Ficar em casa
não é um problema para mim, mas não desfrutar os dias de abril que vai chegando
ao fim me frustra um pouco, entretanto, uso as idas ao supermercado para aproveitar
pelo menos um pouco desse mês tão simpático. “Mês de lagartear ao sol”, citando
Monteiro Lobato. A vizinhança se adaptou aos novos tempos: um idoso caminha
pela pracinha das 6 às 7 horas; outro, que jogava tênis, agora corre cerca de
um quilometro todas as manhãs; há um terceiro que deve estar se preparando para
as Olimpíadas das calendas gregas, pois corre, faz abdominais, saltita sob a
supervisão de um “personal trainer”
no quarteirão aqui de casa. Um exibido! Só de ver fico exausta. Nessas saídas necessárias, vejo que a prefeitura
aproveita para fazer recapeamento da nossa rua; notei que o uso de máscaras
aumentou bastante, mas ainda há muitos rebeldes; nos supermercados, há medidas
sanitárias evidentes ‒ pelo menos nos três ou quatro que costumo frequentar. Enquanto
algumas árvores floriram e já perderam as flores, outras começam a esbanjar
beleza e cor. Com a diminuição de veículos nas ruas, semáforos estão no amarelo
piscante ou simplesmente desligados. A última vez que peguei um ônibus foi em
12 de março, quando fotografei o cartaz da prefeitura de São Paulo alertando
sobre o vírus. E já era a única passageira. Continuam vazios. Se vou ao
supermercado no Largo Ana Rosa, uso a passagem subterrânea do metrô, que parece
abandonado: ninguém á vista. Uns poucos restaurantes estão abertos, mas a entrada
vetada: comida só para levar. As bancas de jornal funcionam e aproveito para
comprar um livreto de Sudoko, meu vício. Bom mesmo é observar que muitos comerciantes
adaptaram os negócios aos tempos difíceis: a loja de coisas domésticas funciona,
mas ninguém entra: o cliente faz o pedido na porta, onde há uma pequena fila,
todos mantendo distância adequada. Uma senhora que faz roupas de bebê, sem
clientes, usa os retalhos para produzir máscaras anatômicas e vai bem. Hora de
voltar para casa. Sem pressa.
segunda-feira, 27 de abril de 2020
sábado, 25 de abril de 2020
PARA UM SÁBADO DE QUARENTENA
Espero que todos estejam com esse ânimo. O filme “Três palavrinhas”,
dirigido por Richard Thorpe (1896-1991), tinha no elenco Fred Astaire
(1899-1987), Vera-Ellen (1921-1981) e Bob Hope (1903-2003). Fred Astaire ganhou
o Globo de Ouro de melhor ator de musical. A trilha musical é de André Previn
(1896=1991). Um ótimo fim de semana!
sexta-feira, 24 de abril de 2020
QUARENTENA: GELADEIRA X BALANÇA.
O filme, lançado
em 1963, trata dos esforços de um inspetor de polícia atrapalhado (Peter
Sellers) em perseguição a um ladrão famoso (David Niven) não só por sua audácia
como pelo charme junto às mulheres, uma delas a bela Claudia Cardinale. Entretanto,
a comédia dirigida por Blake Edwards tem dois componentes que ganharam espaço
próprio e até hoje são um sucesso: a música de Henri Mancini e o desenho
animado de uma desastrada Pantera-cor-de-rosa incluída nos créditos do filme. A
animação era uma alusão ao diamante cor-de-rosa da história e ao desastrado
inspetor Clouseau.
Com o sucesso do desenho, surgiu a série em 1964 vinculando
definitivamente a música à Pantera-cor-de-rosa, que pode ser vista na TV até
hoje envolvida em várias peripécias e quase sempre se dando mal. Do elenco
principal, apenas Robert Wagner (1930) e Claudia Cardinali (1938) estão vivos e Wagner
ainda faz aparições recorrentes na série NCSI, esbanjando simpatia.
quinta-feira, 23 de abril de 2020
DIA MUNDIAL DO LIVRO
Este ano a data tem uma conotação muito
especial. Os livros são uma ótima companhia neste período de quarentena, porque
podem nos transportar para onde quisermos. Folheando páginas ou rolando uma
tela, com eles podemos viver grandes aventuras, grandes paixões; resolver
crimes; conviver com fadas e bruxas; mergulhar nas experiências de grandes
cientistas; examinar os caminhos de grandes estadistas ou canalhas imortais;
descer ao fundo do mar ou subir aos céus; voltar ao passado que não vivemos ou
saltar para o futuro que não viveremos. Os livros são aqueles amigos silenciosos
que desenvolvem nossa imaginação, estimulam os sentidos (a descrição de uma
comida pode nos dar água na boca ou a beleza de uma melodia nos levar em busca da
música para desfrutar prazer igual); os livros despertam nossa curiosidade ‒ e
o que seria do mundo se não existisse a curiosidade? Qual o meu livro preferido?
