Em 2025 expandi minhas caminhadas para outras regiões da cidade, sem abandonar o Centro Histórico.
domingo, 4 de janeiro de 2026
POR AQUI, POR ALI...
sábado, 3 de janeiro de 2026
ZIRALDO
"Dez anos de PASQUIM - Almanaque do Ziraldo". Julho de 1979, Editora CODECRI, Editores Jaguar e Ziraldo; Editor Itinerante, Ivan Lessa.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
QUEBRA-CABEÇA
Nessa selva de concreto, um quebra-cabeça: que tal encontrar os prédios da Secretaria da Fazenda do Estado, a antiga sede do Jornal O Estado de S. Paulo, o Edifício Matarazzo (Prefeitura), Catedral da Sé, o prédio da Justiça Federal, Edifício Viadutos, mural da Tomie Ohtake (um pedacinho) e Palácio Anchieta (Câmara). Foto: 2020.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
PARQUE "SAMPAIO MOREIRA"
No penúltimo dia de 2025, quarta-feira passada, fui
ao Parque Municipal do Tatuapé “Sampaio Moreira”, situado na quadra entre as
Ruas Monte Serrat, Apucarana, Tijuco Preto e Mello Freire. Pequeno, mas muito
bem aproveitado e cuidado. Além de uma agradável área verde e quadras esportivas,
aparelhos para atividades físicas, no parque funcionam uma unidade do Centro
Municipal de Educação Infantil (CEMEI – que atende crianças até cinco anos e onze
meses; o Centro de Educação Unificado “Maria Carolina de Jesus”, que oferece
atividades para todas as idades; e um posto do Centro de Integração de Educação
e Saúde, entidade sem fins lucrativos de atendimento médico especializado –
consultas, exames e cirurgias – para populações vulneráveis e usuários do SUS.
A Prefeitura
pouco informa sobre a área, que fica a uma quadra da estação Carrão do metrô. O
nome do parque é uma homenagem ao empresário José de Sampaio Moreira (1866-1943),
que construiu o primeiro arranha-céu de São Paulo (treze pavimentos, mais porão
e terraço) na Rua Líbero Badaró, 346 (Centro Histórico), na década de 1920. O
arquiteto foi Christiano Stoclker.
No Parque funciona também o Grupo MADA – Mulheres que Amam Demais Anônimas, que ajuda mulheres que desejam evitar relacionamentos destrutivos. A entidade desenvolve um programa de doze passos e doze tradições de Alcóolicos Anônimos .
https://grupomadabrasil.com.br/
Parque Sampaio Moreira: Rua Monte Serrat, 230. Estação Carrão do Metrô, linha 3 Vermelha.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
2025 CHEGANDO AO FIM
Depois
de uma terça-feira tórrida, muitas pessoas aproveitaram a noite agradável com
brisa refrescante e de Lua crescente para um passeio pelo Centro Histórico. Do
Vale do Anhangabaú, com iluminação festiva, os cartões postais da cidade se
destacam e o cenário é muito bonito entre os dois viadutos – do Chá e de Santa
Ifigênia. De um lado o edifício Matarazzo, sede da Prefeitura, ao fundo o
Palácio Anchieta faiscante, sede da Câmara Municipal; bonito mesmo é o antigo
prédio do Banespa, atual Farol Santander, todo iluminado; mais simples, também
enfeitado, o imponente Martinelli. O prédio centenário dos Correios serve de
tela para o vídeo festivo de final de ano e muitos param para assistir. Os
skatistas no outro extremo do Vale se exibem para uma plateia atenta.
O público é heterogêneo. Casais de todas as idades. Famílias com crianças brincando. Um pai diz ao garoto (deve ter uns seis anos) que pedala a bicicletinha que as pessoas aproveitam as férias. E o menino quer saber o que é férias. O pai se atrapalha, mas consegue explicar. Um grupo de patinadoras conversa (parecem jogadoras de roller derby), enquanto descansam; uma garotinha dá cambalhotas para o pai que a incentiva; há ainda os adultos que passeiam de bicicleta. O prédio centenário dos Correios serve de tela para o vídeo festivo de final de ano e muitos param para assistir. Os skatistas no outro extremo do Vale se exibem para uma plateia atenta.
