃO
No Orquidário de Santos, perguntei pelo pavão à funcionária que varria cuidadosamente as alamedas. Ela se apoiou no vassourão e me informou que é difícil de saber, pois ele vive solto, porém costuma ficar no mostruário (sic). Faz sentido. Onde mais ficaria uma ave tão exibida? Por incrível que pareça estava na área reservada para ele! (Pelo menos havia uma placa onde se lia PAVÃO). Este pavão não é nada misterioso. Estava empoleirado em um banco, com a cauda a Luis XIV esparramada no chão. Virou a cabeça coroada em minha direção, olhou-me sem interesse, pesquisou em torno e começou a higiene matinal. Dei a volta para tentar vê-lo (e fotografar) de frente. Desta vez lançou um olhar entediado, ouviu o canto de um sabiá e pupilou em resposta, retornando logo à limpeza das penas. E haja pena! Noto que as penugens brancas das coxas lembram os culotes tão do agrado da nobreza pelos idos do século XVII. Os pezinhos nem são tão feios quanto dizem. Mas a voz... Nem sinal de dona Pavoa. É possível que o Barão de Itararé considerasse a possibilidade de que ela estivesse fazendo uma fezinha no 19.


         

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

FESTA NO JOSÉ MENINO

Hoje é dia de festa em Santos: o Orquidário Municipal completa 71 anos. O embrião do que a prefeitura chama atualmente de parque zoobotânico foi o Parque Indígena, criado no final do século XIX pelo comendador Júlio Conceição, um apreciador da natureza. Ele era proprietário de uma chácara de 22.000 m² na Avenida Conselheiro Nébias entre a praia (Avenida Vicente de Carvalho) e a Rua Embaixador Pedro de Toledo, no Boqueirão. Ele transformou o lugar em um parque, que logo se tornou uma grande atração da cidade.
Dois leões de tijolo e cimento guardavam o portão de ferro da entrada (Avenida Conselheiro Nébias) da Chácara Júlio Conceição, que mais tarde ele denominou de Parque Indígena. Ao entrar o visitante deparava-se com três grandes pomares, vários ripados de madeira, árvores nativas e exóticas, o Pavilhão Mira-Flores, jardins e amplo gramado. No Pavilhão Mira-Flores havia um mostruário de flores e plantas ornamentais, e servia também para recepções ou festas públicas. O acesso à residência era pela Rua Embaixador Pedro de Toledo.
Em 1909 Júlio Conceição começou a formar um orquidário, com aquisições e coletas próprias em excursões para ampliar o acervo do Parque. O lugar tornou-se um ponto turístico da cidade: Júlio Conceição fazia questão de receber pessoas ilustres para um cafezinho ou uma pinga de boa qualidade em seu paraíso particular. E entre os privilegiados – o presidente Herbert Hoover, dos Estados Unidos; cardeal Cerejeira, de Portugal; vice-presidente Roca, da Argentina e outras personalidades da Itália, Portugal, Uruguai, França e Espanha.
          Quando ele morreu, em 1938, havia reunido 90 mil orquídeas. A Prefeitura adquiriu a coleção de orquídeas, que transferiu para o bairro do José Menino e em 11 de novembro de 1945 inaugurou o Orquidário Municipal, organizado, desenvolvido e dirigido por Inácio Manso Filho, o técnico que tratava das orquídeas no Parque Indígena, que foi loteado em 1944.
O Orquidário Municipal tem 24 mil m², cobertos por um bosque com remanescentes da Mata Atlântica, entrecortado por jardins, um lago de 1.180 m² e um pavilhão para exposições de orquídeas e outras plantas ornamentais. Há espaço para 400 animais, entre eles pavões, cutias, jabutis, tucanos, araras, tartarugas, macacos e guarás. Anualmente, pássaros e aves aquáticas e migratórias pousam por lá.

Júlio Conceição foi comerciante, vereador, presidiu a Câmara em 21 de novembro de 1889, quando foi votada moção de solidariedade ao governo provisório do Marechal Deodoro da Fonseca; foi presidente do Banco Mercantil e Provedor da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia. 
ESCULTURAS

Uma das belas esculturas públicas de Santos adorna a fonte na entrada do Orquidário Municipal. Para o visitante pode parecer o lugar ideal para uma náiade (ninfa dos rios e das fontes, na mitologia grega); entretanto, a ninfa tem uma história conturbada. Ela foi criada para adornar a Praça José Bonifácio, onde ficam a Catedral e a Primeira igreja Batista de Santos. Causou escândalo entre as boas famílias cristãs e foi um alívio quando a trocaram pelo monumento ao Soldado Constitucionalista que, na verdade, se chama “Filhos de Bandeirantes”. A ninfa deve ter apreciado a troca e até hoje banha-se na fonte do Orquidário.
Foto: Hilda Araújo, novembro/2016.



Os cariocas são bem mais sofisticados e não se importaram
com a bela escultura em frente à Igreja de Nossa
 Senhora da Candelária em pose bem mais ousada. 

Foto: Hilda Araújo, novembro/2015.


