sexta-feira, 20 de novembro de 2020

TEMPO DE SOMBRINHAS

Você usa sombrinha para se abrigar do sol e guarda-chuva para se proteger da chuva, mas, pelo menos em São Paulo, dizem que sombrinha é  para mulher e guarda-chuva para homem como tentou se justificar alguém quando me pus a protestar por causa do nome equivocado dado ao objeto em questão. Eu considero mais prático o chapéu que deixa as mãos livres. Nesta sexta-feira primaveril de novembro de um ano completamente atípico, resolvi passear pelas telas impressionistas dos séculos XIX e XX já que não posso flanar pela cidade a meu bel prazer. 

A LEITORA, do pintor americano Frank Weston Benson Pintor (1862-1951).



 
LISA COM A SOMBRINHA NA FLORESTA (1867), óleo sobre tela de Pierre-Auguste Renoir. Museu D’Orsay, Paris. Lise Tréhot era companheira de Renoir. Acima à esquerda;

O PASSEIO, Mulher com sombrinha, 1875, Claude Monet, óleo sobre tela, National Gallery (Washington D.C.).  Acima à direita.


THE CONSERVATORY (1879), de Édouard Manet (1832-1883).  Alte Nationalgalerie, em Berlim.




Retrato de Nadezhda Repina (1900), tela dee Ilya Repin (1844-1930). Tretyakov Gallery, Moscou. Acima à esquerda.

SPRING (Jeanne Demarsy), óleo sobre tela de 1881, de Édouard Manet. The J. Paul Getty Museum, Los Angeles. Acima à direita.

MULHER COM SOMBRINHA BRANCA, de Nadezda Petrovic (1873-1915). Norodini Museum Belgrado.

A SOMBRINHA PERDIDA, obra do pintor inglês Arthur Hacker (1858-1919).

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

SANEAMENTO BÁSICO E BANHEIRO PARA TODOS

Hoje é um dia importante para refletir sobre uma coisa que parece tão banal em nossas vidas, mas que ainda é privilégio: SANEAMENTO BÁSICO. Privilégio, sim, quando 4,2 bilhões de pessoas das 7,8 bilhões que constituem a população mundial vivem sem acesso a um sistema de saneamento seguro. Hoje é o Dia Mundial do Saneamento Básico e do Banheiro, que este ano tem como tema “Saneamento sustentável e mudanças climáticas”.

As mudanças climáticas provocam enchentes e elevação do nível do mar, ameaçando os sistemas de saneamento ‒ desde banheiros, fossas sépticas e até estações de tratamento. A principal ameaça é a danificação e contaminação de poços usados tanto para consumo humano como irrigação agrícola, causando doenças crônicas e mortais como cólera e febre tifoide. O alerta é da Organização Mundial de Saúde cujo objetivo (muito otimista) é fornecer água e estender o saneamento para todos até 2030.

O IAS promove hoje debates sobre o Saneamento com a participação de especialistas, ativistas e líderes da sociedade civil. O evento ocorre durante todo o dia - de 9 h 30 às 17 h, no canal do IAS no YouTube e na página do Facebook. 

https://www.youtube.com/watch?v=E1d5-HO9P6U&ab_channel=Instituto%C3%81guaeSaneamento

(Foto: ONU. Eriam Sheikh, de 7 anos, sai do "banheiro" sobre palafitas. Mumbai, Índia.

HOJE É DIA DA BANDEIRA

 


terça-feira, 17 de novembro de 2020

A ARTE DE WILLIAM FOURNEAUT

Em casa não se assobiava, embora uma das minhas tias fosse perita em assobios. “Não é polido” ‒ dizia minha avó que comandava a família. Até hoje sinto-me desconfortável quando ouço alguém assobiando para chamar outra pessoa. Entretanto, por uma dessas contradições da vida, toda a família adorava a arte de William Fourneaut que se apresentava em shows de televisão na década de 1960. Ele era um assobiador exímio e muito simpático.

