domingo, 27 de abril de 2025

O GARI

Quase ninguém sabe quem ele é, entretanto, milhões de pessoas falam seu nome diariamente pelo Brasil. Era francês; na década de 1870, ainda bem jovem veio para o Brasil, estabelecendo-se no Rio de Janeiro onde criou uma empresa de limpeza – aliás, como bom observador, percebera que limpeza não era exatamente uma qualidade da cidade. Quando o lixo se tornou um sério problema de saúde pública, o Ministério do Império instituiu a limpeza sistemática das ruas Rio e no dia 10 de outubro de 1876 foram contratados os serviços de Aleixo Gary para cuidar da limpeza pública do Rio de Janeiro e transportar todo o lixo para a ilha de Sapucaia, na baía da Guanabara. Os trabalhadores da limpeza eram populares na cidade e os cariocas referiam-se a eles como os “os meninos de Gary” e com o tempo eles passaram a ser chamados apenas de “Garys”. O nome se popularizou. Essa é a origem da palavra gari – um ótimo exemplo de metonímia para as aulas de Português da garotada. 

O contrato de Aleixo Gary durou até 1891 – já no período republicano, mas o pessoal da limpeza pública continua firme e forte até hoje levando, sem saber, o nome dele pelas cidades brasileiras num trabalho sem fim, já que as pessoas continuam ignorando as boas maneiras e jogando o lixo onde não deve. No Dia do Trabalho, uma homenagem a esses trabalhadores anônimos que participam de nossas vidas e que a maioria da população nem um bom dia lhes deseja. A escultura faz parte de um conjunto em homenagem aos trabalhadores terceirizados de São Paulo, na Praça Marechal Deodoro, obra de Murilo de Sá Toledo.

        Em tempo: as ilhas de Sapucaia, dos Pinheiros, de Bom Jesus e do Fundão foram aterradas na década de 1940 para a construção da Cidade Universitária.

Foto: Otávio Ástor Vaz Costa. 



sábado, 26 de abril de 2025

RUAS DE DICKENS

 

Oxford Street, Londres, 2015.


“Poucos de nós compreendemos a rua. Até quando pisamos nela, pisamos desconfiados, como se entrando numa casa ou numa sala em que há estranhos. Poucos de nós vemos através do luminoso enigma da rua, as estranhas pessoas só pertencem à rua – caminhante da rua ou o árabe da rua, os nômades que sob a luz do sol, geração após geração, guardaram seu antigo segredo. Sobre a rua noturna muitos de nós sabemos ainda menos. A rua noturna é uma grande casa trancada. Mas se alguém jamais teve a chave da rua, essa pessoa é Dickens. Suas estrelas eram as luzes da rua, seu herói era o homem da rua. Ele podia abrir a porta mais interna da sua casa – a porta que leva ao corredor secreto ladeado de casas e tem um teto de estrelas.” G. K. Chesterton (1874-1936).

Charles Dickens é um dos meus escritores favoritos. Na adolescência deliciei-me com os livros dele. Li uma biografia resumida em algum dos cursos de inglês que frequentei e só agora soube que ele era um caminhante prodigioso, de acordo com Merlin Coverly, escritor e livreiro britânico, adepto da psicogeografia. Esta é outra novidade para mim – a Psicogeografia definida como "o estudo das leis precisas e dos efeitos específicos do ambiente geográfico, conscientemente organizados ou não, sobre as emoções e o comportamento dos indivíduos". (Leis precisas num tema como esse me parece algo exagerado.)

Coverly, citando outros autores, conta que Dickens em uma carta escreveu que se não pudesse caminhar rápido e até a um lugar distante, explodiria e morreria”. Em seus romances há muitas cenas de caminhadas por Londres, protagonizadas pelos habitantes sofridos da cidade, uma tentativa de “explicar a metade que caminha para a metade que anda sobre rodas”. O escritor britânico diz que apenas em “A loja de antiguidades” (1841) um personagem faz uma longa caminhada fora de Londres.

Há pesquisas bem estranhas, como a do escritor britânico Miles Jebb (1930), que compilou as andanças dos personagens de Dickens: Oliver Twist andou 20 milhas para roubar uma casa Chertsey; David Copperfield andou 23 milhas de Blackheath até Chatham e de outra vez andou 25 milhas do Pickwick Club (que financiava viagens pelo interior da Inglaterra); a fuga de Nickleby e Smike de Dotheboys Hall em Yorkshire para Londres; e a caminhada de Chuzzlewit e Pinch para jantar em Salisbury. Se alguém quiser conferir...

Londres, 2015.


terça-feira, 22 de abril de 2025

ERRO DE PORTUGUÊS

Oceano Atlântico, 22 de abril de 1500. O grumete balançando na gávea da caravela gritou “Terra à vista”. Foi aí que tudo começou – Pindorama, Santa Cruz e Brasil... 

"Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português."

"Erro de Português" -Oswald de Andrade.


A Caravela Portuguesa

LEGENDA DO PAINEL

"Na década de 1440, surgem as primeiras referências a “caravelas de descobrir” a qual passa a ser o principal tipo de navio utilizado pelos exploradores portugueses nas seguintes décadas do século XV.

Navio robusto, apresentando excelentes qualidades náuticas, o seu tamanho acompanhou as viagens que se tornaram cada vez mais longas, passando de dois para três mastros de pano latino (velas triangulares), que lhe permitiam navegar mesmo com ventos contrários (bolinar).

Mais tarde, a partir de 1500, surge um novo tipo de navio, a “caravela redonda” ou “de armada”. Trata-se de um tipo distinto de navio, destinado ao apoio das grandes naus de viagem ou à guerra do mar. Com aparelho misto de pano latino e redondo (vela quadrangular) no traquete (mastro de vante), o que lhe confere maior velocidade e manobrabilidade, características necessárias àquelas funções."  Museu da Marinha, Lisboa, 2023.


Bolina – navegação com vento lateral. (Dic. Michaelis)



 

segunda-feira, 21 de abril de 2025

FELIZ PÁSCOA

 TODO ANO É A MESMA COISA: AS GALINHAS PÕEM OVOS E OS 

COELHOS LEVAM A FAMA.









PUBLICADO ORIGINALMENTE ONTEM, DOMINGO DE PÁSCOA, MAS DELETADO POR ENGANO.

SUMMERTIME

Há quem sempre tenha uma desculpa para ficar em casa e uma delas é a falta de tempo. O poeta norte-americano Frank O’Hara (1926-1966) é um bom exemplo de que sempre se pode caminhar e aproveitar a cidade em que se vive. Ele trabalhava no Museu de Arte Moderna de Nova York e aproveitava a hora do almoço para caminhar pela cidade, o que resultou no livro Lunch Poems. Claro, não estou sugerindo que todos os pedestres tenham de escrever sobre suas experiências pelas ruas e parques de suas cidades. O importante é aproveitar os poucos momentos disponíveis para apreciar a cidade em que se vive – não importa se é Nova York, Tóquio ou São Paulo. Uma delícia observar as ruas e as pessoas para descobrir que o cenário muda sempre. Há sempre novidades numa rua, os rostos na multidão nunca são os mesmos. Mesmo aqueles que encontramos no cotidiano variam suas expressões – um dia têm o rosto alegre, no outro parecem tristes ou ainda distraídos...

    Frank O’Hara mudou para Nova York em 1951 e explorou a cidade de tal modo que um leitor poderia usar seus poemas e crônicas como roteiro, mas também contou suas experiências pessoais como em The Day Lady Died (uma elegia à cantora Billy Holiday). Aqui O’Hara conta suas atividades naquela sexta-feira, 17 de julho de 1959, quando saiu para almoçar às 12h20, depois foi engraxar os sapatos porque descerá do trem das 16h19 em East Hampton, Nova York, às 19h15, de onde irá direto para um jantar e quer causar boa impressão. É um dia muito quente de verão. Ele almoça um burger com milkshake, vai ao banco, compra um jornal literário, passa por uma livraria – onde fica em dúvida sobre o que escolher e finalmente dirige-se a uma loja de bebidas para comprar um Strega para o amigo Mike. Nesse ponto, O’Hara volta para a 6ª Avenida compra cigarros na loja do Teatro Ziegfeld e um tabloide com a foto de Billie Holiday na capa com a notícia do falecimento dela. Lembra-se então de quando a ouviu cantar acompanhada ao piano por Mal Waldron e conclui: Her performance took everyone's breath away”.


https://www.youtube.com/watch?v=THflqYOqm3A


domingo, 13 de abril de 2025

KIERKEGAARD, CAMINHANTE ATÉ O FIM

 

O filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard (1813-1855) foi o precursor do flâneur francês: gostava de caminhar a esmo pelas ruas de Copenhague, onde nasceu e viveu seus 42 anos. Por causa de uma queda na infância, Kierkegaard tinha uma forte curvatura na coluna e por isso caminhava um tanto inclinado para trás, o que dava a impressão de insegurança ao seu deslocamento. Caminhar era uma fonte de diversão e prazer para ele, apesar de todos os problemas de saúde que enfrentou. E como se isso não bastasse, após uma disputa pública com uma revista satírica, tornou-se vítima de uma campanha impiedosa de zombarias nas ruas de Copenhague. Kierkegaard passou de observador a observado, como registrou Coverley. “Por causa da minha melancolia e do meu enorme trabalho, eu precisava de uma situação de solidão na multidão para descansar. Por isso me desespero. Já não posso encontrá-la. A curiosidade me cerca por todos os lados.”

