Dizem que São Paulo é uma cidade cinza, entretanto, as árvores dão vida e um colorido especial às ruas e praças da metrópole - às vezes cobrem as calçadas e caminhos com tapetes floridos.
terça-feira, 4 de novembro de 2025
CAMINHOS FLORIDOS
domingo, 2 de novembro de 2025
"SÃO PAULO, SINFONIA DA METRÓPOLE"
Este é um documentário precioso e que deve ser preservado cuidadosamente para as futuras
gerações, pois a geração baby-boom a qual pertenço tem muita dificuldade para se
localizar nesse filme, porque em menos de cem anos a cidade se desfez de um
belo patrimônio para crescer. Crescer alucinadamente. Dirigido pelos húngaros radicados
no Brasil Adalberto Kemeny (1901-1969) e Rudolf Rex Lustig (1901-1970), o filme
foi inspirado em “Berlim, Sinfonia da Metrópole” (1927), obra do alemão Walter
Ruttmann.
Como era São Paulo no final da década de 1920?
Lá estão o Pátio do Colégio, identificável apenas pela obra de Ramos de Azevedo e pelo monumento “Glória imortal dos fundadores de São Paulo”; o antigo Viaduto do Chá, os palacetes trigêmeos do Anhangabaú (demolidos anos depois), o prédio do Banco do Brasil (CCBB), a Rua Boa Vista, o prédio dos Correios e Telégrafos, o Palácio das Indústrias; na Rua XV, endereço da famosa Casa Garraux e do Estadão; o Colégio Caetano de Campos. Fora do centro Histórico, uma visão do Instituto Butantã, do Horto Florestal e do Hipódromo da Mooca. Bem interessante é a reportagem sobre a Penitenciária do Estado, inaugurada em 1920 e tinha como lema “os mais avançados conceitos de regeneração dos condenados”. Quase impossível reconhecer a praça da Sé, sem a catedral neogótica. Mais importante do que prédios e ruas são as pessoas – anônimos que davam animo à metrópole que se forjava. A despeito das legendas ufanistas as imagens já mostram as diferenças sociais.
https://www.youtube.com/watch?v=3XR0YQMkPX8&t=864s
sexta-feira, 31 de outubro de 2025
ABRACADABRA!!!
André Le Blanc (1921-1998) foi um ótimo desenhista e professor.
Era haitiano (filho de mãe francesa e pai hondurenho), trabalhou nos Estados
Unidos e em 1944 mudou para o Brasil, onde se destacou por sua produção de
histórias em quadrinhos tanto em tiras como em revistas e, posteriormente,
ilustrou livros de Monteiro Lobato, na Editora Brasiliense, e adaptações de
clássicos da literatura em outras editoras. Ele retornou aos Estados Unidos,
onde faleceu.
O livro de Monteiro Lobato, além de aventuras de Pedrinho com
sacis, reúne histórias de personagens do folclore brasileiro, como a Cuca, o
Boitatá e a Mula Sem Cabeça entre outros. Ganhei esse livro em 1967, provavelmente, na Páscoa.
Pensaram que eu havia me rendido à mitologia celta? Não!
ABRACADABRA – Há várias versões para a etimologia da palavra abracadabra, que tem origem do
grego abrakadábra de acordo com o Dicionário Michaelis. É uma “palavra
cabalística de supostas virtudes mágicas que teria o poder de curar certas
doenças. Suas letras deviam ser escritas em um triângulo, para que a palavra
pudesse ser lida em todos os sentidos”.
quinta-feira, 30 de outubro de 2025
MANUAL DAS BRUXAS
PREPARANDO-ME PARA O EVENTO DE AMANHÃ COM O MANUAL DA MAGA & MIN.
segunda-feira, 27 de outubro de 2025
MINHAS BRUXAS PREFERIDAS
Ontem,
a Aclimação estava infestada de bruxas – bruxas bruxas (já sei – não é
politicamente correto), bruxas bonitas, bruxas de todas as idades, sozinhas, em
grupos ou bem ou mal acompanhadas (sabe-se lá). Lamento não ter encontrado
algum mago no caminho, pois esse mundo misterioso e sombrio não é privilégio
feminino. O Mago Merlin, personagem da saga arturiana, que o diga; porém, muito
antes os três reis magos Gaspar, Belchior e Baltazar seguiram uma estrela desde
o Oriente para visitar o recém-nascido Rei dos Judeus.
O dia das bruxas – 30 de outubro,
que tem origem da mitologia celta –, marca o final do verão no Hemisfério Norte
e celebra os mortos. A homenagem aos mortos foi incorporada pelo cristianismo e
acontece no dia 2 de novembro. As bruxas estão presentes na dramaturgia de
Shakespeare: em “Macbeth” são três, que desencadeiam a maldade do protagonista
da peça. Em “Hamlet” é o fantasma do rei que revela ao príncipe os autores do
seu assassinato.