Na esquina mais famosa de São Paulo, Bar da Brahma lotado. E na calçada da Avenida Ipiranga, uma homenagem a Adoniran Barbosa – o trem iluminado, bem ao lado do banquinho de onde “Paulo Vanzolini observa” o movimento. Vanzolini raramente fica só. Há sempre alguém ao seu lado e esta foi a vez de um senhor que pegou no sono... Qual o problema? O trem das onze estava ali mesmo.
Na verdade, comecei a caminhada pela Praça da República, também bem movimentada. Cortei caminho pela Rua Vinte e Quatro de Maio, onde as lojas começavam a fechar e cheguei à Praça Ramos onde, enfim, consegui ver a projeção do vídeo de Natal no prédio do Teatro Municipal. Foi ali onde desci as escadarias para o Vale...Ah! já contei essa história...
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
VINHO SEDUTOR
“Daqui vejo as janelas dos vizinhos da frente.
Estão escancaradas. Faz muito calor, é verão. Estou com meu binóculo de
observar pássaros... Olha só!, vejo uma silhueta conhecida. Será? O perfil é
dele, como se estivesse numa de suas enigmáticas pontas. Mas o que estará
fazendo por aqui em Nova York, neste bloco de apartamentos tão absolutamente
comum? Focalizo agora a janela de cima. Lá está um homem numa cadeira de rodas,
com a perna quebrada. Também tem um binóculo e uma câmera. E pode muito bem
estar olhando a minha vizinha de baixo, a voluptuosa Miss Torso. Sei que ela
faz sensuais exercícios diários. Certamente não miraria para a janela do
monótono e inexpressivo casal Thorwald... Agora o homem recebe visita. Uma mulher
loira, elegante, saída de alguma revista de moda. Deste mundo é que não é... Que
linda, até parece a Grace Kelly! Sua namorada? Vão jantar... Parece que sim, um
garçom paramentado acaba de entrar com pacotes. Ela tenta abrir a garrafa de
vinho... Focalizo bem, quero ver o rótulo... Sim, como suspeitava, um Montrachet!
Não há dúvidas: é amor. E o cardápio, de sedução.”
(“O Montrachet de Grace Kelly – Arma de
sedução e de Hitchcock”, in VINHOS NO MAR AZUL, de José Guilherme R. Ferreira,
Editora Terceiro Nome.)
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
PARIS ME ENCANTA
OLEGÁRIO MARIANO (1889-19958)
PARIS
“Paris me
encanta, esse rumor constante
De sirenes,
de carros e de gente,
Enche meus
olhos turvos de viajante
De uma
grande volúpia surpreendente.
Passa a
turba, em farândola envolvente,
Num doido
bruaá febricitante...
Paris!
Dás-me aos sentidos, de repente,
Um gozo
forte, acídulo, excitante.
E tudo freme!...
Em meio à populaça
Há conflitos
de amores em tumulto...
‘Mimi
Pinson’... Musette... E a turba passa...
E no
velho Montmartre, em noite feia,
Em cada
esquina obscura e em cada vulto
A sombra
de Verlaine cambaleia...”
domingo, 28 de dezembro de 2025
"VIDA"
“Percebo
que, à medida que envelheço, vou-me desprendendo, cada vez mais, das coisas do
mundo, não levado pela ideia da morte, mas pelo sentimento da vida. As ambições,
as recompensas, as injustiças vão-me parecendo, cada vez mais, elementos ligados
ao que a vida tem de progressivamente circunstancial. Mas o viver é, na minha
idade, desligar-se das circunstâncias e explorar o que a vida tem de próprio,
de independente de tudo o que se chama ‘vencer na vida’. Agora compreendo bem isto, e nada do que é
inerente ao êxito me atrai mais. A vida me impele às afeições, à leitura, à
meditação do que leio, à contemplação, às viagens, a conversas com alguns
poucos, ao bom vinho, às coisas simples pelas quais os homens devem viver e
morrer.”