        Infelizmente, não encontrei muitas referências sobre ele. Era conhecido como o homem dos sete instrumentos. Dizem que tinha ouvido absoluto, denominação da rara capacidade de reproduzir “uma imagem auditiva interna de qualquer tom musical marcado por um símbolo apropriado”. Foi a principal atração da orquestra de Georges Henry (1919-2017), maestro que comandou o show de inauguração da televisão no Brasil ‒ a TV Tupi (18/9/1950) de São Paulo. De acordo com o maestro "Muitas e muitos lembram de William Fourneaut que foi a principal atração de minha orquestra brasileira dos anos 40 e 50. William era um fenômeno musical. Gordo, era leve como uma pluma quando dançava. Cantava e imitava todos os cantores líricos ou populares. Tocava piano sem ter estudado ‒ e como tocava! Assobiava como se seu assobio fosse um instrumento tocado com a virtuosidade e o bom gosto de um verdadeiro musico”.

Fontes:

http://opontodosmusicos.blogspot.com/2015/01/william-fourneau.
html https://pt.wikipedia.org/wiki/Ouvido_absoluto


segunda-feira, 16 de novembro de 2020

DIA INTERNACIONAL DA TOLERÂNCIA

Eis o que mais está em falta em todo o mundo: tolerância. Tolerância social - aceitação de pessoas ou grupos que se diferenciam por seus valores morais. Tolerância racial ‒ aceitação de pessoas de diferenças raças. Tolerância religiosa ‒ respeito às diferentes confissões de fé. Tolerância política ‒ aceitação das diferentes opções políticas de cada um. O conceito remete à Declaração Universal dos Direitos Humanos que estabelece que todas as pessoas têm direito à liberdade de pensamento, consciência e religião (Artigo 18) e todos têm direito à liberdade de opinião e expressão (Artigo 19).  A data foi instituída pela ONU e se refere à assinatura de constituição da UNESCO: em 16 de novembro de 1945.

Sugestão de leitura: “Tratado sobre a tolerância”, de Voltaire (1694-1778). São Paulo: Edipro, 2017. O livro foi publicado em 1763 e Voltaire pôs nele todo seu talento em defesa da justiça e contra a barbárie. Vale para os dias atuais.


domingo, 15 de novembro de 2020

LEMBRANÇAS DO RIO DE JANEIRO

Era 15 de novembro e também um domingo. Não tão distante: 2015. O antigo Distrito Federal ainda dormia e eu perambulava pela Praça da República, onde a banda militar homenageava a data. O fato histórico ocorreu há 131 anos no Campo de Santana, que hoje divide o espaço com a Praça da República. 



A Proclamação da República (1893), óleo sobre tela de Benedito Calixto Acervo: Centro Cultural São Paulo.

A proclamação da República, óleo sobre tela de Oscar Pereira da Silva. Acervo: Museu Casa de Benjamin Constant, Rio de Janeiro.

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

CONTOS E RECANTOS DO BRASIL


Novo livro do amigo de longa data
Silvestre Silva. Repórter fotográfico, um artista de fina sensibilidade que nos últimos anos focaliza suas lentes na natureza. Capturou imagens maravilhosas de árvores, flores e frutas nativas pelo Brasil afora, disponíveis em vários livros; mas agora ele nos brinda com "Contos e Recantos do Brasil ‒ relatos de um fotógrafo aventureiro por um Brasil cheio de histórias incríveis" (Editora Europa). Já encomendei. Tenho certeza de que deve ser muito bom, afinal, ele sempre soube contar histórias com muito sabor.



quinta-feira, 12 de novembro de 2020

SOBRE ANJOS E UMA PRINCESA

Ela foi uma das mais belas atrizes americanas e acabou se casando com um príncipe, bem no estilo conto de fadas. Aquela parte do “foram felizes para sempre” fica a critério de cada um dos fãs que se deu ao trabalho de ler sua biografia. É muito provável que a época mais divertida tenha sido aquela que trabalhou como modelo e fez teatro e cinema. Grace Kelly nasceu em 12 de novembro de 1929 na Filadélfia em família rica e influente. Dos onze filmes que estrelou três foram sob a direção de Hitchcock. Ela abandonou o cinema para se casar em abril de 1956 com o príncipe Rainier III (1923-2005), de Mônaco. Grace Kelly morreu em consequência de um acidente de carro em setembro de 1982 em Mônaco.  