A
realidade supera a mitologia e a literatura. A História registra um dos casos
mais famosos e trágicos envolvendo bruxas que aconteceu no século XVII em
Salem, Massachusetts (EUA). Cerca de duzentas pessoas foram acusadas de
bruxaria e processadas, trinta acabaram sendo consideradas culpadas e vinte executadas
– quinze mulheres e cinco homens. O evento gerou inúmeras obras literárias,
peças teatrais e filmes.
“¡No
creo en brujas, pero que las hay, las hay¡” – diz o ditado espanhol, de origem
galega.
A primeira bruxa que me encantou foi aquela que deu a maçã para a Branca de Neve e mais tarde Maga e Madame Min me conquistaram – um trio criado por Walt Disney.
sexta-feira, 24 de outubro de 2025
A CIDADE À NOITE
Se você resolveu deixar o carro na garagem, calçar
um sapato confortável e caminhar, vai descobrir muitas coisas interessantes
sobre a cidade. A primeira descoberta é a própria cidade, pois o caminhante tem
uma visão muito melhor dos lugares por onde passa, descobre segredos, mistérios
e a própria realidade, que atrás do volante com olho na sinalização e nos
pedestres, perde de passagem. A segunda descoberta, talvez a mais fascinante, são
as pessoas que transitam de lá para cá, que se deixam ficar num canto esperando
alguém ou alguma coisa, as que correm para não perder ou ganhar tempo, famosos,
anônimos, os loucos, os esquecidos, os injustiçados e tantos outros... A
terceira revelação –à noite a cidade é outra, se transmuda e tanto pode ser sedutora
como amedrontadora, silenciosa ou agitada pelos boêmios, eternos amantes da lua
– não importa se nova ou cheia.
Poética
Vinicius de Morais
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
quarta-feira, 22 de outubro de 2025
HORA DO BANHO
O escultor Alfredo Ceschiatti
(1918-1989) não deu nome para a sua preguiçosa exposta no piso superior da
Estação Sé do Metrô. Outro dia, quando passei, vi a donzela impávida tomando
banho, provavelmente anual. A funcionária não poupou esforços para deixá-la
brilhando.
sábado, 18 de outubro de 2025
CAMINHANDO POR AÍ
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
PRAÇA FRANKLIN ROOSEVELT
Conheci
a Praça Roosevelt, que já não era agradável, em 1982, quando mudei para São
Paulo e comecei a frequentar a Biblioteca Circulante da Mário de Andrade. Além
da Circulante, lembro que havia uma escola infantil, uma loja Pão de Açúcar e
uma floricultura. Meu caminho incluía os programas do Biju, ainda um cinema que
exibia filmes de arte, e o Teatro Cultura Artística na Rua Nestor Pestana. A
história da praça, que já se chamou Consolação, está ligada à Dona Veridiana
Prado, cujas terras abrangiam uma extensa área daquela região e foi loteada no
final do século XIX. Nas imediações da Rua Nestor Pestana a família Prado
construiu o Velódromo, que divulgou um esporte estrangeiro praticado entre os
ricos que podiam importar bicicletas; porém, a moda durou pouco porque outro
esporte estrangeiro ocupou o espaço, mas dessa vez conquistou o grande público:
o football.
Na
época da construção da igreja da Consolação, 1910, ali se realizavam feiras no
final de semana e havia também um grande estacionamento. A Praça já se chamou
Consolação e Guianas até que em 1947 recebeu o nome do presidente
norte-americano Franklin Delano Roosevelt (1882-1945), que faleceu dias antes do
término da II Guerra na Europa (no Japão, acabou em agosto de 1945). Se a praça
nunca agradou a gregos e troianos do ponto de vista estético e urbanístico, atualmente
ainda balança o coração dos velhos boêmios que frequentaram o bar e restaurante
Baiúca – reduto de Johnny Alf, Zimbo Trio entre outros grandes nomes da MPB, e
o Djalma’s Bar, onde Elis Regina fez seu primeiro show em São Paulo, e outros grandes
artistas se apresentaram.
A
velha e boa Roosevelt passou por várias transformações até chegar ao formato
atual. Confesso que não gosto do resultado da última reforma que fizeram na praça.
Sem graça. Concreto em abundância. Sonho de skatistas. Eu, porém, não vivo no
entorno. Uma moradora que passeia com seu cãozinho me conta que o resultado foi
muito bom: “A praça se tornou um lugar familiar”, segundo ela, pois há
policiamento 24 horas por dia e as pessoas podem sair de casa com tranquilidade
para passear, tomar sol ou fazer compras". Ela faz uma ressalva: se as noites
são calmas e agradáveis de segunda à quinta-feira, o alvoroço acontece nas
noites de sexta, sábado e domingo.
