sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
DEZEMBRO, SEMPRE DEZEMBRO.
A peça
publicitária da Revista HISTÓRIA da BIBLIOTECA NACIONAL circulou na edição de
dezembro de 2009. Uma ótima revista, recheada de artigos sobre personagens e
fatos da nossa história e com entrevistas muito boas. Infelizmente, não existe
mais. Embora especializada em bons velhinhos, não faltaram os mal comportados,
maus exemplos para a sociedade. Um detalhe: D. Pedro II nasceu em uma
sexta-feira, 2 de dezembro de 1825 e faleceu em 5 de dezembro de 1891, muito
antes que a figura de Papai Noel se popularizasse mundo afora.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
Frank Sinatra-Killing me softly
Impossível ignorar Frank Sinatra (1915-1998), dono de uma voz perfeita e
que gravou um repertório de qualidade extraordinária... É meu cantor preferido.
O aniversariante do dia. Não canso de ouvi-lo.
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
DEZEMBRO: UM NOEL DE VERDADE.
Hoje o café da manhã começa assim: “Seu garçom faça o
favor de me trazer depressa / Uma boa média que não seja requentada /Um pão bem
quente com manteiga à beça /Um guardanapo e um copo d'água bem gelada /Feche a
porta da direita com muito cuidado /Que eu não estou disposto a ficar exposto
ao sol”. Hoje o dia é de Noel Rosa, nascido em 10 de dezembro de 1910 em
Vila Isabel, Rio de Janeiro. Morreu aos 26 anos, deixando uma riquíssima
contribuição para a música popular brasileira. Sem choro nem vela, a verdade é
que ele sempre fará falta. E viva Noel!
domingo, 9 de dezembro de 2018
PERU MORTO, MISSA DE GALO...
Mário de Andrade
(1893-1945) é o autor do conto “O peru de Natal”, em que relata,
deliciosamente, os preparativos das festas e o papel da ave nessas reuniões
familiares. A história se passa no primeiro Natal após a morte de um pai da
família e o filho planeja uma ceia especial com um peru para as cinco pessoas
da casa. “Peru era prato de festa” – afirma o narrador. “Era costume sempre, na
família, a ceia de Natal. Ceia reles, já se imagina: ceia tipo meu pai,
castanhas, figos, passas, depois da Missa do Galo. Empanturrados de amêndoas e
nozes (quanto discutimos os três manos por causa dos quebra-nozes...),
empanturrados de castanhas e monotonias, a gente se abraçava e ia pra cama.”
Planejar um cardápio pode ser tão gostoso
quanto preparar o alimento. A imaginação ativa as memórias olfativas e as
lembranças antecipam os prazeres da degustação... “E havia de ser com duas
farofas, a gorda com os miúdos, e a seca, douradinha, com bastante manteiga.
Queria o papo recheado só com a farofa gorda, em que havíamos de ajuntar ameixa
preta, nozes e um cálice de xerez, como aprendera na casa da Rose, muito minha
companheira.”
O rapaz até pensou em um vinho francês para acompanhar, mas ele escolhe
cerveja bem gelada porque era a bebida preferida da mãe. “Quando acabei meus
projetos, notei bem, todos estavam felicíssimos”.
| “De volta do mercado”, 1739. Óleo sobre tela de Jean-Baptiste Siméon Chardin (1699-1779). |
sábado, 8 de dezembro de 2018
POR SER DEZEMBRO
“São Paulo naquele tempo - 1895-1915”. Jorge
Americano.
Havia visitas recíprocas com a minha
família e nos convidavam no fim de ano para a árvore de Natal. Mas não faziam
festa. As crianças convidadas apareciam a qualquer hora, davam uma volta ao
redor da árvore, olhavam, olhavam, e depois despediam-se. Então, antes que
saíssem, D. Berta abria a gaveta do aparador de onde tirava brinquedos, um para
cada criança. As crianças agradeciam e iam embora.”
Jorge Americano nasceu em São Paulo em 25 de agosto de 1891, foi advogado, professor e promotor de justiça. Foi o quarto reitor da Universidade de São Paulo e deputado federal à Assembleia Nacional Constituinte de 1933. Faleceu em 1969. A paulistana Anita Malfatti nasceu em 2 de dezembro de 1889 e morreu em 19646.
“Nossa casa da rua dos Andradas nº 18
era de chão lavado como quase todas as de São Paulo.