Todos. Porque mesmo aquele que não me agradou contribuiu de alguma forma para minha
formação ‒ afinal, tive que desenvolver uma justificativa para não colocá-lo
entre os preferidos, ou seja, ele me fez pensar, analisar e mexeu comigo de
alguma forma. Receber um livro é sempre um elogio para mim, como a cópia de “Malerische reise in Brasilien” (Viagem
pitoresca ao Brasil), de Moritz Rugendas, encadernada com minhas iniciais, que
ganhei de um amigo. Lindíssimo! Tem um lugar especial em uma das estantes.
quarta-feira, 22 de abril de 2020
DIA DA TERRA
A Terra é nossa casa e hoje é o dia dela. Em quarentena, temos bastante tempo para refletir sobre os hábitos que precisamos mudar em nossas vidas
para preservar nosso Planeta.
terça-feira, 21 de abril de 2020
O ISOLAMENTO DO PODER
Sessenta anos de Brasília.
Depois de décadas, em 2019, voltei a Brasília para conhecê-la
melhor e a única coisa de que gostei foi do céu por onde as nuvens navegam
ameaçadoras ou alvas, rapidamente, de um lado para o outro, mudando a paisagem
de concreto. Uma cidade de prancheta, onde o homem comum, o povo, não se
encaixa. Cidade pensada para o poder.
segunda-feira, 20 de abril de 2020
CINEMA, MÚSICA E ISOLAMENTO (5)

Se há um ator cujos filmes sempre revejo com muito prazer ele é Cary Grant (1904-1986). Além de bonito e elegante, Cary Grant parece natural em praticamente todos os papéis. Em "Suzy" (1936), dirigido por George Fitzmaurice (1885-1940), ele "canta" para Jean Harlow (1911-1937). Como canta mal! E nem assim estragou a cena. Para conferir em mais esta segunda de isolamento.
domingo, 19 de abril de 2020
CINEMA, MÚSICA E ISOLAMENTO (4)
Ava Gardner (1922-1990) é considerada uma das
cinquenta melhores atrizes do século XX pelo American Film Institute, o que não significa que haja outras tão boas
quanto as estrelas relacionadas na lista da AFI (ou melhores). Fez filmes de
qualidade, mas não vi muitos. Lembro-me de “A condessa descalça” (1954), tenho
uma vaga lembrança de “55 Dias em Pequim” (1963), “O Sol também se levanta”
(1957), “Sete dias em maio” (1964) e “O barco das ilusões” (1951).
Em “O barco das ilusões” Ava Gardner cantou
para as câmeras, mas o que o público ouviu mesmo foi a voz de Annette Warren
(1922), cantora de jazz que dublava grandes atores. Aí vai a tomada com o som
original. A música é “Can’t help lovin’
that man”. Ava Gardener foi casada
com o ator Mickey Rooney (1920-2014), o músico Artie Shaw (1910-2004) e Frank
Sinatra (1915-1998). O casamento mais longo foi com Sinatra e depois do divórcio
não se casou mais ‒ talvez não tenha conseguido deixar de amá-lo...
sábado, 18 de abril de 2020
CINEMA, MÚSICA E ISOLAMENTO (3)
Robert Mitchum
(1917-1997) faz parte da lista de cinquenta melhores atores do cinema feita
pelo American Film Institute,
organizada quando o cinema completou um século (1999). Não concluiu os estudos,
teve uma vida errante e diversos tipos de trabalho para sobreviver, inclusive
como pugilista e fazendo textos para um astrólogo. A irmã o convenceu a se
reunir ao grupo de teatro onde ela atuava e assim ele começou - e até escreveu
peças para a companhia. Desistiu do teatro para trabalhar na indústria durante
a II Guerra, mas após um esgotamento nervoso e após se recuperar tentou o
cinema. A carreira no cinema começou em 1942 e já em 1945 foi indicado para o
Oscar de ator coadjuvante. Vi vários filmes estrelados por ele e gostei de
quase todos, mas não me lembrava de tê-lo visto cantando. E cantou em vários. Gravou
entre 1957 e 1967 dois álbuns e quatro discos. Basicamente country music. O filme que escolhi é de 1948, um western dirigido por Norman Foster, e
além de Mitchum tem no elenco o grande William Holden (1918-1981). Rachel é
interpretada por Loretta Young (1913-2000), outra estrela dos velhos tempos. Com
certeza não assisti ao filme, mas para um sábado caseiro não custa ouvir o
velho Mitchum. A propósito da sua personalidade lembro-me de uma entrevista,
que li quando estudava inglês, em que ele disse ao repórter que decidira ser
ator quando vira Rin-Tin-in: “Se ele consegue, eu também”.
sexta-feira, 17 de abril de 2020
CINEMA, MÚSICA E ISOLAMENTO (2)
COM TYRONE POWER QUE ENCANTAVA E... CANTAVA.