         O último trabalho como atriz foi “Alta Sociedade” em 1956, dirigido por Charles Walters (1911-1982). O filme reúne a nata da música americana: Louis Armstrong, Frank Sinatra e Bing Crosby e ainda tem canções de Cole Porter (1891-1964). Mais para quê? 


A POESIA DE AUGUSTO DOS ANJOS

Quem relaciona poesia a romance, imagens elegantes e sentimentos nobres, precisa conhecer o paraibano Augusto de Carvalho Rodrigues da Silva ou simplesmente Augusto dos Anjos (1884-1914). Não sei a que escola literária pertence, mas me parece realista, pois seus versos embalam palavras pouco comuns em poesia e imagens fortes para espíritos que buscam enlevo e delicadeza. Augusto dos Anjos formou-se em Direito em Recife e foi professor na escola em que estudou; mais tarde mudou com a família para Minas, onde morreu de pneumonia no dia 12 de novembro de 1914. Publicou apenas um livro - “EU” (1912). Escolhi dois poemas em homenagem ao grande poeta brasileiro.

 PSICOLOGIA DE UM VENCIDO

 Eu, filho do carbono e do amoníaco,

Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

 A LÁGRIMA

– Faça-me o obséquio de trazer reunidos
Cloreto de sódio, água e albumina…
Ah! Basta isto, porque isto é que origina
A lágrima de todos os vencidos!

-“A farmacologia e a medicina
Com a relatividade dos sentidos
Desconhecem os mil desconhecidos
Segredos dessa secreção divina”

– O farmacêutico me obtemperou. –
Vem-me então à lembrança o pai Yoyô
Na ânsia física da última eficácia…

E logo a lágrima em meus olhos cai.
Ah! Vale mais lembrar-me eu de meu Pai
Do que todas as drogas da farmácia!

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

HOJE TEM FEIJOADA

Quarta-feira é dia de feijoada. Pelo menos em São Paulo todo restaurante que se preza oferece à distinta clientela feijoada como prato principal. Eu gosto demais do sabor da feijoada - adoro feijão preto, mas só como a carne seca e o paio; houve época em que me deliciava com a costela de porco, mas foram outros tempos. Que tal uma apreciar uma feijoada poética, à moda de Vinicius de Moraes (1913-1980)? Em casa nunca temperamos o feijão com tomate e louro como o poeta receita. Enfim, vamos lá.

 FEIJOADA À MINHA MODA 

Rio de Janeiro, 1962

Amiga Helena Sangirardi 
Conforme um dia eu prometi 
Onde, confesso que esqueci 
E embora - perdoe - tão tarde 

(Melhor do que nunca!) este poeta 
Segundo manda a boa ética 
Envia-lhe a receita (poética) 
De sua feijoada completa. 

Em atenção ao adiantado 
Da hora em que abrimos o olho 
O feijão deve, já catado 
Nos esperar, feliz, de molho. 

E a cozinheira, por respeito 
À nossa mestria na arte 
Já deve ter tacado peito 
E preparado e posto à parte 

Os elementos componentes 
De um saboroso refogado 
Tais: cebolas, tomates, dentes 
De alho - e o que mais for azado 

Tudo picado desde cedo 
De feição a sempre evitar 
Qualquer contato mais... vulgar 
Às nossas nobres mãos de aedo 

Enquanto nós, a dar uns toques 
No que não nos seja a contento 
Vigiaremos o cozimento 
Tomando o nosso uísque on the rocks. 