AFONSO ARINO DE MELO FRANCO
In: "Alto-Mar Maralto". Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1976.
sábado, 27 de dezembro de 2025
HILDA ROSE
Com a
cidade praticamente vazia, resolvi fazer uma excursão ao Morumbi que, graças ao
metrô, não é tão longe. E lá fui eu de bermudas, sandálias e chapéu para
enfrentar o calor. Na estação, me dirigi à cabine para pedir informações sobre
algum ônibus que passasse na altura do cinco mil e tanto da avenida Morumbi. Quando
me viu o funcionário todo sorridente me disse que eu parecia a Rose. Rose? Sim,
do Titanic. Retribui o sorriso e disse que não havia assistido ao filme mesmo
porque no fim o navio afunda. “Mas a Rose não morre!” E logo perguntou como
poderia me ajudar. Quis saber meu nome e pediu à colega no computador para achar
o ônibus que servisse para Hilda Rose. Enquanto a moça pesquisava, ele contou
uma parte do filme. A essa altura eu já sabia que ele se chama Damião. Outro funcionário
chegou do almoço e Damião rapidamente me apresentou como Hilda Rose ao “Brad
Pitt” – o rapaz realmente é muito bonito. E bem-humorado porque, sem saber do
que se passava, tratou de informar que era o “Brad Pitt depois da guerra”. A
moça achara o ônibus para mim: Água Espraiada. Agradeci muito à gentileza do
grupo, desejei feliz ano novo e fui para o calor infernal da avenida Francisco
Morato. Pensei com meus botões: o que não faz um chapeuzinho. Eles tornaram minha tarde muito agradável.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
QUEM RESISTE AO SOL?
Vesti roupa leve, calcei sandálias confortáveis, peguei o
chapéu e a bolsa e fui caminhar – a meta ir até a Praça João Mendes pelo
caminho dos ônibus. Calculo que sejam dois quilômetros e meio; se cansar durante
o trajeto tenho a possibilidade de pegar um dos dois ônibus para a Aclimação ou
embarcar no metrô da Sé. Na esquina encontro uma vizinha e depois de longo papo
nos despedimos. As ruas estão praticamente vazias. Resolvo me abastecer no
Posto Aclimação, o posto de gasolina mais antigo do Brasil ainda em
funcionamento. Foi inaugurado em 1930: Avenida Aclimação próximo à Rua Pires da
Mota. Com arquitetura neocolonial e a logomarca da Anglo-Mexican Petroleum (Shell)
na portada, ele é tombado como patrimônio Histórico. Entre, pego água na
geladeira, pago e prossigo o caminho.
Na
esquina seguinte, parado no farol um carro da PM na Rua Conselheiro Furtado e outro
na travessa. Nada demais se o policial no banco do passageiro não estivesse
explicando para o civil as funções das cores do semáforo. Pensei com os meus
botões que, se o cidadão está dirigindo, deve ter carteira de motorista e
conhecer a sinalização. Atravessei passando por trás do incauto. Ali está o
Templo Lohan, junto ao Viaduto do Glicério, que pretendo visitar um dia. Foi
fundado em 1995 com o propósito de “produzir conteúdo de qualidade relacionado ao Budismo, Kung
Fu, Medicina Tradicional e Arte, Filosofia e Literatura Chinesas”.
O início da Conselheiro Furtado é uma ladeira desencorajadora, mas enfrento sem problema. O mais estranho é que a calçada é dividida entre uma escadaria e uma rampa que conduzem à Rua Conde do Pinhal (fundos do Fórum João Mendes). Cheguei à Praça e decido que não retornarei a pé – farei o percurso de ida e volta num final de tarde. No ponto do ônibus, apenas uma senhora e não demora para iniciar um bate-papo. Vai a casa da irmã na Rua Lavapés. Ela se apresentou, mas para variar não guardei o nome. O motorista a deixa na Rua da Glória para onde ela descerá em direção ao Cambuci.
Sou a única passageira. O motorista diz que ainda tem duas viagens para fazer. Ida e volta conta uma viagem. Lá pelas 16 horas terminará o dia de trabalho. Lá atrás a cobradora olha a paisagem. Eu desejo bom dia e desço a 50 m de onde moro. Meu objetivo é beber mais água. O almoço será mais tarde.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
NOEL ESTÁ CHEGANDO À CIDADE
Milagres
tecnológicos – Frank Sinatra (1915-1998)
nunca soube deste dueto. A gravação da música “Santa Claus is coming to town” é
de 1948, quando o cantor americano estava com 33 anos – vídeo é dessa época. O
britânico Seal nasceu em 1963 e tinha 35 anos quando Sinatra morreu.
A técnica não é nova. O
dueto mais famoso é “Unforgettable” de Natalie Cole (1950-2015) feito com o pai
já falecido Nat King Cole (1919-1965). A gravação foi realizada em 1991.
Seal é nome artístico de Henry Olusegun Adeola Samuel (1963) – ele tem avô brasileiro e já fez shows no Brasil.
