domingo, 27 de outubro de 2024

PARQUE DO CARMO

 

Surpresa: o mais moderno planetário da América Latina encontra-se no Parque do Carmo, Zona Leste de São Paulo! Que tal uma viagem ao céu para ver mais de nove mil estrelas, os planetas do sistema solar, a via Láctea no Planetário Prof. Acácio Riberi? Pode-se até observar o Sol através do celóstato, um instrumento importante para observação de eclipses. Fique sabendo que as duas principais atrações do parque são contemplativas – além do planetário há o Bosque das Cerejeiras que ao florir que atraem milhares de pessoas para apreciarem o espetáculo.

Nada como ter tempo, disposição e muita curiosidade. Sempre achei que o Parque do Carmo, o segundo maior de São Paulo, era muito longe, porém, pensando bem, atualmente, poucos lugares são muito distantes. A Lua é logo ali, já está se tornando ponto turístico! Assim, lá fui eu até Itaquera pegar o ônibus para Itaquera que me deixaria na entrada do parque. No caminho posso refletir sobre o engenheiro e empresário Oscar Americano de Caldas Filho (1908-1974) que deixou para a São Paulo essa área que foi parte da fazenda de café adquirida por ele na década de 1940 e, aos poucos, transformada por ele num paraíso para a família.  

Naturalmente, a região era habitada por índios até a chegada dos colonizadores. No século XVIII, ali se instalaram os religiosos da Ordem dos Carmelitas, mas a catequização dos nativos não deu certo porque os naturais da terra preferiram mudar para outras plagas. Os carmelitas criaram a Fazenda do Caaguaçu e dedicaram-se à agricultura e criação de gado, o que alterou o ecossistema da região. No início do século XX, a propriedade foi vendida para o Coronel Bento Pires, dono da Companhia Pastoril e Agrícola. O coronel investiu também na cafeicultura, mas logo loteou parte das terras, o que resultou na Vila Carmosina e Cidade Líder. Ele também mudou o nome da propriedade para “Fazenda do Carmo”. Na década de 1940, parte da fazenda foi vendida para a Companhia Brasileira de Projetos e Obras – CBPO, de Oscar Americano. Pode-se imaginar o tamanho da fazenda quando se sabe que Oscar Americano também loteou parte da área adquirida, e os terrenos originaram o bairro Jardim Nossa Senhora do Carmo ou Morumbizinho. 

         Oscar Americano ampliou a sede da fazenda, construiu uma casa para uso dos funcionários, outra para os filhos (cinco) e babás; uma casa de hóspedes e um prédio para lazer. As melhorias incluíram o represamento de um córrego para fazer um lago artificial, usado para esportes náuticos. Após o falecimento do empresário em 1974, os herdeiros venderam a fazenda – a maior parte para a Companhia Habitacional (COHAB) e o restante para a prefeitura de São Paulo.

         O Parque do Carmo, inaugurado em 1976, tem 1,5 milhão de metros quadrados – é o segundo maior parque da cidade. Ao longo de 48 anos de existência, recebeu uma infraestrutura com características próprias. Oscar Americano recuperou a flora danificada pelo uso agrícola, atraindo uma fauna diversificada. Enquanto a flora, bem preservada, é formada por remanescentes de Mata Atlântica, eucaliptais, brejos e pomar, ideais para uma variada fauna que inclui desde o gavião-pega-macaco até preguiça-de-três-dedos, tatus e caxinguelês.

A sede da fazenda tornou-se o Museu Parque do Carmo; a casa das crianças é ocupada pela Guarda Civil Municipal; na casa de hóspedes, funciona a Administração do Parque. A figueira

Depois de observar o céu, vamos ao Bosque de Cerejeiras que tem cerca de quatro mil árvores e, quando elas florescem, o visitante respira um perfume suave enquanto se sente envolvido pela delicadeza das flores de um rosa suave. O borque torna-se o lugar ideal para a prática do hanami, ritual japonês bem simples: basta sentar-se sob uma cerejeira e contemplá-las sem pressa. A festa das cerejeiras realiza-se há 44 anos. Fotos, 2023.

 





Av. Afonso de Sampaio e Sousa, 951 – Itaquera. Funcionamento: 5h30 às 20h
Fone: (11) 2748-0010 / 2746-5001. A estação de Metrô mais próxima é a Corinthians-Itaquera, na Linha 3 – Vermelha, distante quase 4km do Parque.