Morava no mesmo correr um casal
alemão, seu Kohfall e D. Berta. Seu Kohfall trabalhava na casa Nathan,
importadora, na rua São Bento. Não tinham filhos.
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| "Natividade", obra de Anita Malfatti (1889-1964). |
Jorge Americano nasceu em São Paulo em 25 de agosto de 1891, foi advogado, professor e promotor de justiça. Foi o quarto reitor da Universidade de São Paulo e deputado federal à Assembleia Nacional Constituinte de 1933. Faleceu em 1969. A paulistana Anita Malfatti nasceu em 2 de dezembro de 1889 e morreu em 19646.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
O PERU DE DEZEMBRO
Nos velhos tempos,
quando ainda se vivia em casas e as famílias criavam galinhas, patos e perus, e
a era dos frigoríficos ainda estava no início, não havia muitas dúvidas sobre o
que servir no Natal: o peru era o prato preferido, creio que para variar, pois
galinha era freguesa comum durante o ano.
Assim,
começava-se a cevar o peru bem antes das festas para que em dezembro ele
estivesse bem gordinho. Como diz o ditado: só peru morre na véspera. E a
ave era abatida logo cedo na véspera do Natal para que se começasse o processo
de tempero e o assado.
O
peru não é exatamente uma ave sortuda. Feioso, voz pouco criativa, ele é
proveniente de Yucatán (México). A ave desconhecida até então na Europa foi
identificada pelo suposto porto de origem da carga e dessa forma ganhou,
erroneamente, o nome de peru em Portugal e Espanha. Na Inglaterra, o peru foi
confundido com a galinha d’angola que era importada pela Turquia que a vendia
para outros países e
daí ter se tornado conhecido como turkey
coq.
Em
1621 o peru foi o prato principal da refeição preparada pelos colonos ingleses
em agradecimento pela boa colheita, entrando para o cardápio americano. Tudo
isso é história. Nos grandes centros urbanos, pode ser o centro de mesa das
ceias de fim de ano, mas a maioria das crianças nunca viu um peru vivo.
Nem
todos gostam da carne do peru. Os portugueses sempre apreciaram a carne de
porco que até hoje faz parte das festas de fim de ano. “Não há alimento mais
elogiado nem material que forneça maior número de pratos. O porco faz a festa.
Porco do Natal” – diz Luiz Câmara Cascudo. O folclorista afirma que os nativos
do Brasil já saboreavam carne mal passada muito antes da chegada dos
portugueses e o famoso roast beef, que também frequenta ceias de fim de ano, por
aqui tem mais de 500 anos de tradição.
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| A Peixeira, 1672. Obra de Adrien van Ostade (1610-1685). Rijksmuseum, Amsterdã. |
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
NATAL, E NÃO DEZEMBRO.
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido…
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
numa gruta, no bojo de um navio,num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido…
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois:
somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave…
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
David Mourão-Ferreira (1927-1996), em “Cancioneiro de Natal”.
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave…
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
David Mourão-Ferreira (1927-1996), em “Cancioneiro de Natal”.
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| Paul Gauguin (1848-1903): Natividade, 1896. |
sábado, 1 de dezembro de 2018
COISAS DE DEZEMBRO.
Chegou dezembro, mês dos
alucinados por compras. Comprar é o verbo mais usado e em todos os tempos –
compro, comprarei, comprei. (Ah! compete com “eu quero”, também muito ouvido –
eu quero isso, quero aquilo, quero outro...) Locais para evitar em São Paulo:
Rua Vinte e Cinco de Março e adjacências, o que inclui a estação São Bento do
metrô; Rua José Paulino e adjacências... O Mercado da Cantareira, nem pensar,
porque é o ponto de abastecimento dos consumidores natalinos. Haja sanduíche de
mortadela e bolinho de bacalhau!
No século passado, um velhinho de barbas
brancas, vestido de vermelho e com um gorro da mesma cor, roubou o papel
principal da festa de fim de ano de um recém-nascido.