O filósofo não desistiu: “Acima de tudo não perca o desejo de andar: todo dia eu caminho num estado de bem-estar, e andando me afasto de todas as doenças. Tenho tido meus melhores pensamentos enquanto ando, e não sei de nenhum pensamento tão opressivo que a pessoa não possa afastar enquanto caminha. Mesmo que alguém precisasse caminhar por razões de saúde e que ela estivesse constantemente um pouco adiante – ainda assim eu diria ‘Ande!’”.

Durante uma de suas caminhadas desmaiou e morreu.

(Embora não tenha cunhado o termo que só surgiu em meados dos anos 1940, ele foi o primeiro filósofo a abordar o existencialismo.)

 

Retrato inacabado de Kierkegaard feito por seu irmão Neils Christian Kierkegaard – Royal Library of Denmark.

sábado, 12 de abril de 2025

PARQUE DAS BICICLETAS

Eu não conhecia o Parque das Bicicletas, situado em Moema. O Parque, inaugurado em agosto de 2000, tem 44 mil metros quadrados; porém, não acolhe apenas ciclistas. O paulistano encontra nessa área atividades de lazer, esportes e pesquisa como o Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa – COTP e o Centro Esportivo Mané Garrincha, que frequento há dois anos. Há infraestrutura para os adeptos de patins, skate e patinete; uma academia ao ar livre, aulas de yoga, fitdance (aula coletiva que mistura dança com o universo fitness) e hit funcional (aula que combina exercícios funcionais e de alta intensidade).  E quem não se interessa por nada disse sempre pode caminhar pelas alamedas arborizadas ou simplesmente se acomodar em um dos bancos para apreciar a paisagem.

PARQUE DAS BICICLETAS: Alameda Iraé, 35, funciona das 6 às 22 horas, diariamente. 

Passeio matinal longe do burburinho do entorno da área verde.


Pista de atletismo e arquibancada.

No caminho um cacaueiro carregado de frutos.


quarta-feira, 9 de abril de 2025

POETAS CAMINHANTES

 

“Eu adoro uma estrada pública: poucas coisas

Me agradam mais ver; ela teve poder

Sobre a minha imaginação desde a aurora

Da infância, quando a sua linha que sumia,

Vista diariamente muito ao longe, numa escarpa desguarnecida

Além dos limites pisados pelos meus pés,

 Era como um guia para a eternidade,

Pelo menos para coisas desconhecidas e sem limite.”

William Wordsworth

 

Nem tudo é como desejamos. Diminui drasticamente minhas caminhadas ou passeios pela cidade. O campo não me atrai. Sou um bicho essencialmente urbano. Para compensar essa momentânea pausa que, espero, dure pouco, dedico-me a ler o relato das experiências de caminhantes famosos. Um dos pioneiros foi Jean-Jacques Rousseau, na França, mas teriam sido os românticos que se lançaram às caminhadas, moda considerada extravagante pelos contemporâneos, pois até o século XVIII as pessoas costumavam caminhar apenas por necessidade econômica e não como recreação. Esses primeiros caminhantes eram uma espécie de caçadores de paisagens – suas andanças eram feitas em direção ao campo e destinadas à apreciação da natureza.

O reverendo William Gilpin (1724-1804) foi um pintor inglês amador, que apreciava paisagens selvagens e acidentadas; ele desenvolveu pela primeira vez a ideia do pitoresco. Na mesma época, surgiram as excursões a pé, atividade em que o poeta inglês William Wordsworth e a irmã Dorothy logo se destacaram. William Wordsworth (1770-1850) tinha 20 anos quando fez sua primeira excursão a pé, considerada por todos como “louca e impraticável”: atravessar a Europa continental – passando pela França, Itália, Alemanha e Suíça. Ele foi na companhia de um amigo e colega de estudos; percorreram 550 quilômetros na primeira quinzena, fazendo em média 50 quilômetros diários!!! Em um poema ele diz que “foi uma marcha de velocidade militar”. O poeta nunca mais deixou de caminhar e viveu de suas caminhadas.
O escritor inglês Thomas De Quincey (1785-1859) escreveu que “Wordsworth não era, no geral, um homem bem acabado. Suas pernas eram enfaticamente condenadas por todas as conhecedoras de pernas que ouvi palestrarem sobre esse tópico. (...) Não havia nelas nenhuma deformidade, e sem dúvida elas prestaram um serviço além do padrão médio da exigência humana, porque eu calculei, baseado em bons dados, que com aquelas pernas Wordsworth deve ter percorrido uma distância entre 175 mil a 180 mil milhas – uma forma de esforço que para ele se igualava ao vinho, à aguardente e a todos os outros estimulantes do espírito animal, ao qual ele foi devedor por uma vida de felicidade sem nuvens, e nós, por seus escritos mais excelentes”.
Dorothy Wordsworth (1771-1855) começou a caminhar ainda na infância por influência do irmão e, naturalmente, a família e os amigos a criticavam pela excentricidade de suas caminhadas, consideradas vergonhosas pela família. A primeira caminhada de longa distância que ela fez com William foi em 1794, quando percorreram em um único dia 55 quilômetros; porém a primeira excursão a pé foi em 1797, ocasião em que os dois irmãos foram à casa do amigo e poeta Samuel Taylor Coleridge (1772-1834), que se uniu à dupla em outras jornadas. Dorothy mantinha um diário dessas andanças, mas com informações lacônicas. Fotos: Fragmentos de mural: Termas de Caracala., Roma, 2014.