A caminhada que fiz numa noite de
quinta-feira, confirmou a tranquilidade do lugar. E para quem quer saber, no lado
par da Praça encontram-se entre outros o Espaço Parlapatões, Satyros Bijou –
Espaço Patrícia Pilar, o bar Pick your beer... Enfim, melhor ir e conferir.
Do
outro lado da Praça encontra-se a Escola Caetano de Campos (Rua João Guimaraes
Rosa, 111). A Escola Estadual de
Ensino Fundamental e Médio (EEEFM), cuja origem foi na Praça da
República, foi transferida em 2003 para a Rua Pires da Mota, 99, na Aclimação. O
prédio da República, obra do Escritório Ramos de Azevedo e inaugurada em 1894, é
a sede da Secretaria Estadual de Educação, e está passando por obras de restauração.
DAMA FANTASMA
Embora não creia em assombração,
gosto de filmes de ou com fantasmas. Procurando o que ver, chamou-me atenção “A
Dama Fantasma” (1944), com Ella Raines e Franchot Tones, e dirigido por Robert
Siodmak (1900-1973), um cineasta americano de origem alemã que se destacou e
fez sucesso nos anos de 1940 com filmes noir. Três ilustres desconhecidos para
mim, mas eis que o quarto nome da lista foi uma grande surpresa: Aurora
Miranda, a irmã de Carmen Miranda para quem não sabe. Resolvi assistir ao filme
e, sinceramente, não achei lá grande coisa. A história é bem fraca: um homem
casado entra num bar e convida uma estranha, mulher muito bonita e que usa um
chapéu exótico, para beber, mais tarde vão a um show, em que a estrela é Aurora
Miranda.
Ele se despede de desconhecida, que se recusa a dizer o nome e, quando
ele chega apartamento, encontra a esposa morta. Nas investigações que se
seguem, ele é o único suspeito. Levado a julgamento, é condenado à morte. O
resto é infindável. Aurora imita Carmen – nas roupas e nos trejeitos, claro que
faz papel de uma cantora sul-americana, Estela Monteiro, e encaixa em suas
falas algumas palavras em Português.
O ator Elisha Cook Jr. (1903-1995) interpreta um baterista e tem uma
participação muito boa no filme. Ele foi um ator que trabalhou em grandes
filmes (“O Falcão Maltês”, “Big Sleepy”, “Shane”, “O Bebê de Rosamary” entre
tantos outros), quase sempre como um suspeito ou culpado mesmo e quase sempre
morre no fim.
Ilustrações: Cartaz do filme, Aurora Miranda e Elisha Cook Jr.
Filme assistido no CANAL LIVRE.
domingo, 12 de outubro de 2025
HORA DO CAFÉ
sexta-feira, 10 de outubro de 2025
UM FALCÃO NA ESTAÇÃO D. PEDRO II
Toda cidade oferece surpresas, boas ou más, aos seus moradores
e visitantes. São Paulo não é diferente. Hoje, por exemplo, fui resolver um
problema lá pelos lados da Várzea do Carmo e na volta peguei um ônibus até a
Estação D. Pedro II do metrô. Quando subi as escadas notei que a passarinhada
estava toda alvoroçada cantando. É primavera. Ainda dei uma espiada para tentar
localizar os cantores, mas como tinha outro compromisso subi as escadas e no
saguão, apesar de haver pouca gente, notei uma agitação incomum e uma
funcionária parecia perturbada. Os mais tranquilos eram a dupla de PMs junto à
murada de uma abertura. Então baixou a jornalista adormecida e fui perguntar à
funcionária se havia acontecido algo. Ela me contou rapidamente que “a ave
atacou o pombo que está ferido”.
Que ave? Onde?
Ali.
A ave era um falcão, creio eu, que estava empoleirado calmamente
na beira da murada. Pareceu-me um pouco exibido. Virou para um lado, virou para
o outro como se posasse para as inúmeras câmeras focalizadas em sua elegante
figura. Ou simplesmente, avaliasse o ambiente para ver o melhor caminho de
fuga. Quando perguntei como iam tirá-lo de lá, a funcionária disse,
sinceramente, um “não sei” e seguiu em busca de ajuda.
Resolvi pegar o trem para meu compromisso, antes de virar
alvo do falcão. Espero que o final tenha sido feliz para o caçador frustrado.
terça-feira, 7 de outubro de 2025
GAROA BOA
Ontem, calor de 30 graus. Hoje, 18
graus e garoa. Ah! São Paulo da garoa! São Paulo que terra boa! Música de
Alvarenga e Ranchinho, que o papagaio lá em casa sabia cantarolar... Café com
amiga, muita risada e boas histórias. Final de tarde na Praça da República.