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

PROFESSORES

 

Tudo começou com dona Branca Luís da Costa, minha primeira professora (Escola Portuguesa) e ao longo da vida foram muitos professores que me ajudaram a caminhar pela vida, tentando decifrar o mundo. É verdade que esqueci o nome de muitos, o que não significa que tenham tido pouca importância. De alguns lembro comentários marcantes, que até hoje me fazem refletir sobre o assunto. Quando era bem pequena, provavelmente na época em que entrei na escola, ganhei um quadro negro, uma caixa de giz e brincava de professora. As alunas eram muito comportadas – as bonecas.

As brincadeiras mudam com a idade e com as novidades, a maior delas a descoberta dos livros e do fato de que não tinha (nem tenho) vocação para o magistério; porém, em 1964 por seis meses lecionei no Ateneu Progresso Brasileiro, que funcionava num casarão situado na avenida Ana Costa, em Santos, derrubado para a abertura da rua Claudio Doneux. Ali eu tive certeza de que não queria ser professora. Dei aula para os alunos (classe masculina) do segundo ano primário. Eram uns 20 garotos indisciplinados – acho que havia uns três bem comportados. Lembro bem do melhor da turma: Guilherme Navarro. Ele era educado, disciplinado, sempre bem arrumado e cumpridor dos deveres. Muitos anos depois descobri que ele se formara em Medicina. Lembro também do Pedro, que era filho de Jesus. Ele deu trabalho, mas também era bem educado. Guardo dele, com carinho especial, um cartão que acompanhou o presente que me deu no dia dos professores. Como lembro o nome do pai? Era o cartão de visitas de Jesus e Pedro escreveu a mensagem no verso. Está guardado no meu baú.


Hoje, contudo, homenageio a Gislene, professora de educação física, que trabalha com público da terceira idade com muito entusiasmo e nos estimula a superar as dificuldades físicas. Ontem, ela ganhou uma merecida festinha e os mimos de suas turmas de segunda-feira.

domingo, 13 de outubro de 2024

PAULISTANO DESCOBRE A LIBERDADE

 

Depois de passar pelo Museu do Livro Esquecido na rua Santa Luzia, resolvi comer pastel na Liberdade. Subi a velha rua dos Estudantes e já na esquina da rua da Glória comecei a achar que não tinha sido uma boa ideia, mas me animei porque o metrô era logo adiante. Ledo engano! A cada passo via mais gente – uma surpresa quando passei pela Travessa dos Aflitos que, graças à feira, estava intransitável. E daí para frente a situação ficou mais complicada. Calçadas e ruas tomadas por uma multidão – gente comprando, gente batendo papo, gente em filas de padarias, restaurantes, mercados, lojas e sei lá mais o quê. É preciso se desviar de sacolas, mochilas e pacotes. Chegar à praça foi um sacrifício especialmente para quem não gosta de multidão como eu.

A essa altura já nem me lembrava de pastel, queria mesmo chegar ao metrô, mas não consegui alcançar a entrada e para alcançar o outro acesso tive que me esgueirar entre pratos de macarrão, bolinhos e outros quitutes que as pessoas equilibravam enquanto falavam e caminhavam em busca de mais petiscos.

Quem são essas pessoas? Pelo que consegui observar – o público é bem variado, mas os jovens predominam, alguns capricham na vestimenta estranha, mas ninguém se vira espantado. O diferente é indiferente. Quando encontro as escadarias do metrô, vejo um batalhão subindo a escadaria... Lembrei do bairro chinês de San Francisco, onde a avenida é mais ampla e tudo parece mais organizado.

Há algum tempo o paulistano descobriu o bairro da Liberdade e ele está, invariavelmente, muito movimentado. E o público, volto a dizer, é bem jovem. Sexta-feira eu já havia passado por lá e havia muita gente circulando, mas nada tão impactante como ontem, pois deu tempo até fazer uma parada na Esquina do Morango (uma barraquinha) e comprar jabuticaba.

A caminho da Praça da Liberdade. 

Ontem, as jabuticabas estavam no meio da rua dos Estudantes.


sexta-feira, 11 de outubro de 2024

BELLA CIAO

A música é do século XIX e de autor desconhecido. Provavelmente, era um canto de trabalho entoado pelas mulheres que se deslocavam da Emilia Romagna para o trabalho sazonal nos arrozais do Vale do rio Pó na Itália. No século XX, a melodia foi usada para um canto de protesto contra a I Guerra (1914-1918) e mais tarde para a música da resistência italiana na II Guerra (1939-1945) contra o fascismo. As primeiras gravações foram da cantora Giovanna Daffini (1914-1969), que foi trabalhadora temporária (mondina), e Yves Montand (1921-1991), italiano naturalizado francês.