Uma vez cozido o feijão 
(Umas quatro horas, fogo médio) 
Nós, bocejando o nosso tédio 
Nos chegaremos ao fogão 

E em elegante curvatura: 
Um pé adiante e o braço às costas 
Provaremos a rica negrura 
Por onde devem boiar postas 

De carne-seca suculenta 
Gordos paios, nédio toucinho 
(Nunca orelhas de bacorinho 
Que a tornam em excesso opulenta!) 

E - atenção! - segredo modesto 
Mas meu, no tocante à feijoada: 
Uma língua fresca pelada 
Posta a cozer com todo o resto. 

Feito o quê, retire-se caroço 
Bastante, que bem amassado 
Junta-se ao belo refogado 
De modo a ter-se um molho grosso 

Que vai de volta ao caldeirão 
No qual o poeta, em bom agouro 
Deve esparzir folhas de louro 
Com um gesto clássico e pagão. 

Inútil dizer que, entrementes 
Em chama à parte desta liça 
Devem fritar, todas contentes 
Lindas rodelas de linguiça 

Enquanto ao lado, em fogo brando 
Desmilinguindo-se de gozo 
Deve também se estar fritando 
O torresminho delicioso 

Em cuja gordura, de resto 
(Melhor gordura nunca houve!) 
Deve depois frigir a couve 
Picada, em fogo alegre e presto. 

Uma farofa? - tem seus dias... 
Porém que seja na manteiga! 
A laranja gelada, em fatias 
(Seleta ou da Bahia) - e chega. 

Só na última cozedura 
Para levar à mesa, deixa-se 
Cair um pouco da gordura 
Da lingüiça na iguaria - e mexa-se. 

Que prazer mais um corpo pede 
Após comido um tal feijão? 
- Evidentemente uma rede 
E um gato para passar a mão... 

Dever cumprido. Nunca é vã 
A palavra de um poeta... - jamais! 
Abraça-a, em Brillat-Savarin 
O seu Vinicius de Moraes. 


 "O homem de sete cores" (1916), de Anita Malfatti. 

terça-feira, 10 de novembro de 2020

A PANDEMIA NÃO TERMINOU

Sexta-feira, na volta das miniférias, atravessei a cidade para chegar ao meu reduto e fiquei pasma ao observar que tudo parecia ter voltado ao normal: trânsito intenso que obrigou o motorista a mudar de caminho várias vezes, passando da Marginal para lugares como a Barra Funda, o Minhocão e o Centro, tudo muito movimentado. Será que ninguém mais se importa com o coronavírus? Muita gente sem máscara. A pandemia está longe de terminar. A segunda onda já ameaça a Europa. Muito preocupante. Domingo tive que ir a um supermercado da Vila Mariana e peguei o metrô, apenas uma estação, e fiquei surpresa por ver que num dia ensolarado e quente, a estação estava vazia, como em abril... A população do bairro em que moro parece mais esclarecida. Embora o movimento tenha aumentado, está longe de parecer com os velhos tempos...

  Plataforma de embarque: estação Vila Mariana, 8 de novembro, 11 horas da manhã. 


segunda-feira, 9 de novembro de 2020

A IMPORTÂNCIA E A BELEZA DA CIÊNCIA

“O mundo assombrado pelos demônios - A ciência vista como uma vela no escuro” é um dos meus livros preferidos porque em uma linguagem simples e agradável mostra a importância da ciência na vida das pessoas e das nações; e aborda temas polêmicos com sensibilidade. O autor é CARL SAGAN (1934-1936), físico que tornou a ciência acessível aos leigos, assim como Stephen Hawking (1942-2018) e Michio Kaku (1947). 