sexta-feira, 4 de abril de 2025

MAIS QUE UM SIMPLES JOGO

Quando o basquete se tornou um produto importante da televisão, o astrônomo e astrofísico norte-americano Carl Sagan (1934-1996) vislumbrou nesse esporte um meio para o ensino de Ciência e Matemática. Sagan foi divulgador científico e explicou muito bem o motivo que o levou a pensar em algo aparentemente tão excêntrico. Num artigo, ele definiu o basquete como um jogo que se tornou “em seus melhores momentos – a síntese esportiva suprema de inteligência, precisão, coragem audácia, intuição e astúcia, espírito de equipe, elegância e graça”. 

E aí pergunta-se, onde entra a ciência nesse coletivo de adjetivos? Sagan explicou que “para entender uma média de arremesso livre de 0,926 é preciso saber converter as frações em decimais. Uma bandeja é a primeira lei newtoniana do movimento posta em ação. Todo arremesso representa o lançamento de uma bola de basquete num arco parabólico, uma curva determinada pela mesma física gravitacional que especifica o voo de um míssil balístico, a Terra girando ao redor do Sol ou uma nave espacial indo ao encontro de um mundo distante. Quando o jogador enterra a bola na cesta, o centro de massa do seu corpo fica por breve instante em órbita ao redor do centro da Terra.”

E ele continua. “Para enfiar a bola na cesta, é preciso levantá-la na velocidade correta: 1% de erro, e a gravidade deixa o jogador em má situação. Os arremessadores de três pontos, sabendo ou não, compensam a resistência aerodinâmica. Cada uma das pancadas sucessivas de uma bola solta fica mais próxima do chão por causa da segunda lei da termodinâmica. Daryl Dawkins ou Shaquille O’Neal espatifando a tabela é uma oportunidade para ensinar – entre outras coisas – a propagação das ondas de choque.”

Essa é a beleza da Ciência. A Ciência e a Matemática permeiam nossas vidas e aprender a encontrá-las é o jogo mais fascinante que se pode praticar – a cada passo sempre há possibilidade de uma nova descoberta. 

Carl Sagan – “O mundo assombrado pelos demônios. A ciência vista como uma vela no escuro.” Companhia das Letras.

Foto: Wikipedia.


domingo, 30 de março de 2025

O RELÓGIO DA PRAÇA ANTÔNIO PRADO

Uma surpresa muito boa nesta manhã de domingo, quando passando pela Praça Antônio Prado, vI o operário trabalhando no Relógio de Nichile, que admiro há tantos anos. Vê-lo maltratado pelo tempo e pelos vândalos me angustia. Na década de 1930, o publicitário Octavio de Nichile teve uma ideia inovadora para a época instalar relógios públicos dotados de uma caixa de vidro onde eram colocadas lâmpadas que iluminavam as peças publicitárias e as ruas. Inaugurado em abril de 1935, o relógio da Praça Antônio Prado foi o último dos oito produzidos pela fábrica Relógios Michelini e foi tombado como Patrimônio Nacional pela COMPRESP em 1992.

O jardim onde se encontra o relógio está reformado e tem até flores, mais difícil foi fotografar o relógio de frente por causa da grafitagem grosseira. Quando o funcionário desceu da escada, um pedestre o abordou para fazer perguntas e contar histórias.

E por falar em história, São Paulo teve quatro outros relógios, que foram destruídos: na Sé, na Praça Ramos de Azevedo, na Estação do Norte (atual Brás) e Arouche. A cidade de Santos teve um Relógio de Nichile instalado em frente ao Atlântico Hotel, no Gonzaga. Ele foi inaugurado em 9 de julho de 1936 e desmontado em 1940. O relógio tinha muitos problemas – de acordo o suíço Louis Krahenbuhl, responsável pela sua manutenção. Krahenbuhl, em entrevista a um jornal de Santos, citou o fato de que o mostrador não era coberto, de que a água da chuva empoçava na coluna e na caixa de vidro, impedindo o funcionamento do maquinário. O suíço afirmou que foram feitas várias tentativas de conserto, mas nenhuma deu resultado, optando-se pelo desmonte do relógio.

Outro relógio Nichile foi instalado em Guarujá, em 1935, mas não achei referências ao seu destino.


No fundo, o imponente Edifício Martinelli.