A música é sobre um homem que um dia acorda com a chegada do invasor e despede-se da mulher ao sair para a luta, pedindo-lhe que se ele morrer o enterre na montanha à sombra de uma bela flor para que as pessoas ao passarem saibam que aquela é a flor da resistência de um homem que morreu pela liberdade. “Ciao, Bella, ciao.”



https://www.youtube.com/watch?v=4CI3lhyNKfo


Quem preferir, a versão com Yves Montand.
https://www.youtube.com/watch?v=mv3iY4v9EOc

terça-feira, 8 de outubro de 2024

LEMBRANÇAS DE VIAGEM



 

O mosquito (zanzara) da Dengue assusta italianos. Estação ferroviária Termini, Roma.

Sede em Roma do jornal "Ill Messaggero.

A Via Oscura, em Viterbo (IT), já foi iluminada, mas voltou às origens.

Ah! Esses apaixonados! Viterbo.

Velhos tempos das bancas de jornal. Viterbo.

SICILIA


Travessia do estreito de Messina por trem: a composição é dividida para embarcar
no ferry-boat. A rota é Messina-San Giovanni-Roma (ou vice-versa). O estreito no Mediterrâneo separa a Sicilia (ilha) da Calábria, no Sul da Itália, e liga os mares Adriático e Jônico. Na foto, uma passageira que não encontrava a escada de acesso à plataforma 
superior do ferry. Custou, mas descobriu a tempo de ver a bela paisagem. 




Atrás da igreja histórica, vê-se um dos navios cruzeiro atracados em Messina.


Taormina, uma igreja diferente.



As escadarias para Isola Bella - laterais ocupadas pelos produtos dos ambulantes.

Praia de pedras, cheia. Isola Bella ao fundo.


Vista da Praia de Mazzarò, Taormina.

domingo, 6 de outubro de 2024

PASSEIO POR REGGIO CALABRIA

A cidade fica no sul da Itália, a cerca de 40 minutos de barco Messina (Sicilia) e ao desembarcar terá uma bela ideia do que é a Reggio Calabria, graças ao projeto urbano implantado à beira-mar que proporciona aos moradores e visitantes ótimos momentos de descanso, lazer e cultura, sem contar a paisagem. Há ainda inúmeros bares e restaurantes do outro lado da avenida. No jardim central, destacam-se três obras de Rabarama, ou Paola Epifani, artista que nasceu em Roma e, depois de se formar na Academia de Belas Artes de Veneza em 1991, estabeleceu-se em Pádua, onde vive e trabalha. Rabarama cria esculturas de pessoas e decora a superfície com símbolos e hieróglifos.

Fundada em 664 a. C., ela é uma cidade peculiar – de um lado banhada pelo mar e do outro Messina vai galgando um morro, que se sobe por escadarias muito bem conservadas ou ladeiras pelas ruas transversais. E, por incrível que pareça, as vias principais, que seguem paralelas à praia, são planas. Minha maior surpresa foi na Via Giudecca, onde avistei escadas rolantes (tapis roulantes) cobertas para conforto dos pedestres. Que maravilha! O projeto foi financiado pela Comunidade Europeia pelo que li numa placa. A questão é que tem hora de funcionamento: das 7h45 às 13h15 e das 14h45 às 20h15.

            Aproveitei do meu modo a cidade. Fui andando e observando e assim, que depois de sair da igreja de são Jorge, achei a Libreria Culture Di Caccamo Vincenzo – Anche Museo (Via Zaleuco, 9). Um lugar muito diferente e interessante. Na verdade, é um espaço em que há os livros e também obras de arte – pinturas, esculturas e artesanatos, onde também acontecem palestras e exposições.

            A catedral metropolitana de Maria Santíssima Assunta in Cielo foi danificada durante o terremoto de 1908 e reconstruída em estilo eclético (no caso mistura do medieval e gótico), sendo consagrada em 1928. Ao castelo Aragonês cheguei exatamente na hora do almoço e a moça, educadamente, me disse que voltasse outra hora, fechando a porta. Dessa forma fui ao Museu Arqueológico Nacional de Reggio Calabria.