Sagan formou-se pela Universidade de Chicago em 1954 em Artes e no ano seguinte em ciências. Tornou-se professor de astronomia e ciências espaciais na Cornell University e cientista visitante no Laboratório de Propulsão a Jato do Instituto de Tecnologia da Califórnia; foi agraciado com vários prêmios pelos seus trabalhos na divulgação da ciência. Entre suas obras destacam-se “Cosmos” (1980), “Os Dragões do Eden” (1978), “Bilhões e Bilhões” (1997) e “Pálido Ponto Azul” (1994). Sagan nasceu em Nova York em 9 de novembro. 

“Descobrir que o Universo tem cerca de 8 bilhões a 15 bilhões de anos, em vez de 6 a 12 mil anos*, aumenta a nossa apreciação de sua extensão e grandiosidade; nutrir a noção de que somos uma combinação especialmente complexa de átomos, em vez de um sopro da divindade, pelo menos intensifica o nosso respeito pelos átomos; descobrir, como agora parece provável, que o nosso planeta é um dentre bilhões de outros mundos na galáxia da Via Láctea, e que a nossa galáxia é uma entre bilhões de outras, expande majestosamente a arena do que é possível; saber que nossos antepassados eram também os ancestrais dos macacos nos une ao restante da vida e torna possíveis reflexões importantes ‒ ainda que por vezes tristes ‒ sobre a natureza humana.

 

*’Nenhuma pessoa religiosa inteligente acredita nisso. Isso é coisa do tempo do onça’, escreve um dos consultores deste livro. Mas muitos ‘criacionistas científicos’ não só acreditam, como estão fazendo esforços cada vez mais agressivos e bem sucedidos para que isso seja ensinado nas escolas, museus, zoológicos e livros didáticos. Por quê Porque a soma das gerações, as idades dos patriarcas e de outras figuras da Bíblia, chega a esse número, e a Bíblia não ‘erra nunca’.” (Excerto de “O mundo assombrado pelos demônios - A ciência vista como uma vela no escuro”. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.)

sábado, 7 de novembro de 2020

LIBERDADE PROVISÓRIA E BOAS LEMBRANÇAS

Depois de quase oito meses restrita ao bairro e duas escapadas ‒ uma até a Praça João Mendes para buscar um livro e outra até o início da Avenida Paulista para aproveitar um dia de sol ‒ fui ver o mar a convite de uma amiga desesperada por liberdade. Assim, descemos a serra até São Sebastião (SP) para nos refugiarmos alguns dias na praia de Juqueí a 150 km de Sampa. Naturalmente, levamos máscaras, álcool em gel e mantivemos distância de todos. 

        Por três dias a vida pareceu quase normal. Céu azul (com uma tempestade passageira), mar azul e convidativo, sol agradável de outono e aquela areia limpa e branca para afundar os pés... Três quilômetros de praia para percorrer sem pressa, ouvindo as ondas chegando como a dar boas-vindas... Do outro lado o maciço verde da Serra do Mar (Parque Estadual da Serra do Mar). Juqueí, que significa “rio do espinheiro que dorme” em Tupi, fica entre os rios Una e Juqueí.

        O recreio terminou. E o retorno a São Paulo incluiu uma breve visão de Bertioga e um trecho da rodovia Mogi-Bertioga (SP-98, Rodovia Dom Paulo Rolim Loureiro), que trouxe lembranças de um passeio exploratório da estrada com dois amigos antes ainda da inauguração ‒ 1982. No topo da serra, impedidos de descer pela via que recebia os retoques finais, fomos por trilha até Bertioga. Uma aventura e tanto!






MOGI-BERTIOGA A PÉ COM AMIGOS: 1982.



quarta-feira, 28 de outubro de 2020

ELA TEM 134 ANOS E É UM SUCESSO

Em 1776 o inglês Thomas Paine (1737-1809), um dos fundadores  dos Estados Unidos, disse que o Novo Mundo era “o refúgio para os amantes perseguidos da liberdade civil e religiosa”; porém, foi um francês em 1782 quem acendeu “a vela da esperança que cruzaria oceanos e continentes para iluminar milhões”, como belamente escreveu o historiador Simon Shama sobre J. Hector St. John de Crèvecoeur* (1735-1813), autor do livro “Cartas de um fazendeiro americano”. Na obra, Crèvecoeur descreve uma sociedade perfeita: ”Aqui o homem é livre como deve ser.”