Vi poucos filmes
com Tyrone Power (1914-1958), acho que assisti a um ou dois de capa e espada e, décadas depois da estreia, “Testemunha de Acusação” (1957), dirigido por Billy Wilder. Gostei muito. Era um homem muito bonito e considerado bom ator. Ao longo da vida
curta foi soldado, atuou em rádio, teatro e cinema. Nunca ouvi falar que fosse
cantor, mas é possível ouvi-lo cantar um dos clássicos dos anos 1940 “Chattanooga Choo Choo”. Eu gosto demais
dessa música sobre um passageiro que espera o trem com destino a Chattanooga, no Tennessee, lançada por Glenn Miller e Orquestra em 1941. Boa
surpresa, embora não se possa imaginar Tyrone Power ganhando a vida como cantor
‒ pelo menos naquela época em que era preciso realmente cantar para vencer na
profissão. Vale como curiosidade e para que os mais jovens conheçam um pouco
dos grandes atores do século passado, graças à feliz ideia que alguém teve de
colocar a gravação no youtube. Boa
diversão para uma sexta-feira de isolamento. quinta-feira, 16 de abril de 2020
CINEMA, MÚSICA E ISOLAMENTO.
Cada um com suas
preferências. Eu, por exemplo, continuo fã de atores do século passado, aprecio
o jazz e as grandes orquestras americanas dos anos 1940. E buscando o que ouvir nesses dias tão
atípicos, encontrei uma joia rara que apresenta atores que não se destacaram em
musicais cantando em cena ou não.
O ator Rock Hudson (1925-1985) derreteu
o coração de jovens adolescentes especialmente como galã de Doris Day ‒ há quem
não goste, mas são bem divertidos. Ele estrelou bons filmes como “Assim Caminha
a Humanidade”, “Sublime Obsessão” e “Embrião” (ficção científica, que se tornou
um cult). Rock Hudson também foi
considerado um dos homens mais elegantes de Hollywood, junto com Cary Grant
(1904-1986).
Um dos três filmes que Hudson fez com
Doris Day foi “Confidências à meia-noite” (“Pillow Talk”). Uma história
açucarada em que a mocinha bem comportada e muito elegante divide telefone com
o vizinho nada comportado. Enfim, a trama fornece o tema da canção “Pillow Talk” que Doris Day (1922-2019)
canta deliciosamente. E que, surpreendentemente, Rock Hudson também gravou e
não se saiu mal. Depois de ouvir o CD, achei a gravação no Youtube. Pena que,
tanto no disco quanto na internet, não constem informações adicionais sobre a
gravação ‒ local, data e motivo. Vale conferir nesses dias em que sobra tempo.
quarta-feira, 15 de abril de 2020
MIGUEL E ARNALDO (2)
Os pais de Arnaldo Vieira de Carvalho eram de Santos, mas ele nasceu em
Campinas. O pai Joaquim José Vieira de Carvalho (1841-1899) era
advogado, foi vereador em Santos, deputado no Império, época em que viveu em
Campinas; e vice-presidente da Província de São Paulo (vice-governador) e
senador estadual na República. Arnaldo estudou na Faculdade de Medicina do Rio
de Janeiro (1883-1888) e nas férias frequentava a Santa Casa de São Paulo, onde
atuava seu professor Pereira Barreto. Após a formatura começou a trabalhar na
Hospedaria dos Imigrantes em Santos, vindo depois para a Santa Casa de São
Paulo e em 1895 se tornou o primeiro Diretor Médica da Santa Casa de São Paulo.
Em
gestão de Arnaldo de Carvalho desenvolveu na instituição um ambiente de ensino,
que sempre pautou vida do médico. No início do século XX, São Paulo sofria com
a falta de profissionais para atender à demanda crescente de doentes. A cidade,
com crescente população, ainda não tinha uma faculdade de medicina, deficiência
que Arnaldo de Carvalho tratou de enfrentar, capitaneando a campanha para a
fundação da Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo (atual Medicina USP).
Arnaldo
de Carvalho queria a melhor escola e assim viajou durante oito meses pelo
exterior, visitando as melhores escolas
de medicina da época para instalar em São Paulo uma faculdade de medicina de
alto padrão. Enfim, em 1912 o Governo do Estado de São Paulo assinou decreto
criando a Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo e no dia 2 de abril de 1913
a Faculdade iniciou suas atividades, nas instalações da Escola de Comércio
Álvares Penteado.