            Hora do almoço. Momento de descanso aos pés. 


Bem-vindo a Reggio Calabria.


As obras abaixo fazem parte do calçadão à beira-mar. 

Monumento aos cadetes da aeronáutica mortos em batalha em 1943, (Esq.)
Obra da artista Katrin Puyia (1976). (Dir.)

Nos jardins, destacam-se três obras de Rabarama, ou Paola Epifani, artista que nasceu em Roma e, depois de se formar na Academia de Belas Artes de Veneza em 1991, estabeleceu-se em Pádua, onde vive e trabalha. Rabarama cria esculturas de pessoas e decora a superfície com símbolos e hieróglifos.







As escadas rolantes.






Aspectos da livraria/galeria.




quinta-feira, 3 de outubro de 2024

MENINOS, EU VI!

Estava esperando o VLT em Messina, na Sicilia (Itália).. Sol de fim de tarde ainda ardente. Os dois pontos têm abrigos com bancos. Sentei no que estava vazio porque no outro havia um rapaz deitado, sem os tênis que estavam arrumados em frente ao banco. Logo ele abandonou a inércia e começou a fazer alongamento como se estivesse no quintal de casa. Como o VLT demorou, deu tempo para ele fazer toda a sequência recomendada pelos fisioterapeutas. Então levantou, calçou os tênis e foi embora todo feliz.







Quando for à Catânia, Sicilia, e quiser comer carne, ao examinar cardápio certifique-se de que o seu pedido não é carne equina. É isso mesmo: um dos pratos preferidos da população desta cidade siciliana é de carne de cavalo. Os campeões são os chineses e mexicanos, seguidos de Cazaquistão, Mongólia, Argentina, Itália, BRASIL e Quirguistão. Surpreso com nossa participação na lista? Saiba que o Brasil é um dos maiores produtores e o maior exportador de carne equina do mundo e com ela fazem-se almondegas, mortadela, salame, salsinha, carne defumada e sashimi. Bom apetite!


ARANCINI

É um bolinho de risoto, versão italiana do bolinho de arroz. Delicioso. E os conterrâneos já deram opinião, devidamente registrada em Messina.


quarta-feira, 2 de outubro de 2024

QUEM TEM BOCA VAI A ROMA

 


Pode-se dizer que, na Antiguidade, os romanos eram ótimos andarilhos. Cavalos e bigas, só para os patrícios e os ricos. Quando se dispuseram a conquistar outros territórios, caminharam. Eles abriram estradas que interligaram a Europa, construíram aquedutos e balneários por todos os lugares por onde passaram. Banho? Eles construíram termas e popularizaram o banho, que transformaram em uma verdadeira arte. Não se pode esquecer que o Direito Romano continua ainda a influenciar os sistemas jurídicos de vários países ocidentais. Seus vestígios estão por toda a Europa, Inglaterra e norte da África.

Que tal começar pela Via Ápia? Em 312 a.C., Ápio Cláudio Cego, político romano, iniciou a construção da estrada que ligava, inicialmente, Roma a Cápua e tinha 300 km de extensão; mais tarde foi ampliada até Brindisi, cidade situada no salto da bota italiana, atingindo 600 km de extensão.  A estrada ganhou o nome de Via Appia em homenagem ao seu construtor e tantos séculos depois ainda há trechos utilizáveis dela em Roma – caminha-se por alguns deles, enquanto em outro pedaço carros e ônibus trafegam velozmente. Já havia caminhado por ela em 1993, quando visitei Roma pela primeira vez. Via Appia Antica, sob sol intenso, lembrando das lições de Latim do professor Esmanhoto (Instituto de Educação Canadá) e de Ligia Fava Fonseca (Liceu Feminino Santista)...



Esta igreja é de 1617, erguida no local em que havia outra desde o século IX.

 Igreja de Santa Maria das Plantas conhecida como "Domine, quo vadis?"




Via Appia Antica, imagem Google.

terça-feira, 1 de outubro de 2024

OBSERVAÇÕES DE VIAJANTE

 

As viagens são um grande aprendizado. Aprende-se sobre a nossa capacidade de lidar com situações inesperadas, a habituar-se com usos e costumes de lugares diferentes e sobre como é ser visto como estrangeiro.