A CENTENÁRIA MÁRIO DE ANDRADE

Firmino de Morais Pinto (1861-1938), que é pouco conhecido do paulistano, foi prefeito da cidade entre 1920 e 1926 (dois mandatos). Em sua passagem pela prefeitura de São Paulo deixou obras marcantes como a Praça Patriarca José Bonifácio e a abertura da Avenida do Estado, mas é na área cultural que ele merece ser lembrado, pois apoiou a realização da Semana de Arte Moderna em 1922, cedendo o Teatro Municipal para a realização do evento, e em 25 de fevereiro de 1925 criou a Biblioteca Pública de São Paulo, que em 1960 ganhou o nome de Biblioteca Mário de Andrade em homenagem ao poeta e escritor paulistano. A inauguração, entretanto, só ocorreu em janeiro de 1926 e seu primeiro endereço foi em um casarão da Rua Sete de Abril com um acervo de quinze mil volumes. A Biblioteca se desenvolveu e precisou de mais espaço e em 1942 foi inaugurado o prédio art déco na Rua da Consolação, projeto do arquiteto francês Jacques Pilon (1905-1962), que viveu em São Paulo.

A Biblioteca Mário de Andrade (BMA), que completou 100 anos no mês passado, é a maior biblioteca pública da cidade, superada apenas pela Fundação Biblioteca Nacional (RJ). Ela tem cerca de três milhões de títulos, que abrangem todas as áreas do conhecimento, divididas por várias seções: Coleção Geral, Coleção São Paulo, Circulante, Artes, Mapoteca, Obras Raras e Especiais (produzidas entre os séculos XV e XIX), Hemeroteca e Infantil.

Às terças e quintas-feiras das 10 às 14 horas há visitas monitoradas, que devem ser agendadas com dez dias de antecedência. A visita dura cerca de uma hora e meia e atende a grupos de dez pessoas no mínimo.  

Biblioteca Mário de Andrade

Prédio principal – Avenida São Luís, nº 235

Horários: Segunda a sexta, das 9h15 às 19h45. Telefone: (11) 3150-9414/9455

Circulante: Avenida São Luís, 235. Horário: de segunda a sexta, das 8h30 às 20h30 e sábado, das 10 às 17 horas. Fecha aos domingos e feriados. Sempre é bom confirmar os horários.

 

O catálogo pode ser acessado pelo site:

https://capital.sp.gov.br/web/cultura/bma


"A Leitura" (1943), escultura de Caetano Fraccaroli, no saguão da BMA. 




domingo, 23 de março de 2025

DIA DA METEOROLOGIA

 


Na casa da minha infância havia uma chave dourada pendurada na parede da copa que me fascinava. Na parte oposta aos dentes tinha uma paisagem colorida protegida por um vidro. Um objeto de gosto duvidoso, mas útil nos anos de 1940, pois tratava-se de um termômetro que ficava no corpo da chave. Quando me explicaram para que servia e como funcionava, fiquei encantada e costumava “enganar” o termômetro colocando o dedo na capsula para ver o mercúrio subir. Não demorou muito essa fase, pois logo percebi que era melhor abrir a janela para saber se fazia frio lá fora.

Lembrei dessas artes infantis, ao ser avisada por alguma IA de que hoje é o Dia Mundial da Meteorologia, estabelecido em 1951 para comemorar a criação da Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 23 de março de 1950. A Organização, que completa hoje 75 anos, é a voz oficial da ONU sobre tempo, clima e água.

Desde aquela época os avanços científicos nos permitem receber em casa ou nos aparelhos celulares alertas antecipados sobre fenômenos meteorológicos, como tempestades e a possibilidade de enchentes, com a recomendação de buscar um lugar seguro.

A meta da OMM é que até o final de 2027 os alertas rápidos sejam usados em todos os países para que as populações se protejam contra os fenômenos meteorológicos, hidrológicos e climáticos perigosos, salvando vidas.

Ilustração: site da OMM.

sábado, 22 de março de 2025

LOUIS ARMSTRONG E DANNY KAYE

Que encontro! Que vídeo maravilhoso de dois artistas extraordinários! Louis Daniel Armstrong (1901-1971) e David Daniel Kaminsky, mais conhecido como Danny Kaye (1911-1987). Tanto Louis Armstrong quanto Danny Kaye foram artistas completos – Armstrong, músico, cantor extraordinário e band leader, assim como Kaye, ator, cantor, músico e bailarino. Um encontro emocionante. Observação: a música (spiritual) tradicional permite o improviso, mantendo os refrões.

(Errei ao colocar este texto com o vídeo de outra publicação.)