Mais
uma vez investimento em educação voltada para benefício de todos. Arnaldo de
Carvalho “estruturou o curso preliminar de um ano e o geral de cindo anos, com
o total de 28 cadeiras. Segundo sua orientação, o ensino deveria ter base
científica e experimental, com destaque para a pesquisa e os testudos
laboratoriais, o que assegurou inicialmente a contratação de professores
estrangeiros. Mais tarde, a partir de 1916, as concepções vigentes permitiram a
aproximação e posterior efetivação de acordos com a Fundação Rockfeller”.
(Arquivo Histórico/Fundação Faculdade de Medicina da USP, janeiro 2020.)
Com
a Faculdade de Medicina implantada os métodos cirúrgicos foram atualizados e
introduzidas recentes conquistas científicas. Arnaldo Vieira de Carvalho preocupou-se
com os problemas médicos aliados às questões sociais, apoiou as campanhas de
vacinação e defendeu a melhoria das condições sociais da população
(alimentação, moradia, ambiente). Esteve na linha de frente ao combate da epidemia
da Gripe Espanhola em 1918 junto com os alunos, como já havia participado junto
com Oswaldo Cruz do combate à epidemia de febre amarela que atingiu São Paulo e
Campinas em 1889l.
Para
o professor da Faculdade de Direito Frederico Vergueiro Steidel (1867-1926)
“Arnaldo era o médico dos desprovidos, aquele que se inquietava com a dor dos
pacientes da Santa Casa”.
![]() |
| Mostra: Arnaldo Vieira de Carvalho e a Faculdade de Medicina/USP, no Arquivo Público do Estado de São Paulo (janeiro 2020). |
Dr.
Arnaldo participou da solenidade de lançamento da pedra de fundamental do
edifício da faculdade, mas morreu logo depois, vítima de uma infecção causada
por um corte na mão com um bisturi. Novamente, chama atenção a grande
popularidade do médico pela afluência de admiradores ao ao préstito fúnebre. A
Faculdade de Medicina da USP é conhecida como Casa de Arnaldo e a antiga
Avenida Municipal em 1931 ganhou o nome do Dr. Arnaldo.
terça-feira, 14 de abril de 2020
MIGUEL E ARNALDO (1)
Médicos! Ah! Os
médicos! Há quem os ame. Há quem abomine, mas na hora do aperto todos recorrem
a esse profissional que cuida dos simples mortais ignorantes do que se passa em
suas entranhas. É verdade que muitas vezes se veem lidando com situações que
lhes são obscuras, mas que nem por isso deixam de enfrentar e fazem o melhor
que podem para aliviar o sofrimento dos enfermos. No momento, eles estão na
linha de frente combatendo o novo Coronavírus 19.
Dois médicos
brasileiros foram amados especialmente pela população: no Rio de Janeiro,
Miguel Couto (1865-1934), em São Paulo, Arnaldo Vieira de Carvalho (1867-1920).
Miguel Couto e Arnaldo Vieira de Carvalho tiveram origens muito diferentes, mas
trabalharam com o mesmo empenho pelo desenvolvimento da medicina e a
modernização do ensino no Brasil.
Os mais velhos primeiro.
Miguel Couto nasceu na zona portuária do Rio de Janeiro. Quando o pai Francisco
de Oliveira Couto morreu, a mãe Maria Rosa do Espírito Santo teve que mudar com
os quatro filhos para Niterói e trabalhar para o sustento da família. “Minha
mãe costurava dia e noite para extrair do anonimato de nossa pobreza um doutor”,
disse Miguel Couto. Ainda no curso fundamental (ginásio), trabalhava em uma
farmácia para ajudar nas despesas e aos 14 anos era calouro da Faculdade de
Medicina; no quarto ano tornou-se interno da enfermaria da Santa Casa de
Misericórdia; passou em primeiro lugar no concurso para interno; formou-se aos
20 anos e dedicou-se à Medicina, que norteou também a sua passagem pela
política como deputado constituinte.
O médico carioca tinha consultório particular, visitava os pacientes em
casa, trabalhava na Santa Casa, lecionava na Faculdade de Medicina e ainda
passou pela política concentrando suas ações na educação. Clínico geral, ele começou
pesquisando a febre amarela e como professor implantou várias inovações. É
célebre a conferência que fez na Associação Brasileira de Educação em 1927 e
que serve como uma luva para os dias que correm:
“A ignorância é uma calamidade pública como a guerra, a peste, os
cataclismos, e não só uma calamidade, como a maior de todas, porque as outras
devastam e passam, como tempestades seguidas de céus de bonança; mas a
ignorância...”
[...]