A primeira vez que visitei Roma foi 1993, quando desembarquei na estação ferroviária Termini procedente de Paris. A primeira vista que tive da cidade foi a Piazza dei Cinquecento, onde funcionava um imenso terminal de ônibus urbanos e por ela circulavam muitos senhores elegantes. Achei que iam a alguma convenção, pois usavam paletó azul marinho, calças cinza e gravata, como costumava ver no Brasil executivos de grandes corporações. Só quando me aproximei, percebi que se tratava dos motoristas de ônibus. Tive a felicidade de voltar outras vezes a Roma, mas sempre tenho encontrado a praça em obras. O terminal de ônibus continua lá, mas me pareceu menor. 

Estive em Roma de passagem em 2019. Neste final de verão de 2024, a cidade ainda fervilhava de turistas. Filas imensas para informações, compra de bilhetes, pegar o ônibus ou táxis, tomar um cafezinho ou ir aos banheiros. Cuidado porque o distraído tanto podia ser atropelado por malas como nocauteado por mochilas. A cada passo ouvia-se um idioma diferente. Jovens, adultos e idosos estrangeiros e italianos estavam por toda parte usufruindo as belezas e delícias do país. Viajavam em família, com amigos, excursões e sozinhos como eu.  

A cidade está em obras – os principais pontos turísticos passam por restauro ou obras de melhorias do entorno, como o Fórum Imperial ou Romano, a Fontana Navona, o monumento a Vitor Emanuel (bolo de noiva) entre tantos outros. São os preparativos do município para a realização do Jubileu 2025, promovido a cada vinte e cinco anos pela igreja católica para incentivar peregrinações a Roma para que, segundo ela, os fiéis alcancem indulgência plenária de seus pecados. Calcula-se que o evento atrairá 32 milhões de turistas e peregrinos para a Cidade Eterna. O financiamento das obras será feito com o aumentado das taxas turísticas em Roma e em Veneza. De acordo com a agência ANSA, a meta é arrecadar para o jubileu cerca de 608 milhões de euros em três anos, recursos destinados para o “planejamento e execução de obras e intervenções funcionais ao evento” e “contratação de pessoal com formas flexíveis de trabalha” (esse item me deixou curiosa).

No Fórum Romano, a rua parcialmente interditada virou um calçadão.

Sábado, a fila para entrar na Basílica de São Pedro. Ainda bem que já conhecia.

Rua interditada, obras...

Turistas chegando ao Campidoglio, Praça do Capitólio, em Roma.




domingo, 29 de setembro de 2024

ARRIVEDECI, ROMA!

 Aqui me despeço de Roma, da Itália! Um dia de céu azul, sem nuvens. E com música. ❤️

https://youtu.be/4CGN33YcBaM?si=93klsy44CZ33I_SF


quarta-feira, 25 de setembro de 2024

SAMBA ITALIANO

 Que tal Adoniran Barbosa? Um pé na bota outro na Bela Vista, sempre querida.

 https://youtu.be/NehlFIMngEc?si=v3BPmvliXRuriTy4

terça-feira, 24 de setembro de 2024

FOLGA DA COMPANHIA

Dia de descanso com ajuda dos três tenores: José Carreras, Plácido Domingo e Luciano Pavarotti. Meu preferido, Plácido. Aliás, os três estavam de folga neste divertido concerto.


 https://youtu.be/ERD4CbBDNI0?si=awVWYMU29L4xQhui

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

A COLINA CAPERRINE

 Há dias tento visitar uma igrejinha graciosa, encarapitada no alto da colina Caperrine de Messina.

O problema é que sempre esquecia de pegar o nome e, finalmente, soube que é o Sanctuaryo de Montalto. Sobe-se por uma escadaria que lembra a do Caminho Monsenhor Moreira, no monte Serrat, em Santos. À medida que subo a vista da cidade se amplia. Faz calor e o Sol está a pino, mas é suportável. Quando chego ao final da subida, a paisagem é muito linda. O mar Tirreno, um ou dois barcos à vela, embarcações em operação, um monstruoso transatlântico e todo aquele azul do céu.

A igreja em tom rosa é modesta e bem conservada. O primeiro templo ali construído foi em 1286 mas a consagração só aconteceu em 1483. O edifício sofreu com o terremoto de 1908 e foi a primeira igreja a ser restaurada. 

Em 1988, quando esteve em Messina, o Papa João Paulo II visitou o santuário. Para marcar o evento foi feita uma escultura do papa em escala natural observando o estreito. 