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
DIA DO VIZINHO
Hoje é o Dia do Vizinho.
Para
marcar a data lembro os vizinhos terríveis do filme “O bebê de Rosemary” (1968),
dirigido por Roman Polansky; mas prefiro Kramer (Michael Richards), o vizinho inconveniente
da série “Seinfeld” (1989-1998), minha série predileta junto com “I Love Lucy”
(1951-1957), que tem vizinhos muito simpáticos – Ethel (Vivian Vence) e
Fred (William Frawley).
Ah! O
personagem foi inspirado no vizinho de Larry David, roteirista da série.
domingo, 21 de dezembro de 2025
MON NOUVEAU CHAPEAU
Verão chegando daqui a pouco e já providenciei um novo chapéu para as próximas caminhadas.
Estudei Francês no ginásio e no colegial, mas tive aulas com um professor particular e sempre que vejo um chapéu lembro-me dele por causa de uma lição em que um chapéu tinha papel de destaque.
O PERU DE NATAL
“Comprou-se o peru, fez-se o peru, etc. E depois de uma Missa do Galo bem mal rezada, se deu o nosso mais maravilhoso Natal. Fora engraçado: assim que me lembrara de que finalmente ia fazer mamãe comer peru, não fizera outra coisa aqueles dias que pensar nela, sentir ternura por ela, amar minha velhinha adorada. E meus manos também, estavam no mesmo ritmo violento de amor, todos dominados pela felicidade nova que o peru vinha imprimindo na família. De modo que, ainda disfarçando as coisas, deixei muito sossegado que mamãe cortasse todo o peito do peru.”
Conto de Mário de Andrade: "O peru de Natal" (1947).
A sobremesa pode ser o Bolo Divino: ½ quilo de açúcar, 24 ovos (sendo 12 sem claras), 120 g de manteiga. Bate-se como para pão de ló; junta-se um coco ralado e continua-se a bater; engrossa-se com farinha de trigo. Vai ao forno em forma untada com manteiga.”
“AÇÚCAR: uma sociologia do doce com receitas de bolos e doces do Nordeste do Brasil.” Gilberto Freyre.
sábado, 20 de dezembro de 2025
SÁBADO DE SOL
Hoje pela
manhã fui fazer hora na Padaria Santa Teresa, na Praça João Mendes, pois
pretendia retornar à Avenida Liberdade. Eu já havia passado pela Livraria da UNESP,
na Sé, escolhido um livro e batido um longo papo com a senhora que fica no
caixa. Em direção à Liberdade, passei
pela Padaria Romana, espiei as delícias na vitrine e não resisti quando vi os quadradinhos.
Halawi em um santuário romano? Às vezes minha avó comprava em lata. Entrei e comprei
um que fui saboreando até a João Mendes. Sem planejar passei pelas duas mais
antigas padarias paulistanas. A Santa Tereza funciona há 153 anos e a Romana já
comemorou 113 anos.
Enquanto
tomava um suco, observei o entorno do salão térreo (no piso superior funciona o
restaurante). Gostei das prateleiras que reúnem alguns utensílios antigos como
balanças e uma máquina de escrever. Do outro lado uma série de reproduções de
fotos que nos permitem acompanhar as mudanças que ocorreram na praça e
redondezas. Antes de passar pelo caixa, passei em revista um a um os quadros. E
me demorei muito no painel de azulejo, que reproduz uma foto do primeiro
viaduto Anhangabaú no início do século passado, pois tentei identificar um prédio,
que acabei relacionando a um dos palacetes gêmeos demolidos para a construção
do prédio Matarazzo. Pena que não deu para ver a data, pois um móvel encobria o
ano e a assinatura do artista.
Na saída passei pelo abrigo de bondes, transformado em floricultura e numa extensão do Sebo do Messias. Um bom exemplo de reaproveitar o antigo em vez de destruí-lo.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
OS BASTIDORES DA MATEMÁTICA
Não
sei como atualmente as crianças aprendem aritmética e matemática, quando as
calculadoras são tão populares. Lembro como era importante aprendermos tabuada
– e quando aprendíamos a do nove, nos sentíamos muito importantes. Essas eram
conquistas com um significado que nos escapava na época – esses exercícios nos
acompanhariam para o resto da vida. As recordações me ocorreram por causa do
livro sobre a história do pensamento matemático da Antiguidade aos nossos dias,
que descobri na biblioteca.
