A cidade está vazia. Creio que os viajantes
aproveitam o sol de verão na praia. E que verão! Pela manhã nem os corredores
habituais a caminho do Parque apareceram. Em compensação a Prefeitura enviou
uns dez funcionários para a poda de árvores da praça em frente ao prédio. Dois
trabalham, vários se agitam e uma senhora tira fotos. Os passarinhos não devem
ter gostado nada do rebuliço. Encontrei um sabiá de mudança – atravessou na
minha frente em direção ao outro lado do jardim. Na banca, Paulão cochila à espera
de algum freguês. O supermercado estava praticamente vazio. Nos caixas, os
funcionários trocavam as novidades do início de ano. O ambiente no Metrô não
era diferente. Na verdade, era bem melhor graças ao ar condicionado dos vagões.
Desço na estação São Bento que cheira a hambúrguer desde que começou a
funcionar a praça de alimentação. Na rua, turistas seguem e ouvem o guia e
tentam achar uma sombra. Entre um compromisso e outro passo na livraria da
Imprensa Oficial só para não perder o costume. A Praça da Sé está cheia de
barracas – acho que é uma feira de alimentação, mas não tive vontade de
conferir. Na estação do Metrô, quase ninguém. Vagão vazio novamente. Lugar à
vontade. Todos parecem exaustos. Eu sentia falta da minha poltrona ao lado da
janela por onde sopra uma brisa no fim da tarde.
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