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

SOL E PRAIA

Ilha de São Vicente. Duas cidades. Santos (1543) e São Vicente (1532).


Santos: jardins da praia do Gonzaga.

 São Vicente: praia do Gonzaguinha.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

VAMOS AO MAR A PÉ?

A ideia surgiu de repente, bem em frente à Associação Atlética Portuguesa Santista: que tal caminhar até a praia tentando reencontrar paisagens antigas? Resolvo contornar o morro do Marapé e sigo pela Rua Joaquim Távora. Ali, ao rever a sede da Associação dos Portuários, lembro-me da entrevista com Aguinaldo Timóteo, aproveitando o show que deveria fazer num sábado de 1986 às 23 horas no clube; mas o astro e entourage chegaram mesmo às 3 da manhã de domingo! Ele querendo uma exótica coxinha antes de se apresentar! A entrevista rendeu algumas pérolas do candidato à Assembleia Constituinte. 

Os chalés me despertam atenção – ainda há muitos. Construções típicas de Santos, que aos poucos vão desaparecendo. Eles são de madeira e, em alvenaria, apenas banheiro e cozinha. E sempre têm um quintal simpático no entorno. Muitos foram deformados com obras de ampliação – como uma operação plástica mal feita; outros estão abandonados; há vários em ótimas condições. 

Um desvio de percurso me leva à Rua São Judas Tadeu, onde encontro a sede do Grêmio Recreativo Escola de Samba União Imperial, uma entidade quarentona que resultou da união dos carnavalescos do Marapé e Vila Mathias. E lá estão os restos de um carnaval que passou... Parece que já começaram os ensaios para o próximo.


 



A Rua Nilo Peçanha tem características muito distintas: no início, onde fica o Cemitério Memorial, está razoavelmente urbanizada; mas alguns metros adiante torna-se bastante estreita e irregular; depois sofre uma brusca interrupção para retornar bem adiante no ponto em que o canal aflora. Nesse ponto, a rua está inteiramente urbanizada e muito bem conservada.



O rapaz observa a jovem que sobe o Morro do Marapé sob o sol escaldante de terça-feira. A escadaria da Rua Dom Duarte Leopoldo é uma das muitas que os moradores usam, embora exista condução pela Avenida Antonio Manoel de Carvalho.














O passeio está quase chegando ao fim: lá está a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, repleta de oferendas, pertinho do Clube dos Ingleses onde um cartaz convida para uma noitada na BLOW UP, boate que fez a alegria de muitas gerações santistas: "Rock is alive". Ali pertinho abre-se o Túnel do trem (FEPASA) que agora é do VLT. O Morro já é do José Menino. As pessoas insistem em se arriscar e continuam fazendo as travessias proibidas. Depois se queixam da falta de sorte... O mar é logo ali, no final da Rua Santa Catarina e que já foi um espaço de pensões para turistas de um dia. 


(Fotos: Hilda Araújo.)

domingo, 6 de novembro de 2016

O PENSADOR DE KÖNIGSBERG

Immanuel Kant (1724-1804) nasceu,viveu, pensou e morreu em Königsberg, uma cidade fundada em 1255 e que em meados do século XV passou a fazer parte da Prússia Oriental.  Immanuel foi o quarto dos nove filhos de um artesão, que produzia correias para carroças. Recebeu educação severa e teve formação luterana. Não foi um estudante brilhante; gostava mesmo de jogar bilhar. Quando o pai morreu, começou a lecionar nas vilas próximas para se manter; foi professor secundário de Geografia e continuou os estudos, formando-se em Filosofia, Matemática e Física na Universidade de Königsberg, onde mais tarde ensinou Ciências Naturais.
O professor levava uma vida simples e pacata. Era um homem tão metódico que a população de Königsberg costumava acertar os relógios quando o avistava a caminho da universidade: passava pontualmente na mesma hora e seu trajeto incluía sete pontos da cidade. Nunca se explicou o motivo do estranho itinerário. Kant não se casou. Sua paixão era o conhecimento, mas não dispensava uma boa conversa, uma partida de bilhar e uma taça de vinho.
”Não me vejo como os outros me veem, uma vez que o espelho me devolve sempre uma imagem invertida. Tampouco vejo o mundo exatamente como os outros o veem. E ninguém pode ver o mundo como ele é em si mesmo!” Immanuel Kant escreveu “Crítica da Razão Pura”, um marco da moderna filosofia, aos 57 anos. Uma obra em que ele trata das duas formas possíveis de conhecimento – o empírico e o universal.
À primeira vista escrever sobre Kant para jovens pode parecer um desafio ingrato; entretanto, Jean Paul Mongin conseguiu contar um pouco sobre o pensador alemão de forma bem simpática em seu livro “O Dia Muito Louco do Professor Kant”, que tem ilustrações de Laurent Moreau. E de início Mongin já informa: “Dizem que Deus criou Immanuel Kant num dia que estava à cata de um parceiro para jogar xadrez”.
Kant ficaria um pouco confuso se soubesse que sua cidadezinha, após a II Guerra Mundial (1939-1945), passou a fazer parte da União Soviética, recebendo o nome de Kaliningrado e, atualmente, é um enclave russo à margem do Mar Báltico.
O livro tem dois anacronismos. Kant jamais teve um relógio de pulso porque a peça só surgiria uma década depois da morte dele. Nietzsche realmente referia-se a Kant como “o grande chinês de Königsberg”, mas o filósofo não poderia saber, uma vez que Friedrich Nietzsche nasceu em 1844.






sexta-feira, 4 de novembro de 2016

NOVEMBRO COM ARTE


Iluminura de Novembro. 