Na Agência Central dos Correios, as mesas estão postas e as cestinhas
carregadas de pedidos de crianças carentes (situação de risco) ao Papai Noel. Esta semana li
várias. Todas juram que se comportaram bem durante o ano e fizeram a lição de
casa – o que as cartas desmentem. Vou voltar outro dia porque não sei do que se
trata a maioria dos pedidos. Várias queriam PSP. Preciso pesquisar. No meu
tempo de criança pedíamos carrinhos, bonecas, bolas, livros de histórias, roupa ou sapatos, um triciclo ou até mesmo patinete... Enfim, coisas que cabiam
no bolso de uma pessoa de medianas posses. Além de não conhecer o brinquedo, há
muitos com preços bem salgados. Espero que encontrem padrinhos bem de vida.
Para a criançada que deseja fazer o pedido pessoalmente, Papai Noel
encontra-se disponível para receber a turma em todos os shoppings e lojas
dispostas a investir uns trocados em uma fantasia e um salário para um
temporário. E por falar em salário, está bem longe o tempo em que ser Papai Noel
era um ato de devoção ou de bondade. Nada de desapego. O salário pago por
shoppings de São Paulo, dependendo do número de horas trabalhadas, varia de R$
9 mil a R$ 18 mil por mês (vagas.com).
Nada de se animar muito: precisa ser um velhinho cheiroso, ter barba de
verdade bem cuidada, nada de abdômen tipo tanquinho – é sempre bom cultivar uma
barriguinha de acordo com o figurino do personagem. É necessário falar bem o português
e, principalmente, gostar muito do papel (e de crianças) porque, dizem, não é
nada fácil. Os pais também costumam causar encrencas.
Enfim, bimbalham os sinos de Natal. Ih! Cuidado, há quem não entenda a
beleza da linguagem dos sinos e implique com o "barulho". Socorro!
DEZEMBRO, 2018.
A
caça ao javali, a floresta e as torres do chateau de Vincennes ao fundo. Iluminura
correspondente ao último mês do ano e que integra o calendário do livro de
horas do duque de Berry (1340-1416), irmão do rei da França. A obra, conhecida como "As riquíssimas horas do duque de Berry", é de autoria dos irmãos
Limbourg, Paul, Hermann e Jean. Século XV.
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
UMA CORVETA QUE FEZ HISTÓRIA
Quem fez a primeira viagem de circunavegação da Terra? Parece fácil: Fernão de
Magalhães! Errado. Ele começou em 1519, porém morreu em 1521, quase no final, e
quem completou a missão foi Juan Sebastián Elcano, no comando da VITÓRIA, a única
nau que retornou à Espanha.
A Marinha Imperial do Brasil, no
entanto, realizou em 1879 a sua primeira circunavegação, que foi também uma viagem de instrução
de guardas-marinha. Em 19 de novembro de 1879, a Corveta Encouraçada Vital
de Oliveira partiu do Rio de Janeiro com cerca de 300 homens sob o comando do capitão de fragata Júlio César de
Noronha.
![]() |
| Vital de Oliveira. Imagem: Wikipedia. |
A corveta foi construída no Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro e, com o nome de GUANABARA, entrou em
serviço em 1867 sob o comando do capitão tenente Antônio Luiz Von Hoonholtz (futuro Barão de Teffé). A
embarcação tinha 66m de
comprimento, 11m de boca e 4m15 de calado, e deslocamento de 1.424t; era dotada
de propulsão mista (vela e vapor) e atingia velocidade máxima de 8,5 nós. Em 2 de fevereiro de 1867, com a morte do capitão de fragata Manuel Antônio Vital de Oliveira, comandante
do Monitor Encouraçado Silvado, no bombardeio a Curupaiti durante a Guerra do
Paraguai, a Marinha trocou o nome da GUANABARA para Vital de Oliveira num
tributo ao militar.
Na tarde do dia 19 de
novembro, a Corveta Vital de Oliveira navegou
para Lisboa, Gibraltar e Toulon. Neste porto, embarcou a missão
diplomática especial do governo brasileiro para a China e da qual fazia parte o
futuro barão de Jaceguay, Arthur Silveira da Motta. Do porto francês a corveta
se dirigiu a Malta (foi o primeiro navio brasileiro a aportar em La Vallete), prosseguindo
depois para Port Said, Ismailia, Suez, Aden; navegou para o Oceano Índico e passou
por Ceilão (Sri
Lanka), Singapura,
Hong Kong (onde ficou a Missão Diplomática), Nagasaki, Yokohama. Desta cidade a
San Francisco (EUA) foram 23 dias de travessia do Pacífico para depois seguir
para Acapulco e pelo litoral sul-americano até Valparaiso. A partir de Port
Otway a viagem prosseguiu pelos canais da Patagônia, tornando-se o primeiro
navio da marinha brasileira a transpô-los antes de entrar no Estreito de Magalhães.