        Em resumo a América há muito tempo tornou-se o sonho dourado dos insatisfeitos do mundo. E então em 1886 os Estados Unidos ganharam de presente da França uma estátua imensa ‒ uma mulher empunhando uma tocha na mão direita enquanto segura na esquerda uma tábua com a data da Declaração de Independência americana (4/7/1776). “A liberdade iluminando o mundo” ‒ este o nome da obra do escultor Frédéric Auguste Bartholdi (1834-1904); porém há muito tempo ela é chamada simplesmente de Liberdade. O local escolhido para a estátua não poderia ter sido mais estratégico: uma ilhota na entrada do porto de Nova York.

A inauguração aconteceu em 28 de outubro de 1886 com uma grande festa. O famoso poema “The New Colossus” é de Emma Lazarus (1849-1887), poeta, escritora e jornalista, foi escrito em 1883 para levantar fundos para a construção do pedestal da estátua. Emma não foi à festa e a placa de bronze com os versos só foi colocada no pedestal em 1912.   

Enfim, 134 anos depois ela atrai multidões de turistas do mundo todo que embarcam numa lancha para ir conhecer de perto ou de longe a velha senhora. Apesar de todos os problemas que a sociedade americana enfrenta, ela ainda é 

O Novo Colosso


Não como o gigante de bronze da antiga fama,

Cujos membros subjugam os campos de baixo de si;

Aqui cintilando aos portões do crepúsculo, vê-se

Uma dama robusta com um farol cuja flama

É o relâmpago aprisionado, e ela se chama

Mãe dos Exilados. Da mão que, meiga, se estende

Brilham boas-vindas; o seu olhar compreende

O porto que as nobres cidades gêmeas defendem.

"Segurai, antigas terras, vossa pompa!" diz ela

Com lábios quietos. "Dai-me vossos pobres fatigados,

As multidões que por só respirarem livres zelam,

Resíduos miseráveis dos caminhos fervilhados.

Mandai-os a mim, desabrigados, que a minha vela

Os guiará, calmos, através dos portões dourados!”

 (Tradução: Carl Youngblood, Wikipédia.)

A estátua da Liberdade mede 46m de altura, o pedestal tem 46,90m. Foi dourada, mas com o tempo o cobre ganhou um tom verde-azulado. Se alguém estiver muito animado a explorar o interior da estátua é bom saber que são 389 degraus do topo do pedestal até a tocha.

Fotos: Hilda Araújo, setembro de 2013.

* J. Hector St. John de Crèvecoeur ou Michel Guillaume Jean de Crèvecœur teve uma vida extraordinária. 







terça-feira, 27 de outubro de 2020

"O DONO DA CALÇADA"

O encontro de Nelson Antônio da Silva ou Nelson do Cavaquinho (1911-1986) com Nelson Gonçalves (1919-1998). E precisa mais?  


https://www.facebook.com/watch/?v=4006709992895765

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

ENCONTRO COM MILTON NASCIMENTO

“Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero” - Milton Nascimento. 

Estação da Luz, São Paulo, talvez 2016. Foto: Hilda Araújo.



Museu da Imigração do Estado de São Paulo, Mooca, 2007.Foto: Hilda Araújo.

domingo, 25 de outubro de 2020

PABLO PICASSO

Não precisa de apresentações. Basta lembrar que nasceu há 139 anos em Málaga, Espanha. O retrato é de Dora Maar (1907-1997), poeta, fotógrafa e pintora francesa, na época, amante de Picasso. 

"Mulher chorando" (1937), óleo sobre tela. Tate Galery. 

Pablo Picasso, 1962.