As riquíssimas horas do duque de Berry (Les Très Riches Heures du duc de Berry, 1415) é o mais importante livro de horas ou breviário do século XV. Foi encomendado a Pol de Limbourg e seus dois irmãos para presentear o duque de Berry, Jean de Valois (1340-1416), irmão do rei Carlos V da França. O livro reúne as orações das horas da Virgem, do Espírito Santo, da Cruz e dos mortos e contém o calendário de festas e dos santos. A obra tem 512 páginas e quase a metade constitui-se de páginas inteiras de miniaturas, destacando-se o calendário como a parte mais admirável do livro, que pertence à fase mais avançada do chamado estilo internacional.
No calendário, tradicionalmente, eram representadas as atividades características de cada mês, mas os irmãos Limbourg retrataram a vida do homem junto à natureza, colocando em cada ilustração o hemisfério apropriado à época, os signos e graus do zodíaco. Algumas vezes são mostrados o castelo do duque ao fundo e outras propriedades reais.

A iluminura de Fevereiro é a mais antiga paisagem de neve em toda a história da arte ocidental. Janeiro é ilustrado com um banquete de Ano Novo, em que o duque aparece de túnica azul; Março – semeadura do campo; Abril – um casal troca alianças; Maio – nobres a cavalo; Junho – a colheita; Julho – tosquia das ovelhas; Agosto – nobres com falcões; Setembro – colheita das uvas; Outubro – cultivo dos campos; Novembro – um servo alimenta os porcos; e Dezembro – a caça de um javali. O breviário encontra-se no Museu Condé, de Chantilly, na França.  


Iluminura relativa a Fevereiro, 1415.

Abril, talvez a iluminura mais conhecida.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O MAESTRO BURLE MARX
Dois irmãos. Dois artistas. Um cultivava paisagens e outro espalhava música no ar. Eles eram Roberto (1909-1994) e Walter Burle Marx (1902-1990). Se Roberto é um nome conhecido no Brasil como paisagista, Walter é bem menos lembrado, especialmente, porque deixou o país na segunda metade do século passado, estabelecendo-se nos Estados Unidos.
Walter Burle Marx (1902-1990) nasceu em São Paulo, onde começou os estudos de piano; quando estava com 14 anos a família mudou para o Rio de Janeiro, onde ele estudou com Henrique Oswald, depois continuou os estudos na Alemanha e Inglaterra. Burle Marx regeu pela primeira vez no Brasil em 1930 e em 1931 fundou a Orquestra Filarmônica do Rio de Janeiro, que dirigiu durante três anos. Nesse período, apresentou 60 peças sinfônicas inéditas no Brasil. No ano seguinte, o maestro foi nomeado professor de regência do Instituto Nacional de Música, atual Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1939, foi nomeado diretor musical para o Pavilhão Brasileiro da Feira Mundial de Nova York.
Nos Estados Unidos, ele participou do esforço de guerra (1939-1945), quando fez uma série de concertos  entre os quais um em  Fort Meade para  4.000 soldados e outro no Watergate Stadium às margens do rio Potomac para 15 mil pessoas.  Walter Burle Marx regeu grandes orquestras como a Berlim Philarmonic, New York Philarmonic, e as de Cleveland e Detroit. Ele voltou ao Brasil para ser o diretor artístico do Teatro Municipal do Rio de Janeiro entre 1946-1950, mas retornou definitivamente para os Estados Unidos para se dedicar ao magistério e à composição na Settlement Music School, na Filadelfia.
Entre os vários trabalhos de Burle Marx se destacam quatro sinfonias, várias peças para violão, dois concertos para piano e orquestra. Foi um compositor reconhecido nos Estados Unidos, mas é pouco lembrado no Brasil. Em 1989 a cidade de Filadélfia homenageou-o com um concerto na Academia de Música. Os amigos e admiradores criaram a Burle Marx Musical Society para divulgar o trabalho dele e de outros músicos pan-americanos.  Ele morreu em Akron, Ohio.


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

          

“Morrer... dormir; nada mais! E com o sono, dizem, terminamos o pesar do coração e os mil naturais conflitos que constituem a herança da carne! Que fim poderia ser mais devotadamente desejado: Morrer... dormir! Dormir!... Talvez sonhar!” (Hamlet, de W. Shakespeare, 1564-1616.) 

Shakespeare: sepultado na igreja da Stratford-upon-Avon.

Na Inglaterra, muitos cemitérios antigos estão inseridos
 na paisagem e no cotidiano das pessoas. Fotos: Hilda Araújo, 2015.