Este talvez tenha sido o pior trecho da viagem: a travessia do Estreito levou
oito dias com temperatura de três graus até Punta Arena, onde os brasileiros
passaram o Natal de 1880. A última escala foi Montevideo e, enfim, a corveta aportou
no Rio de Janeiro em 23 de janeiro de 1881. Foram 430 dias: 268 navegando e 162
fundeados. Foram navegadas 35.044 milhas.
Um grupo de que fez
História e que não foi esquecido.
Fonte: Revista de Villegagnon, ANO 3-
Nº 3 – 2008.
terça-feira, 20 de novembro de 2018
SEMPRE HÁ MOTIVOS PARA LEITURA
Feriado. Frio. Chuva. Olho a estante em busca de um amigo. Há muitos
ansiosos para compartilhar esse dia de fim de primavera. O que ler depois de
ter mergulhado na história dos Países Baixos no século XVII contada por Simon
Schama (1945) com riqueza de pormenores e ilustrada com arte da melhor
qualidade? Escolho “21 lições para o século 21”, de Yuval Noah Harari (1976). Um salto
de quatro séculos!
Na verdade, estou lendo devagar “Uma
história da leitura”, do argentino Alberto Manguel (1948), diretor da
Biblioteca Nacional da Argentina. A morosidade se deve à leitura no tablet a
que ainda não me acostumei, o que não impede que aprecie a belíssima obra.
Enfim, será um ótimo dia.
![]() |
| "Casal numa paisagem". de Frans Hals, Rijksmuseum, Amsterdam. |
domingo, 18 de novembro de 2018
PROGRAMA PARA O FERIADO
Programas culturais de ótima
qualidade não faltam em Sampa. E quem tem mais de sessenta anos, então, nem
gasta dinheiro com ingresso. Eis um roteiro básico para o Centro Histórico a partir
da Sé. Quem for de metrô (Linha Azul), emerge na Praça da Sé, dominada
pela catedral, que merece visita. Depois de descobrir o Marco de Zero de São
Paulo, pode fazer um ótimo passeio a pé visitando algum desses lugares. As
igrejas sugeridas são as mais antigas da cidade.
Caixa Cultural
No momento tem três exposições: Neopanóptico
de Vinicius S.A. (instalação); Diáspora, de Josafá Neves (pinturas e
esculturas) e Rubem Valentim (pinturas, gravuras, serigrafias, totens e
escultura).
Praça da Sé, 111. Não abre às
segundas-feiras.
| Museu da Caixa:como era o sorteio da Loteria Federal. |
Igreja do Carmo (séc. XIX)
Avenida Rangel Pestana, nº. 230.
SESC Carmo
Rua do Carmo, 147.
Igreja Nossa Senhora da Boa Morte. (séc. XIX)
Rua do Carmo, 202.
| SESC Carmo promove concertos mensais às 13 horas na igreja. |
Museu da Justiça
Rua Conde de Sarzedas,100.
Museu Anchieta
Pátio do Colégio
Beco do Pinto e Solar da Marquesa de Santos
Rua Roberto Simonsen, 136-B
![]() |
Largo de São Francisco, 95.
Igreja de São Francisco (séc. XVII)
Largo de São Francisco, 173.
Centro Cultural Banco do Brasil
Exposição: 50 anos de realismo – do fotojornalismo à
realidade virtual.
(Exposições e programa
educativo: gratuitos.)
Rua Álvares Penteado, 112. Não
abre às terças-feiras.
Centro Cultural dos Correios
Avenida São João. Metrô: São Bento.
Mosteiro de São Bento
(Visitas guiadas com agendamento prévio:
Largo de São Bento, 48. Metrô São Bento.
Farol Santander
(Com agendamento pela
internet. Ingresso: R$10,00). Precisa agendamento.
Rua João Brícola, 24. (Metrô Sé ou São Bento).
Edifício Matarazzo
(Visita ao prédio com agendamento
uma hora antes).
Viaduto do Chá, 15. (Metrô
Anhangabaú ou São Bento.)
sábado, 17 de novembro de 2018
Vandalismo
![]() |
| "Convergência", 1952. Óleo sobre tela de Jackson Pollock (1912-1956). |
Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.
Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.
Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos ...
E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.
Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.
Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos ...
E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!
Soneto: "Vandalismo", do poeta paraibano Augusto dos Anjos (1884-1914).
quinta-feira, 15 de novembro de 2018
NUVENS EM FIM DE TARDE
| ROMA, 2006. |
Passam os sonhos por mim.
Nenhum dos sonhos é meu
Embora eu os sonhe assim.
São coisas no alto que são
Enquanto a vista as conhece,
Depois são sombras que vão
Pelo campo que arrefece.
Símbolos? Sonhos? Quem torna
Meu coração ao que foi?
Que dor de mim me transtorna?
Que coisa inútil me dói?
FERNANDO PESSOA/ OBRA POÉTICA.
segunda-feira, 12 de novembro de 2018
JARDIM BOTÂNICO DE GLASGOW
Na Escócia, em pleno verão de
2015 foi difícil foi encontrar sol. Em Glasgow o tempo encoberto e o frio não tornaram
a visita ao Jardim Botânico menos agradável. Com quase dois séculos de existência, o Glasgow Botanic Gardens surgiu em outro local com plantas doadas pelo botânico Thomas
Hopkirk (1785-1841), mas a cidade cresceu e em 1839 foi necessário comprar a
área atual, no West End, próximo ao rio Kelvin. Em 1842 os jardins foram abertos
aos membros da Royal Botanic Institution of
Glasgow. Nos fins de semana, o público podia visitar o local mediante pequena
contribuição. Atualmente, atrai quase 500 mil pessoas por ano.

Embora tenha várias estufas, a
mais conhecida é Kibble Palace. A bela
estufa de estrutura de ferro com 2137 m² tem uma história muito interessante. Na
década dos anos de 1860, o excêntrico engenheiro e fotógrafo John Kibble
(1815-1894), que vivia em Coulport, contratou os arquitetos John Boucher e James Cousland para fazer o projeto da
estufa para sua casa. Em
1871, após uma negociação, ele conseguiu transferir a estufa, que ficara conhecida
como
Palácio de Vidro, para
o Jardim Botânico de Glasgow. A estrutura foi ampliada, ganhou o domo de 150
pés de diâmetro e foi inaugurada em 1873 com o nome de Kibble Palace.
Endereço: 730 Great
Western Rd. Abre durante todo o ano diariamente. Entrada gratuita.
Transporte: ônibus 6, 6A e 90.
domingo, 11 de novembro de 2018
DIA DO ARMISTÍCIO
Há cem anos o mundo assistiu,
aliviado, a assinatura do Armistício pondo fim à Grande Guerra, que causara uma
carnificina sem precedentes na História: cerca de 10 milhões de mortos e 20
milhões de feridos. A guerra de 1914-1918 provocou ainda mais mortes com a
pandemia da Gripe Espanhola (Influenza A subtipo H1N1) que teve origem nos
campos de batalha e se espalhou pelo mundo, provocando a morte de 50 milhões de
pessoas ao redor do mundo. Foi um fim de guerra mal resolvido e acabou gerando
a II Guerra Mundial, em 1º de setembro de 1939. Uma data para reflexão,
objetivo das cerimônias que se realizam hoje em vários países.
Os Estados Unidos
entraram no conflito em 1917 e logo em seguida o Brasil, que teve vários navios
mercantes afundados pelos alemães. O presidente Venceslau Brás declarou guerra
à Alemanha em 25 de outubro de 1917. A participação brasileira, entretanto, foi
bem restrita – “alguns soldados da Legião de Honra e uma dezena de aviadores
que foram fazer um estágio na aviação britânica”, de acordo com o professor e
jornalista Sidney Garambone*. O governo brasileiro organizou a pedido da França
uma missão médica para atuar no front, que partiu do Brasil em agosto de 1918.
*A
PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL E A IMPRENSA BRASILEIRA, DE Sidney Garambone. Rio de
Janeiro: Mauad, 2003.
sábado, 10 de novembro de 2018
JARDIM DAS PLANTAS DE PARIS
O Jardim das Plantas de Paris tem 378 anos. Chamava-se Jardim do Rei, nome alterado no período da Revolução de 1789, quando também passou por uma grande mudança. No princípio, era um herbário de plantas medicinais criado pelo médico de Luís XIII, Guy de la Brosse em 1640. E foi aberto ao público em 1640. O Jardim das Plantas de Paris tem 23,5 ha. e faz parte do Museu de História Natural.
