| Os pracinhas de Alfredo Ceschiatt. |
| Pistoia, na Toscana: Via delle Sei Arcole, 51100. |
| Os pracinhas de Alfredo Ceschiatt. |
| Pistoia, na Toscana: Via delle Sei Arcole, 51100. |
| São Paulo, 21 de fevereiro de 2017. |
O tenente-coronel Emilio Rodrigues
Franklin, comandante de um dos batalhões do Regimento Sampaio, pegou o
telefone de campanha e deu a notícia aos generais Mascarenhas de Moraes e
Cordeiro de Farias: “Estou no cume de Monte Castelo.” Eram 17h50 do dia 21 de
fevereiro de 1945. Um dia histórico para não ser esquecido pelos
brasileiros. Há 72 anos os soldados da Força Expedicionária Brasileira – FEB
conquistaram uma das mais importantes vitórias da II Guerra Mundial, na Itália:
a tomada de Monte Castelo, nos Apeninos, entre a Toscana e a Emilia.
Desde novembro de 1944 os aliados, já com a participação da FEB, vinham
tentando remover os alemães daquele ponto estratégico para a evolução da
campanha da Itália.
Essa vitória teve uma conotação
especial para os brasileiros, que lutavam em terra estranha em condições
completamente novas de clima, topografia e mesmo culturais. A trajetória da
Força Expedicionária Brasileira foi relatada por cinco correspondentes de
guerra: Joel Silveira, dos Diários Associados, Rubem Braga do Diário
Carioca, Egydio Squeff, de O Globo, Raul Brandão do Correio
da Manhã e Thassilo Mitke da Agência Nacional. Não foi a
cobertura que eles desejavam, pois se não combatiam na guerra, enfrentavam uma
brava luta contra duas censuras: a militar e a do governo brasileiro.
A 1ª. Divisão de Infantaria
Expedicionária da FEB teve seis escalões e foi constituída de 25.334 homens. O
primeiro escalão partiu para a Itália em 2 de julho de 1944 com 5.075 homens e
desembarcou em Nápoles em 16 de julho. O segundo e terceiro escalões deixaram o
Rio em setembro com 10.375 praças. O quarto escalão teve 4.691 soldados e o
quinto, 5.082; o sexto escalão, com pessoal de apoio (médicos, enfermeiros
etc.), compunha-se de 111 expedicionários. O transporte dos combatentes foi
feito a bordo dos navios americanos General Mann e General
Meigs; exceto o sexto escalão que foi de avião.
Todos os Estados brasileiros
estavam representados no contingente que foi para a Itália. A FEB era formada
pelo 1º Regimento de Infantaria – Regimento Sampaio, do Rio de Janeiro; 6º RI
de Caçapava (SP); 11º RI de São João Del Rey, de Minas; quatro grupos de
artilharia do 9º Batalhão de Engenharia de Aquidauana (Mato Grosso); um
esquadrão de reconhecimento (Cavalaria) e 1º Batalhão de Saúde (Valença, RJ),
além das chamadas tropas especiais e de corpos auxiliares, o que incluía 67
enfermeiras. A FEB foi incorporada ao V Exército americano em 5 de agosto de
1944 e considerada pronta para batalha em 10 de setembro.
Desde a mobilização em setembro de 1943
até o embarque propriamente decorreu um período de inação pelos motivos mais
variados: dúvidas que assolavam o governo, as condições de saúde do pessoal
arregimentado, treinamento de pessoal no exterior, a falta de preparo das
tropas, e da infraestrutura necessária (esta seria fornecida pelos americanos).
Esse período de inércia fez com que a
FEB virasse motivo de piada entre alguns setores da sociedade. A mais
sarcástica dizia que: “é mais fácil uma cobrar fumar, do que FEB embarcar”.
Quando, enfim, foi dada a ordem de partir, a resposta às piadas não se fez
esperar. O lema dos expedicionários passou a ser “A cobra vai fumar”. A adoção
oficial do emblema com a cobra negra, olhos chispantes e cachimbo fumarento à
boca só aconteceu na Itália, durante encontro do ministro da Guerra, general
Eurico Gaspar Dutra, com o general Mark Clark, comandante do V Exército.
A participação da FEB na II Guerra
durou sete meses e 19 dias; nesse período morreram 443 homens entre soldados e
oficiais e cerca de três mil foram feridos em batalha. São Paulo foi o Estado
com maior número de mortos: 92. O Maranhão não teve nenhuma perda. As forças
brasileiras fizeram 20.573 prisioneiros – entre eles dois generais, o alemão
Otto Fretter e o italiano Mario Carlonio, comandante dos restos da divisão de
Versagliere.
Quando Getúlio determinou a convocação
e abriu o voluntariado, certamente deveria saber que estava assinando o começo
do fim do Estado Novo. Lutar pela democracia no mundo ao lado dos aliados
parecia, no mínimo, incoerente. Ditador há 12 anos, período em que namorou
descaradamente o fascismo e o nazismo, ele cedeu aos apelos do presidente
Franklin D. Roosevelt e atendeu às exigências da população brasileira de reação
aos ataques covardes dos alemães aos navios mercantes nacionais nos quais
morreram 1.081 brasileiros do que em solo italiano.
A vitória dos Aliados – que nenhuma
censura interna podia esconder – foram um incentivo para que os brasileiros
demonstrassem sua insatisfação com o Estado Novo, em manifestações públicas em
prol da democracia cada vez mais expressivas. Os feitos da FEB tiveram um papel
importante nessa luta democrática sem armas, que os livros de história não
relatam – tão importante que Getúlio apressou-se em desmobilizar o contingente
antes mesmo que os pracinhas desembarcassem no Rio. A FEB era a prova real de
que o Estado Novo não podia continuar. Em 29 de outubro de 1945, José Linhares
assumiu provisoriamente a presidência da República e o general Gaspar Dutra foi
eleito presidente nas eleições de 2 de dezembro do mesmo ano, assumindo no
último dia de 1945, data em que se instalou também a Assembleia Constituinte.