Gente para lá e para cá, agasalhada ou à vontade, de guarda-chuva ou como eu,
mãos abanando, apreciando o momento. Hora de voltar para casa e descansar os
pés.
PRIMAVERA
Neste
país tropical, estações do ano são pouco definidas, mas a sibipiruna aqui da
praça está toda enfeitada. O ipê floriu novamente, talvez para abrigar o sabiá
que o escolheu para fazer o ninho. Aliás, com tantas árvores para se proteger
do sol, da chuva e de predadores, ele escolheu uma quase pelada para construir
o ninho. Pelo menos a ninhada terá uma “casa” com jardim. Flores brancas é o
que não falta. Outro sabiá montou residência na árvore que fica embaixo das
minhas janelas – canta o dia inteiro e, como se não bastasse, lá pelas quatro
da manhã decreta alvorada. Substitui um galo aqui das imediações que por muitos
anos saudou as manhãs chovesse ou fizesse sol. Calou-se, levado pelas famílias
que venderam as casas substituídas pelos condomínios sem graça.
Por
aqui há uma grande variedade de passarinhos – rolinhas-caldo-de-feijão, cambacicas (manhã
dessas uma veio me visitar), bem-te-vis e sabiás; há também um bando de periquitos
instalados numa palmeira da esquina. José, taxista do ponto ao lado do prédio, me
garante que também tem um pica-pau na praça, mas nunca consegui vê-lo. Enfim, boa
companhia o ano inteiro.
sexta-feira, 3 de outubro de 2025
POR ONDE ANDEI
Quantos lugares, quantas
cenas, quantos personagens... Setembro foi um mês de muitas andanças.
Fui conhecer a Casa Piauí, que antiga residência de Francisco de Paula Rodrigues Alves (1848-1919), presidente do Brasil no período de 1902-1906. O casarão em estilo eclético, situado na esquina da Rua Piauí com Itacolomi, foi tombado em 2012, passou por restauro e parte do terreno da propriedade abrigará um prédio de alto padrão.
Na Rua Manoel da Nóbrega, os policiais da Cavalaria da PM costumam fazer
uma pausa para descanso das montarias. Cavalos são animais muito bonitos e elegantes.
Paro para uma prosa rápida com um dos policiais – queria saber se os animais têm
nome ou apenas o número de registro tatuado, se eles são dóceis, se a cavalhada
era composta apenas de machos e se os cavaleiros trabalham sempre com o mesmo animal.
Enquanto o policial vai respondendo as perguntas, o cavalo toca a cabeça de
leve no ombro dele – tem grandes olhos castanhos como a pelagem, numa
demonstração (creio eu) de carinho. Sim, os animais têm nome que é registrado, o
comportamento varia de indivíduo para indivíduo – uns são mais impulsivos; a
cavalaria emprega tanto fêmeas como machos – estes são castrados. As fotos foram tiradas em outra ocasião.
Fiz uma
excursão a Caieiras de trem (Linha 7 Rubi) e ônibus pela serra da Mantiqueira que
permanecerá bastante tempo na memória pelo desapontamento final. Uma igreja
medieval, luxuosa, com toques de Sainte-Chapelle, construída em pleno século XXI
escondida numa região pobre. Caieiras é um município situado na sub-região
norte da grande São Paulo. O desenvolvimento da cidade aconteceu com a produção
de cal e daí veio seu nome – caieira é a denominação do forno de cal.
quarta-feira, 1 de outubro de 2025
DIA DO IDOSO
No que
estou pensando? Hoje é dia do idoso. Já faz pouquinho mais de vinte anos que
estou nesse grupo e muito satisfeita por ser baby boomer e ter vivido
uma época de transformações fantásticas. Embora adore bondes, mantenha meu DVD
player em funcionamento e ache o corte Chanel um luxo (como o Nº 5) não
significa que sofra de saudosismo. Espero bater perna por aí ainda por algum
tempo – sem exageros. Nada de centenário.
JORNAL "A TRIBUNA"
Parabéns a alunos, professores e ao diretor Roger Marques Ribeiro da Escola Estadual Parque dos Sonhos, de Cubatão (SP), que recebeu ontem o prêmio World’s Best School Prize, na categoria Superação de adversidades. A premiação é promovida pela T4 Education, uma plataforma global voltada para a melhoraria da educação, oferecendo ferramentas, programas e eventos para professores e escolas.
(JORNAL A TRIBUNA, SANTOS, SP)



















