A educação do povo é o nosso primeiro problema nacional; primeiro porque
o mais urgente; o primeiro porque resolve todos os outros; primeiro, porque
resolvido, colocará o Brasil a par das nações mais cultas, dando-lhe proventos
e honrarias e lhe afiançando a prosperidade e segurança; e se assim fez-se o
primeiro, na verdade se torna o único.”
Enfim, ele resumiu a questão muito bem no título da palestra: “No Brasil,
só há um problema nacional: a educação do povo.”
A morte de Miguel Couto causou uma comoção nacional com manchetes em quase
todos os jornais. E para o JORNAL DO BRASIL os funerais do professor Miguel
Couto ”tiveram um cunho de verdadeira apoteose”. A despedida reuniu o povo, políticos, intelectuais e amigos que chegaram a paralisar as ruas do Distrito Federal.(Primeira página do DIÁRIO CARIOCA, Fundação Biblioteca Nacional.)
segunda-feira, 13 de abril de 2020
DIÁRIO DO CONFINAMENTO: E LA NAVE VA.
Quem costumava dizer que “odeia as segundas-feiras”, provavelmente, nunca imaginou que um dia viveria segundas-feiras com jeito de domingos ou feriados... E nada estimulantes porque o ambiente além das portas de cada um de nós tornou-se hostil, ameaçador. Nem todos, entretanto, têm portas para fechar. Enfim, é segunda-feira. Ficamos em casa. Quase metade de abril... “Monday, Monday”. Um amigo enviou este link do grupo norte-americano que fez sucesso na metade da década de 1960. "The Mamas & The Papas" não faz parte da minha história, mas é segunda-feira.
domingo, 12 de abril de 2020
2020: SEM DESFILE DE PÁSCOA
O filme dirigido por Charles Walters (1911-1982) é um
clássico prazeroso de se ver em qualquer época do ano. O roteiro é de Sidney
Sheldon cujos romances “água com açúcar” foram Best Sellers do século XX. Walters,
por sua vez, fez dois outros grandes filmes: “Hight Society” e “Lili”. Em
tempos de coronavírus o bom senso manda evitar as ruas, assim nada melhor do que ficar entre quatro paredes e se
divertir com os esforços do personagem para roubar do garoto o último coelho disponível
na loja. O filme é de 1948.
PÁSCOA E ISOLAMENTO
O czar Alexandre III (1845-1894) da Rússia encomendou
ao joalheiro Peter Carl Fabergé (1846-1920) um ovo para presentear a
esposa Maria Feodorovna (1847-1928) na Páscoa de 1885. O presente foi um imenso
sucesso e o czar passou a oferecer aos familiares os “ovos Fabergé” nos anos
seguintes e membros da nobreza aderiram à moda. Atualmente, existem apenas 57
dos 65 ovos Fabergé grandes e dos cinquenta ovos imperiais restam somente 42. Material
usado pelo joalheiro: ouro, prata, platina, diamante, rubi e jade.
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| Memory of Azov Egg (1891). Localização: Moscow Kremlin Armoury. Foto: Stan Shebs, Wikipedia. |
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| Alexander III Equestrian (1910). Moscow Kremlin Armoury. Foto: Stan Shebs, Wikipedia. |
sábado, 11 de abril de 2020
CONFINAMENTO E VIAGENS VIRTUAIS...
sexta-feira, 10 de abril de 2020
CONFINAMENTO E O EXPRESSO ORIENTE
Istambul. Manhã
tórrida. Caminho por uma rua estreita e movimentada. Gente e veículos ainda dividem
o espaço com um bonde. Chego ao porto de onde partem os barcos para Uskudar, no continente asiático, meu destino. Antes
faço uma visita à gare moderna onde fica a antiga estação terminal do luxuoso Orient Express (Expresso Oriente). O
trem fez a rota Paris-Istambul no século passado até 1977. Agatha Christie, Ian
Fleming e Graham Green escreveram histórias tendo o trem como cenário e o
cinema trilhou o mesmo caminho. Ao longo dos anos o itinerário do Expresso
Oriente mudou muito, especialmente, por questões políticas.
A
velha sala de espera está vazia; alguns garçons circulam à espera de clientes no
restaurante, onde mesas cobertas com toalhas e louça brancas mais parecem peças
de um cenário abandonado. Visito um pequeno museu ferroviário no fundo da
estação moderna. Uma funcionária atenciosa dá informações sobre os objetos em
exibição. Entre as raridades um gato cochila tranquilamente. Um cartaz no saguão
informa que à noite haverá uma apresentação de dervixes rodopiantes (confraria
religiosa muçulmana que virou atração turística). Num cercado na parte externa
da estação, encontra-se uma velha locomotiva do Oriente Expresso. Tempo de pegar o barco para atravessar o Bósforo.
quinta-feira, 9 de abril de 2020
VIAGENS EM TEMPO DE CONFINAMENTO
Essa viagem de
trem pelas lembranças me transporta a uma cidade do interior da França. Não
lembro qual. Teria que pegar o diário, mas não tenho certeza do ano. Costumo
escolher uma cidade estratégica para ficar e explorar o entorno em viagens de
um dia. Foi assim que, após uma jornada pela cidadezinha, fui para a gare e
como estava adiantada sentei-me em um banco que ficava entre as duas portas de
acesso à plataforma de embarque.