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"Arlequin" (1918), obra do norte-americano Clarence K. Chatterton (1880-1973).
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Cresci ouvindo rádio que até hoje continua o
companheiro de todas as horas, que me distrai e informa sem me prender numa
poltrona. Woody Allen fez uma belíssima homenagem a ele no filme “A Era do
Rádio” (1987) que me emociona muito sempre que revejo. Quem inventou o rádio?
Uma pergunta que suscita polêmica. Várias pessoas pesquisavam a transmissão de
som por meio das ondas de rádio em várias partes do mundo. Embora haja
indicações de que em 1893 o padre brasileiro Roberto Landell de Moura
(1861-1928) tenha feito as primeiras transmissões entre o bairro de Medianeira
e o Morro Santa Teresa em Porto Alegre, os registros são de 3 de junho de 1900.
O italiano Guglielmo Marconi (1874-1937) tem o crédito de ser o criador do
rádio. O sérvio Nikola Tesla (1856-1943) também tem seu nome ligado às
pesquisas de transmissão do som pelas ondas do rádio.![]() |
Polícia-inglesa-do-sul
(Sturnella
superciliaris).
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As praias brancas se debruçam preguiçosas no mar. As
gaivotas cortam o céu acompanhando as escunas que deslizam em direção ao
atracadouro. O visitante aprecia toda essa beleza sob a sombra convidativa das
amendoeiras da praia e das palmeiras da Ilha Anchieta (Ubatuba), no Litoral
Norte de São Paulo.
Este cenário maravilhoso já conhecido pelo Padre Anchieta
no século XVI, esconde um passado de horrores que culminou com uma chacina há 65
anos. Ela é a Ilha dos Porcos, que aparece nos antigos livros de história e
geografia, e ainda tinha esse nome em 1902, quando as autoridades (presidente
Afonso Pena e governador Jorge Tibiriçá) acharam que aquele era o local ideal
para abrigar um instituto disciplinar e uma colônia correcional.
O primeiro era destinado à “formação de hábitos de
trabalho e educação de menores abandonados, além de oferecer instrução
literária, profissional, industrial e agrícola” e a segunda, à “correção pelo
trabalho dos vadios e vagabundos”. (Só faltou a placa: o trabalho liberta.) Assim, os moradores foram retirados da Ilha,
que tem 828 hectares de Mata Atlântica e fica a 8 km da costa. As construções
da antiga vila foram aproveitadas e o estado mandou fazer o conjunto do
instituto, que é atribuído ao escritório do arquiteto Ramos de Azevedo.
Em 1904, o complexo já estava funcionando e não foi preciso mais do que uma década para se perceber que a ideia não tinha sido uma das melhores e aos poucos os presos foram sendo transferidos para Taubaté para desativação do conjunto. Entretanto, em 1928, as autoridades se lembraram da ilha e, no início dos anos da década de 1930, reativaram as instalações agora como presídio político.
O nome da ilha foi mudado por Getulio Vargas, em 1934, quando se comemorou o quarto centenário da morte do Padre Anchieta, que certamente não ficou nada feliz com a cortesia. O perfil do presídio por essa época já havia mudado novamente. Os presos políticos deram lugar aos condenados mais perigosos. Em 1946, recebeu os japoneses do Xindô-Remei – que chegaram a promover um motim, como relata Fernando Morais, no livro Corações Sujos (Companhia das Letras/2001).
Em 1952, segundo o noticiário dos jornais, havia 450 presos cumprindo pena – entre os quais o famoso Sete Dedos. Nesse ano, explodiu a rebelião, que resultou na fuga de 107 presidiários e na morte de presos e vários funcionários e membros da guarda. Alguns presos conseguiram chegar ao continente e aterrorizaram as populações do litoral. O episodio sangrento decretou o fim do presídio, fechado, definitivamente, em 1954.
Com o movimento ambientalista a partir da Conferência de Estocolmo, começou a despontar a consciência ecológica na sociedade brasileira e em 1977 a Ilha foi transformada em Parque Estadual e oito anos depois foi tombada pela Secretaria de Cultura e mais tarde passou a ser administrada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, através do Instituto Florestal.
Hoje, o visitante desfruta da beleza, percorre trilhas e,
com sorte, pode observar vários animais nativos, principalmente bugios. Um dos
acessos ao Parque Estadual Ilha Anchieta é o atracadouro do Instituto
Florestal, em Ubatuba, no Saco da Ribeira. O trajeto de 4,3 milhas náuticas
varia entre 30 e 50 minutos.
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| Foto: site da SMA/SP. Tony Fleury. |
| Oxford: gaivota entretida com comida – lixo deixado por turistas. Foto: Hilda Araújo, 12/06/2015. |
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Quando ela pôs o chapéu
Como se tudo acabasse,
Sofri de não haver véu
Que inda um pouco a demorasse.
"Quadras ao gosto popular", Fernando Pessoa.
"Chapéu azul", 1922: Tarsila do Amaral (1886-1973). |
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| Tumba do faraó Tuntakhamon, 1332-1322 a.C. |
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| Mitrídates VI, rei do Ponto, 134-63 a.C. |
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| Afresco de Brancacci, Florença. |
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| Tela de Bert Morisot, 1889. |
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| Rainha Elizabeth II, que usa chapéus com muita classe. |