Desço a colina e encontro uma cena muito especial na Piazza dell Duomo: os turistas parados ouvindo em silêncio a  "Ave Maria" de Gounod e Bach, uma gravação sinfônica, transmitida pelo auto-falante do Duomo, onde se realiza uma missa festiva voltada para militares. 

Quando termina a música fico observando as pessoas que voltam a circular pela praça. Hoje há dois navios de cruzeiro no porto. As empresas colocam os passageiros em ônibus, que distribuem a primeira leva num ponto turístico, vão buscar outra e recolhem a anterior que devem ser deixadas para visitar outro lugar bonito. Eles têm pouco tempo e muitos nem notam a beleza do relógio astronômico da torre que move as figuras. (Ele vale uma história especial.)

As pessoas parecem satisfeitas - exceto uma garota que resolve discutir a relação com o rapaz que a acompanha. Marido, namorado, noivo ou amante? Resolvi bater em retirada.

sábado, 21 de setembro de 2024

SÁBADO EM MESSINA

 (Revisto. Detesto escrever em celular e ainda tem o corretor de texto que me deixa mais alucinada.)

São 19h50. Hoje a cidade parece vazia,  embora tenha chegado um novo transatlântico com mais turistas. Imagino que o programa deles seja corrido - entram em ônibus para conhecer a cidade, vão jantar e no dia seguinte têm outro passeio de coletivo. 

A praca Cairole, que fica no centro histórico, está agitada e a maioria das pessoas é italiana. Um ou outro estrangeiro como eu. Os bancos estão todos ocupados. Amigos relaxando, idosos observando o movimento, pais de olho nos filhos que brincando por ali e jovens, muitos jovens, com amigos, namorados, colegas e mesmo na companhia dos pais e irmãos. Há um músico se esforçando, mas ninguém presta atenção nele.

Na avenida em que se concentram as grandes marcas, as pessoas fazem o footing e tomam conta de todo o espaço.

Para o paulista, a Sicília é complicada. A sesta, aquela soneca após o almoço, é uma instituição aqui. E cada um faz seu horário. No horto, o funcionário ia saindo, mas foi gentil suficiente para adiar o fechamento do portão. As lojas costumam ter uma placa indicando o horário de funcionamento, que pode ser de 9 às 13 e das 17 até as 21 horas!

Depois de um dia quente e cansativo, não deu para ir jantar cedo como em São Paulo porque os restaurantes aqui começam a abrir às 20 horas. No Brasil, conheci apenas um lugar em que se fazia a sesta: Porto Velho Roraima). Achei uma bobagem e continuei um passeio, mas logo concordei com a inciativa - impossível fazer qualquer coisa com aquela canícula.

Amanhã tem mais.


sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Forget Domami!!

 Guarda che luna! Hoje é o que importa. Ontem, foi ótimo e amanhã não existe, portanto, temos que aproveitar o momento presente. Admirar a paisagem e tentar absorver um pouco da cultura local que no momento está sofrendo com o turismo de massa. 

Lembro dos tempos de Santos, que na temporada de verão se tornava insuportável para nós, moradores: tudo mais caro, filas para compra de pão, falta de água... E falávamos todos a mesma língua. Turistas estrangeiros não eram muito comuns. Nos tempos atuais, o comerciante local se vê às voltas com idiomas de todos os continentes e, compreensivelmente, no meio do dia, já está exausto tentando entendê-los. Muitas vezes são rudes. Muitos não escondem a insatisfação. Torna-se difícil dividir com o outro essa lindíssima lua cheia pendurada na varanda do hotel. 

A música de Norman Newell e Riziero Ortolani, gravada por Frank Sinatra, referia-se a um casal apaixonado, eu a uso porque gosto da canção e muito, muito mais de Frank Sinatra. Messina, 20 de setembro.