![]() |
| Vagão de trem da Normandia, região francesa muito chuvosa. |
É sempre revelador observar as pessoas em trânsito por estações e
aeroportos. Chegou um trem, desceram algumas pessoas e, de repente, elas apareceram.
À frente vinha a professora seguida por umas dez ou doze meninas entre oito e
nove anos. Vinham em fila dupla puxando suas malinhas, por ordem de tamanho,
menores à vanguarda. As duas meninas da frente tinham os cabelos penteados em
cabeleireiros, impecáveis; as roupas eram muito bonitinhas, novas, mas com um
jeito meio antigo. Caminhavam como duas princesas. Confiantes. As demais não chamavam
tanta atenção. Eram crianças bonitas, saudáveis e bem arrumadas. No final do
batalhão, um tanto atrasada, vinha uma garota muito magra, cabelos loiros escorridos
como o vestido que usava, simples e gracioso. Parecia exausta e logo descobri o
motivo do cansaço. Era a única cuja mala não tinha rodinhas e, embora não fosse
grande, a maleta devia ser pesada para ela. Mais duas professoras cuidavam para
que as ovelhinhas não se perdessem. Muito bem comportadas, passaram em silêncio
em direção à saída, mas ficaram na minha memória.
![]() |
| Cartões postais ressaltam com bom humor o mau tempo da Normandia. |
O LEÃO CONFINADO
Nosso
leão praiano em confinamento? Em janeiro do ano passado, caminhando pelos
jardins da praia notei o leão isolado por essa fita plástica e achei a cena
divertida. Esse leão faz parte da infância de milhares de pessoas, santistas ou
não, que frequentaram ou passaram pela praia do Gonzaga. Quem não tem uma foto
no baú fazendo pose em cima do felino? Ele continua firme à disposição das
novas gerações. Santos, 30 de janeiro de 2019.
quarta-feira, 8 de abril de 2020
VIAGEM EM TEMPO DE ISOLAMENTO
Ontem peguei o trem sem destino. E me lembrei de Paul Teroux (1941),
autor de O Grande Bazar Ferroviário:
“(...) as ferrovias são irresistíveis bazares, serpenteando perfeitamente
nivelados qualquer que seja a paisagem, melhorando seu estado de ânimo com sua
velocidade sem jamais derramar seu drinque. O trem pode inspirar segurança em
lugares muito desagradáveis – muito diferente dos suores de pânico provocados
pelos aviões, do odor nauseabundo dos ônibus de longa distância, ou da
paralisia que aflige os passageiros de automóveis. Se um trem é grande e
confortável, pouco importa seu destino: um assento num canto basta e você pode
ser um daqueles viajantes que permanecem em movimento em cima dos trilhos, e
nunca chegam nem sentem que precisam chegar – como aquele homem de sorte que
passa a vida nos trens da ferrovia italiana porque é aposentado e tem um passe
livre”.
Já que não é possível sair de casa sempre há o maravilhoso “Trenzinho do
Caipira” de Heitor Villa-Lobos e a imaginação para nos levar a qualquer lugar. Amo trens.
(Bacchianas Brasileiras
Nº2 - IV Tocata (Trenzinho do Caipira), Orquestra Sinfônica Brasileira, regência
Maestro Roberto Minczuk.)
| Palácio das Indústrias, São Paulo. |
| Estação da Luz. |
terça-feira, 7 de abril de 2020
BRIGA, PRAÇA, ARTE E CONFINAMENTO.
Hoje o dia
começou com uma briga e tanto! Abri as janelas bem antes das 7 horas, quando vi
os elementos em ação. Parecia briga de gangue. O zangado do grupo não encontrou
páreo para suas arremetidas. Alguns até se defenderam o suficiente para não
fazer feio, mas logo se punham em retirada! Na verdade apenas se afastavam do
brigão que andava de um lado para o outro e voltava ao ataque, pondo todos para
correr. Não sei como terminou o confronto. Esse confinamento está mudando meu
comportamento. Quem diria que eu ficaria à janela uns 10 minutos assistindo passarinhos
a brigar por quirera na cobertura da passarela do prédio! (7/04/20) Foto: Wikipedia.