Na Antiguidade, as pessoas usavam os
dedos para contar, pedrinhas e o ábaco, antigo instrumento de cálculo,
provavelmente, com origem na Mesopotâmia há mais 5.500 anos! Gregos e egípcios,
o usaram; chineses e romanos o aperfeiçoaram.
Nossa
educação restringe-se praticamente ao mundo greco-romano, como se não tivesse
existido a cultura mesopotâmica chinesa, egípcia, indiana e árabe entre outras,
onde há muito mais tempo se estudavam matemática, geometria e astronomia para
descobrir o funcionamento do Universo. Imagino como teria sido gostoso ter uma
matéria só sobre a História da Matemática, o que nos ajudaria a confiar mais na
inteligência humana e não superestimar hoje a artificial.
Na
Antiguidade, se o professor grego pedisse a um aluno que contasse até dez, o
menino começaria: dois, três, quatro, cinco... E estava certo porque para os
pensadores gregos o um trata de existência, não de quantidade. “A
multiplicidade é domínio dos números.” Esse conceito mudou com a inclusão do
número Um por Arquitas de Tarento (428 a.C-345 a. C.), filósofo
(pitagórico), matemático, astrônomo, estratego (general do exército na Grécia
Antiga) e estadista.
Com
as facilidades do século XXI, difícil imaginar que no princípio para fazer
contas se usassem pedrinhas, que iam se amontoando, conforme o número e por
causa disso até hoje fazemos cálculos, pois em Latim pedrinha é calc̬ŭlus,
i (pedra = calx, calcis). Na Medicina, a palavra continua em uso –
os urologistas que o digam: “o senhor/a tem cálculos nos rins”. (E tome água!)
Metafísico,
filósofo, matemático e astrônomo, Pitágoras (560 a.C.– 500 a.C.) foi quem
concluiu que “tudo são números”, algo com que os cientistas atuais até
concordam, mas a questão é que a afirmação de Pitágoras tinha um lado místico,
que a afasta da Ciência.
Os
romanos usavam letras para escrever os números (I, II, III, IV, V, VI, VII,
VIII, IX e X, L, C e M), o que dificultava qualquer operação. Um engano comum (pelo
menos na minha geração) é a denominação “arábicos” para os algarismos que
usamos correntemente, que na verdade têm origem indiana. Entre os anos 250 a.
C. e 500 a. C., os hindus desenvolveram os dez símbolos (0-9) e o sistema
decimal. O zero que era um símbolo acabou se tornando um número fundamental. Os
árabes foram os grandes divulgadores do sistema hindu que haviam adotado com
algumas adaptações. A forma atual consolidou-se no Ocidente no século XV e
generalizou-se. Em Português, a origem da palavra zero é o francês – zéro,
pelo vêneto zero. Em árabe, zero significa vazio.
E para terminar que tal o =, + e –? X e ÷? Os sinais de mais e menos: Johannes Widmann (1460-1498), um matemático alemão, usou pela primeira vez os dois sinais em seu livro Aritmética Comercial, publicado em 1489, em Leipzig. Coube ao inglês William Oughtred criar o sinal de multiplicação (x) em 1631. Quanto ao símbolo de divisão, há controvérsias: ele foi introduzido pelo suíço Johann Rahn em seu livro sobre álgebra em 1659, mas para outros teria sido o editor inglês John Pell. Oughtred também usou dois pontos (:).
Ábaco romano reconstruído. Foto: Mike Cow, Wilipedia. - esquerda.
Ábaco
chinês. Foto: Enciclopédia Britânica. 6.302.715.408) - à direita.
AVENIDA PAULISTA
Avenida Paulista. Noite fria para a época. Céu
encoberto. Nada disso desanimou o pessoal que foi fazer o footing, como
se dizia antigamente, para ver a decoração da avenida.
Papai Noel, vítima de acidente do trabalho na semana passada, já recuperado,
reassumiu o posto na avenida Paulista.
A Coca-Cola deita e rola com seus painéis ao lado
dos pontos de ônibus. As pessoas tocam na tela, fazem uma pose e a imagem
é reproduzida na tela.
As Janelinhas do Vinho, tradição italiana do século
XVI e XVII que surgiu para manter o comércio do vinho em épocas de pandemias que
assolavam a Europa periodicamente. Funcionamento: o cliente batia na janelinha,
fazia o pedido e recebia o vinho e fazia o pagamento. Agora, na Avenida
Paulista, uma versão moderninha.
terça-feira, 16 de dezembro de 2025
OMAR KHAYYAM OU CAIAM
“Não plantes a árvore da tristeza em teu coração.