Visitei em 27 de maio de 2012. Um domingo especial: dia das mães e muitas famílias aproveitavam o sol de primavera entre flores e gorjeios de aves para comemorar a data. Um belo passeio.
Abre
todos os dias e o ingresso é gratuito.
Endereço:
57 rue Cuvier, 2 rue Buffon, 36 rue Geoffroy-Saint-Hilaire. Ônibus: linhas 24,
57, 61, 63, 67, 89 e 9.
Batobus:
parada Jardin des Plantes.
Metro
e RER: Austerlitz (linha C do RER ou 5 do metro); Censier Daubenton (linha 7 do
metro), Jussieu (linha 10 do metro).
segunda-feira, 5 de novembro de 2018
JARDIM BOTÂNICO DE SÃO PAULO: 90 ANOS.
Manhã de outono ensolarada, temperatura
agradável. Um dia para aproveitar o mais belo espaço verde de São Paulo: o
Jardim Botânico, situado no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, na Água
Funda, região sudeste da cidade. Vegetação exuberante, canto de pássaros, o
murmúrio das águas correndo, o ciciar do vento nas folhas do pau-brasil que
formam um bosque aconchegante, o atropelo de uma galinha d’água mudando de um
lago para outro atrás de uma libélula, o banho preguiçoso da garça visitante no
córrego que dá origem ao riacho do Ipiranga... Um pequeno paraíso.
| O portão histórico. |
Sob a direção de Hoehne o Orquidário
foi se desenvolvendo, passou a se chamar Jardim Botânico e se tornou um
paraíso. Atualmente, é administrado pelo Instituto de Botânica, unidade da
Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
São 143 hectares de área verde, mas só
36 ha estão abertos à visitação pública. O Orquidário, onde tudo começou, é uma
das áreas a que o visitante não tem acesso. Ele tem um acervo de 20 mil vasos e
700 espécies diferentes de orquídeas – 80% de espécies nativas, dez por cento
híbridas e o restante, exóticas.
O passeio começa pela Alameda Fernando
Costa, à margem do córrego Pirarungáua, ladeada por palmeiras jerivás, e que
conduz à área de exposições e ao Museu Botânico João Barbosa Rodrigues (observe a claraboia). Eis o Jardim de Lineu
– um dos mais belos trabalhos de paisagismo da cidade, que antecede as estufas.
Uma abriga plantas da Mata Atlântica e a outra é reservada para exposições
temporárias de plantas e flores.
Agora é a vez do Lago das Ninfeias, o Jardim dos
Sentidos, o lago dos Bugios, o jardim de esculturas, o lago da nascente do
riacho do Ipiranga, o túnel de bambus, o bosque de pau-brasil, e, enfim, o
Mirante, de onde se tem uma bela visão do Jardim Botânico.
Bancos para descansar e observar a
natureza não faltam. Mas é importante fazer o roteiro das espécies ameaçadas de
extinção. Mogno, jequitibá-rosa, samambaiaçu (xaxim), cedro-rosa, bromélia
imperial, imbuia, cambuci e palmito juçara entre tantas outras. Fome? Existe um
restaurante e uma lanchonete com horários variados.
Vale a pena saber que Lineu ou Carl Von
Linné (1707-1778) foi um naturalista cuja ambição era nomear e descrever todos os tipos
conhecidos de plantas, animais e minerais. Não conseguiu realizar este feito,
mas foi responsável pela criação da nomenclatura binomial em latim adotada até
hoje pelos biólogos do mundo. Por exemplo: Cambuci – Campomanesia phaea, o
primeiro nome é o gênero da planta e o segundo, a espécie. Ele trabalhou no
Jardim Botânico de Upsala.
O córrego Pirarungáua, antes canalizado,
voltou a correr livre.
domingo, 4 de novembro de 2018
BOA LEITURA
Coisas do Facebook. Um amigo me convidou para escolher e publicar a capa de sete livros importantes para mim. Um desafio e tanto, porque li tantos livros maravilhosos que me sinto frustrada por ter que deixar de fora centenas de autores maravilhosos. Há alguns anos não me interesso muito por romances e me dedico mais aos livros de História, tentando entender melhor o ser humano e, portanto, desconheço a maioria dos novos escritores.