Sete de abril,
dia do jornalista. O bairro homenageou pelo menos três jornalistas: José do
Patrocínio (1853-1905), Paula Ney (1858-1897) e José Carlos de Moraes
(1922-1999). José do Patrocínio foi muito amigo de Paula Ney. Por coincidência
ou de propósito as duas ruas que levam o nome deles se reúnem numa esquina.
José Carlos de Moraes, entretanto, não teve tanta sorte: os vereadores deram o
nome dele a uma nesga de terreno que chamam de “praça”, na confluência das Ruas
Brás Cubas com Topázio. Moraes formou-se em Direito (Largo de S. Francisco),
começou a carreira no rádio e mais tarde passou para a televisão (TV Tupi). Entrevistou todos os papas da sua época e não
hesitou em subir no carro do presidente norte-americano Dwight Eisenhower
(1890-1969) para entrevistá-lo. Viajou pelo mundo fazendo grandes reportagens.
Na verdade, era mais conhecido como “Tico-tico”.
Há 500
anos morreu o grande pintor e arquiteto italiano renascentista RAFAEL DE SANZIO. Ele morreu no dia 6 de abril, quando completaria 37 anos. RAFAEL (1483-1520) fez parte da trindade encabeçada por Leonardo da
Vinci e Michelangelo. É considerado o mais perfeito dentre eles “capaz de unir
a forma da estatuária clássica à naturalidade da expressão humana,
interpretando o modelo de classicismo que se desejava - uma síntese especial de
beleza, elegância e naturalidade, chamada de graça pela crítica da época”.
Opinião de Elisa Byington, curadora da mostra “Rafael e a Definição da Beleza”,
promovida pelo Centro Cultural SESI em 2018.
![]() |
| Escola de Atenas (1509), Museu do Vaticano. |
segunda-feira, 6 de abril de 2020
O TRABALHO E OS DIAS
(Com meu pedido de desculpas a Hesíodo* pelo uso do título de sua obra.)
| 1970: De barco em avenida alagada. |

1970: Entrevistando Leila Diniz na praia do Gonzaga.
| Anos 1980: reportagem na General Motors do Brasil. |
| Anos 1990: entrevista no telhado do Museu Paulista. |
![]() |
| Anos 1990: com trabalhadores do Projeto Pomar. |
| Final dos anos 1990: reportagem no Parque Estadual fa Ilha do Cardoso. |
| No princípio, a máquina de escrever. (Foto: anos 1980.) |
| Na era da informática: final dos anos 1990. |

*Poeta grego do Hesíodo do século VIII A.C.
CONFINAMENTO E COMEMORAÇÃO
Em
1970, quando estava no último ano do Curso de Jornalismo, comecei a estagiar no
Jornal CIDADE DE SANTOS exatamente no dia 6 de abril, também uma
segunda-feira. Não lembro quem era o chefe de reportagem, mas
a entrevista para o estágio foi com Argemiro De Paula,
na semana anterior. A sugestão para fazer o estágio foi de Nilton Tuna, colega de classe e
que já trabalhava no jornal. Deve ter sido difícil na ocasião superar a timidez,
minha principal característica, o que naturalmente não escapou à observação de
De Paula. Ao me despedir, não sei como, ele deu
um jeito de colocar um grampeador dentro da minha bolsa. Já estava perto de casa, quando descobri o objeto
estranho, e sem entender como ele fora parar lá, voltei
imediatamente à
redação para devolvê-lo. De Paula não
esperou que eu saísse para espalhar o resultado da brincadeira, a primeira de muitas
que fizeram (De Paula, João Sampaio, Alci e Itamar) até que um dia superei a
timidez.
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| Idos de 1970: plantão de fim de semana na redação à procura de notícia. |
E como era praxe, nos primeiros dias, o foca acompanhava um
jornalista para aprender a rotina do jornal e
a premiada para a tarefa foi Ercília Feitosa.
A pauta era sobre o Dia Mundial da Saúde (7 de abril) e lá fomos nós duas à
secretaria municipal, ocupada pelo médico Áureo Rodrigues, para saber da programação para
a data e outros que tais. Faz tempo, hein, Ercília? Fui contratada em 1º de maio de
1970, junto com o repórter fotográfico Mario Tadei, o italiano.
Alguém já disse
que se você fizer o que gosta, não trabalhará nunca. Acho que é verdade. Claro
que houve dias de tormenta, que fazem parte da vida. No CIDADE DE SANTOS, aprendi
com grandes profissionais, fiz grandes amigos, muitos dos quais me incentivaram
a explorar mais a fundo o fantástico mundo da literatura, do cinema e do teatro
(principalmente Elaine Saboya, Roberto Peres e Zezé Gonçalves). Como ainda
estudava música, Eduardo Leite sempre aparecia com novas gravações de
compositores eruditos. Zezé Gonçalves, com suas viagens e as narrativas de suas
aventuras pelo mundo, foi (e continua sendo) o meu modelo.