Relê toda manhã o livro da alegria,
podes tomar vinho e satisfazer tuas vontades.
De nosso tempo, de nossa vida, o céu nos dá a medida.”
Autor: Omar Caiam (1048-1131), matemático e poeta persa, autor de
“Rubayat”, livro de quadras) e de um tratado sobre álgebra.
OBSERVAÇÃO: Omar Khayyam é como está grafado na citação da quadra que li num adorável livro de matemática, mas a Wikipedia remete para Caiam.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
FUTURAS LEMBRANÇAS
Você olha o cometa, acha bonito e, quem sabe, pensa que no próximo mês já estará esquecido por todos. Não é verdade. Cena rápida. Mãe e filha saíram do Shopping Light. A mãe parou, pediu para a filha ir para a frente da “estrela”, afastou-se e orientou a menina para fotografá-la. Examinou o celular, aprovou o resultado e as duas de mãos dadas caminharam pelo Anhangabaú. Daqui há muitos anos uma moça ou uma senhora olhará a foto e lembrará os bons momentos de uma noite que passaram juntas. 1º de dezembro de 2025.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
PIQUERI, HERANÇA DO CONDE
Difícil
percorrer São Paulo sem esbarrar em algum legado de Francesco Antonio Matarazzo
(1854-1937), o empresário e industrial ítalo-brasileiro que foi um dos homens
mais ricos do mundo: ao morrer tinha uma fortuna estimada em vinte bilhões de
dólares, que correspondem nos dias atuais a mais de 440 bilhões de dólares. Em
1927 Francesco ou Francisco Matarazzo comprou um terreno de 250 mil m² no
Tatuapé, então zona rural de São Paulo, para construir uma casa de campo. Nos
tempos coloniais, aquela região junto ao rio Tietê, era habitada pelos índios
Piqueri, nome que a população manteve ao longo dos séculos. Piqueri em Tupi
significa “rio de peixes miúdos”.
A Chácara do Tatuapé, como Matarazzo
a denominou, tinha o estilo do conde (nessa altura ele já recebera o título do
rei da Itália): uma bela casa, criação de cavalos argentinos, búfalos
americanos e gado bovino. Como na época o Tietê ainda seguia o curso natural,
uma de suas curvas adentrava a propriedade, o que proporcionava passeios de
barco – dessa época restam apenas os vestígios de um ancoradouro. Em 1934
quando Matarazzo completou oitenta anos o jornalista Assis Chateaubriand
(1892-1968), proprietário dos Diários Associados, visitou a Chácara e publicou
uma reportagem na revista CRUZEIRO bem ao seu estilo, ou seja, parecia uma
homenagem ao octogenário, mas era mais uma de suas investidas cheias de más
intenções. O lado bom é que as fotos registraram a beleza do lugar. Na década
de 1950, a família decidiu desfazer-se da propriedade e em 1971 após várias
negociações a área foi declarada de utilidade pública e em 1976, desapropriada.
Com a justificativa de que o Tatuapé tinha pouca área verde, em 16 de abril de
1978 a prefeitura criou o Parque Municipal do Piqueri.
Dos
tempos de Matarazzo restou apenas a casa do administrador da Chácara, o
italiano Saulo
Carpinelli, onde foi instalada a administração do parque. O imóvel é tombado. O
parque tem muitas atrações. O frequentador dispõe de múltiplas escolhas: pista
do cooper, bicicletário, campo de futebol, quadras poliesportivas, playground
e até cancha de bocha entre outros equipamentos de lazer. Para o público mais contemplativo, a flora é
bastante diversificada e os destaques são o bosque de sibipirunas, bambuzais,
jacarandá-mimoso, paineira, cedro e pau-brasil entre outros. A fauna também é
bem variada. Há oitenta espécies – desde pica-pau, sabiá até gavião-carijó. Já
viu um ouriço-cacheiro? Uma boa oportunidade para conhecer esse mamífero que
vive no parque.
PARQUE MUNICIPAL DO PIQUERI: Rua Tuiuti, 515. Foto: site da Prefeitura de São Paulo.
Metrô: Linha 3 – Vermelha, Estação Tatuapé. No Terminal de Ônibus consultar linha mais adequada.

















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