Assim, resolvi selecionar obras que me revelaram sete ótimos autores em algum momento da minha vida. Li vários livros da inglesa Doris Lessing (1919-2013) e praticamente toda a obra de Jorge Semprun (1923-2011), espanhol naturalizado francês. Rubem Fonseca (1925) é dono de um texto maravilhoso e é sempre um prazer reler seus livros. Do americano John Updike (1932-2009), li a tetralogia do “Coelho”, que é um retrato bem realista da sociedade norte-americana. Belíssima obra. O francês Albert Camus (1913-1960) é um dos meus autores preferidos e “A queda” é um livro de tirar o fôlego. Yukio Mishima (1925-1970) foi uma ótima revelação da literatura japonesa.
Ah! O sétimo livro foi “Peter Pan”, do escocês J. M. Barrie (1869-1937), que até hoje me dá muito prazer e eu nem quero voltar à infância.
Deixei fora da lista os dois maiores poetas da língua portuguesa: Camões e Fernando Pessoa; Monteiro Lobato e sua obra infantil, mas fazer o quê? Ficaram fora também... Uma lista interminável para quem, como eu, aprecia boa leitura. Cada um que faça a sua lista e boa leitura.
sexta-feira, 2 de novembro de 2018
FANTASMAS PAULISTANOS
Quem não gosta de uma boa história de fantasma? São famosos os castelos
mal assombrados da Inglaterra, que nos proporcionam ótimos relatos literários e
cinematográficos. Ontem, vasculhando as prateleiras da Biblioteca Mário de
Andrade, descobri “Os Fantasmas de São Paulo Antiga”, livro do professor Miguel
Milano (1885-1971), Editora UNESP. O livro reúne dois tipos de fantasmas: os
que animam causos folclóricos, que o autor ouviu na infância, e os históricos,
que se revelam ao leitor à medida que ele percorre locais de São Paulo que desapareceram
com o crescimento e o progresso da cidade.
Graças às histórias singelas de Milano sobrevivem os fantasmas que rondavam a Academia de Direito apavorando guardas urbanos e estudantes; ficamos sabendo das desventuras do caixeiro-viajante Manuel Lantejoula, vítima da “bezerra encantada”; ou do verdureiro madrugador Ângelo que, depois de “encontrar” os fantasmas (fogos-fátuos) do Cemitério da Consolação, resolveu nunca mais madrugar. E assim Milano narra as desventuras causadas pelo medo aliado à superstição a personagens anônimos da cidade, que enfrentaram seus fantasmas pessoais na difícil jornada de suas vidas. Ah! A imaginação humana... Hoje os fantasmas são outros.
Graças às histórias singelas de Milano sobrevivem os fantasmas que rondavam a Academia de Direito apavorando guardas urbanos e estudantes; ficamos sabendo das desventuras do caixeiro-viajante Manuel Lantejoula, vítima da “bezerra encantada”; ou do verdureiro madrugador Ângelo que, depois de “encontrar” os fantasmas (fogos-fátuos) do Cemitério da Consolação, resolveu nunca mais madrugar. E assim Milano narra as desventuras causadas pelo medo aliado à superstição a personagens anônimos da cidade, que enfrentaram seus fantasmas pessoais na difícil jornada de suas vidas. Ah! A imaginação humana... Hoje os fantasmas são outros.
Interessante que os fantasmas são bem pontuais: só começam as atividades
a partir da meia-noite. Leitura muito recomendada para as noites de
tempestades, regidas por raios, relâmpagos e trovões.
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
NOVEMBRO COM ARTE
DIA DE TODOS OS SANTOS - Os santos são a versão cristã dos heróis gregos e romanos que eram representados em esculturas para adornar os templos e as residências dos cidadãos de Grécia e Roma. As imagens cristãs são herança desse costume greco-romano. Judeus e islâmicos não têm imagens em seus templos (sinagogas e mesquitas), assim como os cristãos da igreja reformada. Para alcançar o título de santos é preciso uma vida de virtudes heroicas e de exemplos de fé e devoção a Deus. Parece que a nem a Igreja Católica sabe quantos santos ela congrega, mas acredita-se que sejam mais de dez mil – a maioria dos quais nem é lembrada nos dias atuais.
Abaixo: à esquerda, "O Juízo Final", 1534-41, afresco da Capela Sistina, Vaticano, de Michelangelo. A direita: "Vocação de S. Mateus", 1599-1600, óleo sobre tela de Caravaggio, Capela Contarelli, Roma.
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