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https://www.youtube.com/watch?v=TN_1RNyfuA0

terça-feira, 18 de março de 2025

VENDEDORES E VENDEDORES


Não sou nada agradável pela manhã, que sempre começa com o café. Acho que as coisas ficam melhores ainda se o precioso líquido for tomado numa xícara bonita. Outro dia saí procurando uma xícara bem colorida para variar. Fui a várias lojas onde só achei xícaras brancas ou canecas, que eu abomino. Desisti, mas ao passar pelo terminal Santa Cruz lembrei que lá havia três lojas grandes que tinham xícaras. Depois de visitar duas sem sucesso, entrei na última que parecia um deserto. Bastou uma espiada para ver que as canecas eram dominantes. Foi quando apareceu um vendedor querendo ajudar. Expliquei que queria uma xícara bem bonita, colorida, com flores ou bichos ou só cores, mas não tinha achado nenhuma. Ele foi a uma prateleira que eu já vira e me mostrou uma xícara branca. Repeti as características do que produto. Aí ele me apontou uma cinza. Recusa (já meio irritada). Aí, um modelo zebra – listrada de preto e branco. Nova recusa. Foi quando ele me perguntou se eu queria uma xícara completa. Completa? Como assim? E pensei se a incompleta vinha sem asa ou sem o fundo... E candidamente ele explica que a completa vem com pires... Ora, sem pires é caneca. Agradeci e fui embora. Levei semanas até a


char o que eu queria.

segunda-feira, 17 de março de 2025

DOMINGO NO PARQUE

 





Embora não goste de sair nos finais de semana, ontem fui com a amiga Elides conhecer à Feira Cultural Leste Europeia de São Paulo, na Vila Zelina que acontece uma vez por mês numa das entradas do Parque Lydia Natalizio Diogo. Um dia agradável de final de verão. Metrô até a Vila Prudente e transbordo para a Linha Prata, aquela do monotrilho. Descemos na primeira parada – estação Oratório, pedimos informações para os funcionários que nos deram a direção a seguir e lá fomos nós explorar a Zona Leste. 

Uma caminhada curta, mas surgem dúvidas; pergunta-se aqui e ali – todos sabem da feira – e chegamos lá. Tudo bem organizado. Todos muito simpáticos e um ótimo atendimento. Para facilitar há barracas com o nome dos quitutes e informações básicas sobre as guloseimas. Difícil escolher. Comida búlgara, sérvia, russa... Tudo parece muito gostoso. Reconheci apenas a bureka, que experimentei há alguns anos na casa Búlgara, no Bom Retiro. Há ainda Verenikes – panquecas recheadas (russo); kugelis l

São várias as opções, como a "bureka" búlgara (rosquinhas folhadas e recheadas), os "varenikes" russos (pequenas panquecas recheadas) e o "kugelis" lituano (feito com massa de batata) e muitos outros pratos tradicionais. Quanto às bebidas, pode-se experimentar o "krupnikas", licor de mel típico da Lituânia, e o "kvass", bebida fermentada. E muito mais.

O artesanato é bonito e variado. Os destaques são as matrioskas, as bonequinhas russas de madeira que você abre e tem outras menorzinhas no interior.

A feira estava bem movimentada e quem não conseguia lugar nas barraquinhas para apreciar a comida e a bebida, a opção é entrar no parque e saborear os quitutes num dos bancos espalhados pela área. Sempre há possibilidade de se ver um quero-quero ou um pica-pau-do-campo. O Parque Professora Lydia Natalizio Diogo, que completará 29 anos em julho, dispõe de viveiro, equipamento para atividades físicas – de pista de corrida e ginástica; e um jardim japonês com lago com carpas e espaço para cães. Tudo muito bem cuidado.

No próximo mês tem mais. O ideal é ir de metrô para conhecer a Linha Prata. A rota: Linha Verde sentido Vila Prudente e embarque no monotrilho – Linha Prata para a estação Oratório (a primeira parada) e caminhar até a Rua Aracati Mirim. A feira fica em frente ao parque.





sexta-feira, 14 de março de 2025

SE EU SENTIR SONO...

 

Ah! nada como um bom sono quando se está cansado!

Hoje é o dia Mundial do Sono. A data foi criada pela World Sleep Society para “criar conexões e aumentar a conscientização sobre a saúde do sono entre pesquisadores, profissionais de saúde, pacientes e o público”. O sono é tão importante para a saúde quanto a nutrição e a atividade física, como explica a WSP.

O sono ajuda a manter a memória e a aprendizagem; ajuda a promover a saúde cerebral; auxilia a saúde imunológica e a reciclar células velhas, além de manter os níveis de energia do corpo, de acordo com a entidade, que tem reconhecimento internacional.

São Paulo há duas importantes entidades: o Laboratório do Sono do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, que estuda os distúrbios do sono e presta assistência à população; e o Instituto do Sono da Unifesp, que além de estudos faz diagnósticos e promove aprimoramento profissional.