 https://youtube.com/watch?v=sPkL7cw7J7Q&si=rZvK7eUvZBr8oOcX

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

CAMINHOS

Abro a janela da varanda e vejo uma enorme nuvem negra no céu. Imagino chuva; volto pensando no que vestir. Perda de tempo porque logo depois está tudo azul; mais tarde podem até cair alguns pingos. Nada demais. Aqui na Sicília o tempo é assim.
Destino: Giardini Naxos. Um lugar gracioso à beira do mar em Taormina. A beleza da paisagem compensa a simplicidade urbanística. Na avenida costeira, calçada é um luxo. Pedestres convivem bem com todo tipo de transporte. Alguns monumentos atraem atenção dos visitantes, como a homenagem aos jovens locais que morreram na Primeira Guerra Mundial ou da garota que se exercita. Na Passagem dos Pescadores, uma parede forrada de pratos e peixes de porcelana colorida dá uma certa graça a um lugar sem atrativo algum.
Que tal Isola Bella? Fica na subida para Taormina e para ir à praia é preciso descer uma escadaria enorme cujas laterais são usadas pelos camelôs como vitrine de seus produtos - vestidos e mais vestidos, óculos e lembrancinhas.
Praia de pedregulho, o que não importa para a multidão que toma sol. Não há quase espaço para caminhar até a Isola, que fica numa das extremidades da praia e, além de tudo, o chão é de cascalho que serve para evitar a formação de poças que causem tombos. Se isso acontecer, não se preocupe: há vários ortopedistas na ilha. 
Não fui até a Isola. As pedras podem ser traiçoeiras. A Isola lembra muito a ilha Porchat em São Vicente, que perdeu o status de ilha quando foi feito o aterro para os carros poderem subir. Nos idos de 1975,  as praias do José Menino e Itararé à noite eram dos namorados, elas eram o famoso motel das estrelas, como população denominou as áreas. Só lembranças...

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

TEMPORADA DE CASAMENTOS

 Acerale. É onde estamos, de acordo com o serviço de informações do trem. Partiremos logo. Sábado em Taormina fui a um casamento que se destaca das aventuras vividas. O restaurante tinha mesinhas na calçada, todas ocupadas, mas em destaque a do centro, onde os noivos estavam sentados. À frente do restaurante um conjunto musical tocava a tarantela. Os noivos sorriam felizes. Turistas tiram fotos. Parece uma festa pública.  Contínuo o caminho. Mais tarde passa um cortejo - padrinhos e alguns convidados especiais. Será que poderei cantar "lá vem a noiva de véu e grinalda"? Outra lembrança : Cauby Peixoto! Ah! Que pena! Nem ela nem o noivo aparecem. 

A temporada de casamentos continua. A festa é noturna e na Catânia. Os noivos dançam na praça. Uma cantora de voz suave enternece uma pequena plateia de estranhos curiosos. Fotógrafos e cinegrafistas registram momentos de enlevo do casal. Do outro lado da praça um casal mais velho com uma daminha de honra desfila para o público e fotógrafos. A garotinha anda com segurança. Caminha como modelo. A vida é bela, cheia de promessas.

Quem sabe amanhã veja outros. 


domingo, 15 de setembro de 2024

Sexta-feira 13

Evitar sair com pé esquerdo da cama e cortar as unhas dos pés são algumas das superstições relativas à sexta-feira 13. Não sou supersticiosa tampouco lembrei da data ao acordar. Tudo deu certo. Nem percebi que o vento me encheu de areia e areiou minha pele. Aliás, foi um dia de coisas agradáveis, como rever o quase esquecido figo-da-india, fruta cítrica, suculenta e espinhosa, abundante nas diversas feiras da cide. Conhecer o artesanato local, intensamente colorido. 

Mas hoje é sábado dia de Taormina. Trem ou ônibus. Vamos de táxi, após negociar o preço com o motorista - o que não é garantia em se tratando de Sicília. Entramos pela Porta Máxima. As ruas estreitas estão repletas de turistas que acrescentam um toque exótico ao ambiente. A moda são vestidos leves, com estampas de cores exuberantes ou qualquer coisa que você pegar na mala ou guarda-roupa, displicentemente, pensando apenas em aproveitar o dia.  Para qualquer lado que você olhe, a paisagem é de tirar o fôlego. 

Um projeto turístico inteligente une História paisagem com atrações culturais contemporânea como um festival de jazz ou ópera. Depois de provar uma caponata deliciosa e respirar fundo antes de tomar um gelato - e os daqui não desapontam, retoma-se o caminho. Entro numa ruela, sou abordada por um rapaz nervoso de roupa estranha. Quer saber onde vou, explico que me dirijo a Therme. Parece que ele nunca ouviu falar nisso. Está cada vez mais aflito. Vejo um nome de hotel bordado no uniforme e pergunto se ali é um hotel. Sim! Ora, por que não disse antes?





sábado, 14 de setembro de 2024

GUARDA CHE SOLE, GUARDA CHE MARE!