E um poema de VLADIMIR MAIAKOVSKI (1893-1930) que combina com Picasso.

Brilhar sempre,
brilhar em todo lugar
até os últimos dias do guerreiro
brilhar –
e sem desculpa nenhuma!
Eis o meu lema –
e do sol. 




sexta-feira, 23 de outubro de 2020

A IDA AO PARAÍSO

Manhã de sol, ideal para uma expedição além do bairro, onde passei os últimos sete meses. Decidi caminhar até a Avenida Paulista devidamente protegida. No caminho, a maioria das pessoas de máscara, mas há muitos rebeldes. Até olhei vitrines, coisa que não é do meu feitio. Uma ou duas pessoas nos pontos de ônibus, bem diferente do que costuma ser normalmente, mas agora nada é normal. No Paraíso, um novo empreendimento imobiliário ao lado da estação do metrô. Que bom rever este cenário com o Obelisco ao fundo.  Os paredões da Avenida Vinte e Três de Maio estão floridos... Muito bonitos. Na Avenida Bernardino de Campos, uma placa chama atenção pela prioridade dada aos produtos: cervejas no topo! A Igreja Santa Generosa está com as portas escancaradas, mas vazia. Na Praça Oswaldo Cruz, o índio continua procurando no lago a lança que empunhou até que um vândalo a levou há muito tempo... O jardim da Casa das Rosas também está florido; o Centro Cultural Itaú funciona, mas o SESC mantém apenas algumas atividades pré-agendadas. Com o sol a pino e a temperatura mais alta, melhor retornar. Há uma nova padaria na Bernardino de Campos. Muito convidativa. “Abrimos há oito dias. Venha conhecer” ‒ diz o segurança entusiasmado com a curiosidade da possível freguesa. Prometo voltar em breve. Retomo o caminho de casa, agora uma descida suave. E cheia de sombra. 


ANIVERSÁRIO DE DOIS ARTISTAS MINEIROS

Hoje comemora-se o centenário de nascimento da artista plástica mineira Lygia Pimentel Lins ou LYGIA CLARK (1920-1988) e os 80 anos de Edson Arantes do Nascimento, PELÉ. Lygia Clark nasceu em Belo Horizonte, numa família de juristas, mas foi a arte que a conquistou: como pintora e escultora ganhou prestígio internacional. Ela fez parte do movimento do Neoconcreto surgido no Rio de Janeiro em 1959. Suas obras caracterizam-se pela utilização de objetos tridimensionais; por promover a participação do público em suas obras; usar os mais diversos materiais (madeira, metal flexível e até mesmo borracha). Em 2013 a obra “Contra Relevo” foi arremata da por US$ 2,2 milhões em leilão em Nova York.

PELÉ não precisa de apresentação. Sua arte apaixonou o mundo. Edson Arantes do Nascimento nasceu em Três Corações em uma família pobre, que mais tarde mudou para Bauru (SP). O talento precoce lhe proporcionou a ida para o Santos F. C. em 1956 e daí para a seleção brasileira e o campeonato mundial de futebol em 1958. O resto é história. Quem o viu jogar, jamais o esquecerá.

Pelé com Gilmar dos Santos Neves na Copa do Mundo de 1958, na Suécia.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

A MARAVILHOSA LUCERO TENA

LUCERO TENA (1938) é o nome artístico da María de la Luz Tena Álvarez. Espanhola com nacionalidade mexicana, Lucero nasceu em família de artistas; estudou bale clássico e dança espanhola; teve sua própria companhia de dança. Quando parou de dançar, tornou-se concertista de castanholas, instrumento que ela já dominava, inclusive interpretando obras eruditas. Em 1966 o compositor Joaquín Rodrigues (1901-1999) dedicou-lhe a obra “Dos Dances”. 

As castanholas de orquestras são diferentes: os pratos de madeiras são articulados em uma vareta: o músico agira a vareta ou golpeia os pratos contra a outra mão ou contra o joelho.