SE EU ME SENTIR SONO

Fernando Pessoa

Se eu  MEsentir sono,
E quiser dormir,
Naquele abandono
Que é o não sentir,

Quero que aconteça
Quando eu estiver
Pousando a cabeça,
Não num chão qualquer,

Mas onde sob ramos
Uma árvore faz
A sombra em que bebamos,
A sombra da paz.

domingo, 9 de março de 2025

AS CURVAS DA ACLIMAÇÃO

 

Rua José de Queirós Aranha.

Em seu livro “Reencantamento da cidade”, Eduardo Yázigi, doutor em planejamento urbano, enumerou 31 pesadelos com que as pessoas convivem nas cidades.

Pesadelo 1: a retificação das ruas. Yázigi classifica de urbanismo retrógrado a retificação das velhas ruas tortas “que dão um toque de devaneio na vida moderna”. E indaga: “O que seria de Roma e tantas outras cidades sem a ‘cidade velha’? Prefeitos consideram-se moderninhos e progressistas (sem o r após o p) retificando o passado, rios inclusive, com a quadratura da burrice, e são por ironia aplaudidos por cidadãos limitados. Depois de retificarem ruas para automóveis, tentam fechá-las para pedestres...”.

O encanto do bairro da Aclimação é que raras são as ruas retificadas – elas sobem e descem o morro, fazem curvas deliciosas, muitas se entrelaçam confundindo o pedestre distraído ou o visitante eventual. É verdade que a especulação imobiliária esteja tentando destruir essa característica substituindo o casario por prédios enormes; entretanto, ainda é possível admirar as casas com jardins na frente, varandas acolhedoras, cães dormitando e janelas amplas em que cortinas brancas bailam ao vento... Ruas arborizadas, floridas dão uma sensação de frescor mesmo em dias quentes.

                            As curvas da Rua Topázio

As avenidas Aclimação, Engenheiro Luís Gomes Cardim Sangirardi, e Turmalina, e as Ruas Topázio, Nicolau Souza Queirós e Paraíso são as mais movimentadas – por elas circulam ônibus, caminhões (serviços) e motos. 

Rua Batista Cepelos.




VIZINHOS NOVOS E BARULHENTOS

 

Vizinhos novos. Eles moravam numa cobertura da esquina, onde eram famosos pelo tumulto. Que eu saiba nunca houve reclamações, mas pelo que observei de passagem a balbúrdia quase sempre era pela manhã e no final da tarde – ou seja, quando saiam ou quando voltavam sabe-se lá de onde. Há algumas semanas se estabeleceram aqui em frente. São daquele tipo que vai se insinuando, ignorando se são ou não bem-vindos. Manhã dessas apareceu um deles tentando me conquistar com um olhar carente que ignorei solenemente e os moradores mais antigos, temendo essa invasão de privacidade, o expulsaram. Melhor dizendo, o puseram para voar porque era uma das dezenas de maritacas que mudaram da palmeira da esquina para as árvores aqui da pracinha, onde continuam com a algazarra matinal e vespertina para desgosto das rolinhas-caldo-de-feijão tão discretas e que costumam me visitar todos os dias.

segunda-feira, 3 de março de 2025

MÁRIO DESCOBRE O CARNAVAL CARIOCA

 

CARTA DE MÁRIO DE ANDRADE AO AMIGO MANUEL BANDEIRA, desculpando-se por não ter ido visitá-lo, conforme prometera.

“Querido Manuel. Depois perdoarás. Foi assim. Desde que cheguei ao Rio disse aos amigos: Dois dias de carnaval serão meus. Quero estar livre e só. Para gozar e observar. Na segunda- -feira, passarei o dia com Manuel, em Petrópolis. Voltarei à noite para ver os afamados cordões. Meu Manuel...Carnaval! Perdi o trem, perdi a vergonha, perdi a energia... Perdi tudo. Menos minha faculdade de gozar, de delirar...Fui ordinaríssimo. Além do mais: uma aventura curiosíssima. Desculpa contar-te toda esta pornografia. Mas... Que delicia, Manuel, o carnaval do Rio! Que delícia, principalmente, meu carnaval! Se estivesse aqui, a meu lado, vendo-me o sorriso camarada, meio envergonhado, meio safado com que te escrevo: ririas. Ririas cheio de amizade e perdão. (...) Meu cérebro acanhado, brumoso de paulista, por mais que se iluminasse em desvarios, em prodigalidades de sons, luzes, cores, perfumes, pândegas, alegria que sei! Nunca seria capaz de imaginar um carnaval carioca, antes de vê-lo. Foi o que se deu. Imaginei-o paulistanamente. Havia um que de neblina, de ordem, de aristocracia nesse delírio imaginado por mim. Eis que sábado, às 13 horas, desemboco na Avenida. Santo Deus! Será possível!... Sabes: fiquei enjoado. Foi um choque terrível. Tanta vulgaridade. Tanta gritaria. Tanto, tantíssimo ridículo. Acreditei não suportar um dia funçanata chula, bunda e tupinambá. Cafraria vilissima, dissaborida. Última análise: “Estupidez”! Assim julguei depois de dez minutos que não ficaria meia hora na cidade. Mas, por isso talvez que tanto tenho sofrido dos julgamentos levianos, jurei para mim olhar sempre as coisas com amor e procurar compreendê-las antes de as julgar. Comecei a observar. Comecei a compreender. Uma conversa iluminava-me agora sobre uma ridícula baiana que há pouco vira. A pobreza de uns explicava-me a brincadeira. Admirei repentinamente o legitimo carnavalesco, o carnavalesco carioca, o que é só carnavalesco, pula, canta e dança quatro dias sem parar. Vi que era um puro! Isso me entontece e me extasiou. O carnavalesco legítimo, Manuel, é um puro. Nem lascivo, nem sensual. Nada disso. Canta e dança. Segui um deles uma hora talvez. Um samba num café. Entrei. Outra hora se gastou. Manuel: sem comprar um lança-perfume, uma rodela de confeti, um rolo de serpentina, diverti-me 4 noites inteiras e o que dos dias me sobrou do sono merecido. E aí está porque não fui visitar-te.”