 Catânia. Sexta-feira 13. Final de verão tórrido. Interessante como o tempo pode alterar algumas recordações. Vou caminhando em direção ao arco que vejo numa extremidade da rua, onde creio que irei rever o elefante... No caminho um café e um panino com ligeiro sabor de era-doce. O arco está sendo restaurado e entorno pouco tem de atrativo. Um senhor interrompe uma conversa e explica que o elefante fica do outro lado da cidade. As lembranças se misturam. Volto, sem pressa, apreciando a arquitetura, as placas do comércio e tentando sobreviver ao trânsito e aos buzinaços de um povo impaciente.

Chego à Praça do Elefante, que está linda. E repleta de visitantes. Há missa na igreja de Santa Agatha e me dirijo à outra igreja, onde também há missa, que não impede os negócios. Na entrada, vendem-se ingressos para visita à cúpula e concerto com música de Bellini à noite. Lá no altar, o padre celebrante vai chegando à parte principal do ofício. Tem um corte de cabelo moderno e usa sandálias.  

Escadarias à vista! No terraço, um vento gostoso ameniza o calor. Um mar de telhados se estende a perder de vista. Lá embaixo as pessoas se movimentam de um lado para outro tentando não perder detalhes da praça, do mercado ou dos citadinos. Num dos cantos do terraço vejo o campanário, os velhos sinos agora silentes.

Hora de ir à cúpula. Ao pé da escadinha um semáforo, que está no vermelho. Aguardo o verde para subir. Lembranças da primeira visita ao Vaticano: uma escadinha estreita, ingrime e lotada. Impossível se arrepender e voltar. Uma péssima experiência. Esta solução é perfeita. Verde: subo com facilidade e chego logo ao tipo. O horizonte se amplia e abrange o Tirreno. Guarda que mare!

Hora de descer. Hora do almoço. Noto que o vento transporta areia que se infiltra entre os cabelos e arranha a pele. Será o velho Siroco que sopra do Saara e transporta areia para o Sul da Europa?

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

O TREM, O BARCO E O MAR


Os vagões do trem embarcados rumo ao continente.

Estou de volta à Sicília, que visitei há 31 anos e conquistou meu coração. Como daquela vez, começo pela Catânia. Em 1997 vim de avião, passagem com desconto para viajantes dispostos a permanecer uma semana na ilha. Agora, nada de repetições. Mais emoções. Chegar de trem. E fui atrás da passagem no balcão da Treni Italia, na Termini. Um atendimento perfeito. Embarquei hoje às 7 h 28 na carroza 4, assento A 11. À minha frente um gordinho carente desejoso de participar da conversa de um grupo masculino viajando a serviço. Acabou incluído. No outro lado do corredor, dois militares. 

Em 30 anos, com as novas tecnologias, desapareceu aquele funcionário que agitava a bandeira ou apitava autorizando a partida do comboio, o rapaz do carrinho de café, água, sanduíches e doces, pessoal da plataforma que ajudava confusos como eu... Imagino que o maquinista seja guiado pelo GPS e as ordens sejam dadas pela internet. Máquinas imóveis e sem graça, recheadas de porcarias gordurosas ou salgadas, substituíram os carrinhos. E se você precisar de uma informação tem que importunar passageiros experientes, mas não oniscientes. Sobrou o fiscal de bilhetes.

A viagem foi tranquila. Paisagens bucolicas e urbanas se alternavam nas janelas. Passam ligeiras. Vívidas. Numa das paradas sobe um jovem simpático, gordinho também (o outro continua incluído no grupo). Lembra meu amigo Tonico. Logo noto que fala  sozinho sobre o que vê lá fora, algo que viu no celular. Ele parte logo.

Agora vejo o mar Tirreno, tranquilo. Quanta beleza! Agora chega uma família: pai, mãe e filha adulta. Confusos. A mãe briga com o pai, o pai com a mãe e a filha tenta contornar a situação. Liga o filhinho e acontece uma "live"(acho que a expressão é essa) que todo o vagão ouve.

O trem começa a dar marcha à ré. Então percebi que chegamos ao barco. E para minha surpresa vamos atravessar no trem e continuaremos nele na ilha. Descemos para apreciar a paisagem até chegar a Messina. 

 Valeram as 10 horas de viagem, a convivência com pessoas interessantes, que gostam de ouvir a própria voz e se expressam em uma língua muito bonita.