"Carnaval" (1965), Di Cavalcanti. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira.




CARNAVAL DE J. CARLOS

José Carlos de Brito e Cunha nasceu no Rio de Janeiro em 1884, mas tornou-se conhecido como J. Carlos, ilustrador, chargista e autor de histórias em quadrinhos. Colaborou em grandes revistas – Fon-Fon, Careta, O Malho entre muitas outras. Em 1941, recusou o convite de Walter Disney, que visitava o Brasil, para trabalhar em Hollywood, mas o presenteou o norte-americano com o desenho de um papagaio, que teria inspirado a criação do Zé Carioca. J. Carlos faleceu em 1950. No Carnaval de 2009 foi homenageado pela escola de Samba Acadêmicos da Rocinha com o enredo “Tem francesinha no Salão... O Rio no meu coração”. 




domingo, 2 de março de 2025

CARNAVAL DAS GAROTAS

 

“Garotas” (1938-1964), criação do mineiro Alceu Penna (1915-1980), era uma das minhas páginas preferidas da revista CRUZEIRO (1928-1975). As garotas eram graciosas e tinham roupas elegantes, coloridas e bem modernas.  










sábado, 1 de março de 2025

SÁBADO DE CARNAVAL

 

Calor intenso. Chuvas torrenciais – felizmente passageiras. Estes são dois dos principais motivos para ter reduzido meus passeios. Na hora do almoço consultei a meteorologia local: espiei pela janela e vi céu de brigadeiro ao Norte e ao Sul, mais não consegui ver. A sibipiruna florida nem se mexia. Com certeza a temperatura está bem acima dos 30 graus. Notei que a rua estava fechada ao trânsito e o casalzinho, na esquina, que deveria estar orientando os motoristas, namorava tranquilamente. Lembrei que nossa rua tem um bloco. Resolvi ir ao supermercado e quando passei pelos namorados perguntei qual o nome do bloco e fiquei sabendo que é “Siga la pelota”. Para participar basta usar traje de banho e levar um coco gelado como adereço. A banda promete “hits marítimos e surreais” (oh! Céus!) e um “repertório de brasilidades que vão de Mutantes a Tchakabum, de Tim Maia a Olodum”. Segui pelo lado oposto.

Em frente a um prédio modernoso, um rapaz escovava a pelagem negra do cão terra-nova, que estava sobre o banco preferido dos idosos do bairro. Gosto demais desse cão enorme, com um jeitão de urso e se move como um príncipe das ruas, sem pressa nenhuma. Mais adiante encontrei Formiga, o oposto do terra-nova. Acho que é um pinscher, amigo inseparável de um senhor que vive de pequenos serviços. Formiga aproveitava uma sombrinha para um cochilo.

Resolvi parar na padaria para um cafezinho. De um lado seu João saboreia uma cerveja (que ele deixará pela metade) e do outro o Alfredo, freguês remanescente de uma antiga padaria do bairro. Acho que é mais jovem do que eu, mas está bem abatido. Ele certamente não se lembra de mim. Eu era a observadora do grupo que se reunia todo final de tarde na “Dengosa”, que fechou há mais de 20 anos. “Bom dia, seu Alfredo.” Seu Alfredo toma café com pão de queijo, me olha e me deseja bom dia, um feliz ano novo com muita saúde e prosperidade! Retribuo os votos. Logo ele se despede, reiterando os votos. Saboreio o café. O tempo passou para todos nós.

Na saída, o calor escaldante me recepcionou e me fez lembrar que ontem deixei meu chapéu na Biblioteca Sérgio Milliet, avisei que irei busca-lo depois do Carnaval. Como esqueci de pegar o reserva, o jeito foi voltar para casa.