Enfim, comemoro
50 anos de profissão. Uma profissão que me deu prazer, algumas vezes exigiu
sacrifícios, mas principalmente me proporcionou ao longo do caminho um grande
aprendizado e amigos maravilhosos.
A comemoração, como não poderia deixar de ser, será em casa.
A comemoração, como não poderia deixar de ser, será em casa.
(De Paula, João Sampaio, Alci, Eduardo Leite, Roberto Peres e Itamar, infelizmente, já faleceram.)
domingo, 5 de abril de 2020
sábado, 4 de abril de 2020
DIÁRIO DO CONFINAMENTO
Vivemos uma
experiência estranha em que as segundas-feiras são iguais ao domingo; o
domingo, igual à terça-feira... Bem cedo abri as janelas. A praça e as ruas,
vazias. Mais tarde ouvi crianças aproveitando o sol e quando saíram chegou
Adiles (85) para bordar no banco ensolarado, mas o sol continuava seu caminho e
na praça restou apenas uma sombra agradável. A bordadeira (que conheço há uns
40 anos) também se recolheu. Não preciso sair para tomar sol, momento que
aproveito para começar a leitura do dia.
Nesse período de confinamento, terminei de ler “A História da Loucura” de
Foucault. Vinha lendo aos poucos desde fevereiro. Reli alguns contos de Rex
Stout (sempre agradável), Scott Fitzgerald ("Sonhos de Inverno") e folheei “O Diário de Anne Frank”; e retomarei em breve
“Uma história da leitura”, de Alberto Mangel, pois agora
me distraio com a “História do Quarto”, que li anos atrás e da qual transcrevo
este parágrafo:
“Poder fechar sua
porta, abri-la a quem se quer; entrar, sair, ter a chave de um lugar, quatro
paredes onde se refugiar, tece o desejo do quarto. ‘É preciso ficar em seu
quarto e cultivar seu jardim. É lá que brotam as flores da imaginação’”, diz Jean
d’Ormesson ao entardecer de uma vida da qual escrever foi a melhor parte. ‘Não é
necessário que saias de tua casa. Fica à mesa e escuta’, diz Kafka. Esses
escolheram sua toca, prontos a nela correr os riscos e a sentir as angústias. Outros
aí se resignaram. Outros, por sua vez, suportaram as pressões de um mundo
hostil.” Michelle Perrot (1928), historiadora francesa.
"Y así pasan los días...", como já dizia o cubano Osvaldo Farrés na sua famosíssima "Quizás, quizás, quizás". É, também andei ouvindo boleros.
O quarto em Arles (1888), Van Gogh (1853-1890).
sexta-feira, 3 de abril de 2020
SEMPRE HÁ O QUE APRENDER
Abril de 2020. Nessa situação
de confinamento que enfrento com livros, discos, DVDs e trabalho caseiro, considero
que estamos em um isolamento peculiar. Se nos recolhemos para nos resguardarmos
do Coronavírus-19 também estamos preservando a saúde de todos que nos cercam.
Parece paradoxal a ideia de que uma atitude egoísta gere solidariedade.
Vivermos no século XXI tem
suas vantagens. Nosso enclausuramento físico, graças à tecnologia, permite que
continuemos a ver e a conversar com familiares e amigos; em muitos casos a
continuar trabalhando e estudando sem sair de casa; saber tudo o que acontece ao
redor do mundo em tempo real e discutir as atitudes de governos diante da crise
mundial de saúde; dar palpites para a solução de problemas de todos os tipos;
brigar pelas ideias (sejam elas quais forem); reencontrar amigos distantes e
até descobrir talentos insuspeitos (alguns até suspeitos) para passar o tempo. Sem
contar toda rede de entretenimento disponível em aparelhos celulares que
funcionam a um toque de nossos dedos. Comida e remédios não são problema (para
quem pode e há milhões de excluídos), basta um telefonema e ela chega.
Feliz ninguém pode estar, quando as notícias são tão amargas e as perdas tão
grandes.Vivemos uma situação de guerra contra um inimigo invisível, preocupados com as consequências,
especialmente econômicas, e psicológicas do confinamento. Em nosso mundo de
conforto, os pequenos incômodos ganham proporções catastróficas.
| Pequena estátua de Anne Frank na rua do Museu. |
No diário, ela descreve os dois
anos miseráveis que enfrentaram, vendo apenas as duas ou três pessoas que se
arriscavam para levar comida para eles. Os nazistas localizaram o esconderijo
em agosto de 1944 e todos foram levados para campos de concentração. Anne morreu de tifo no campo de Bergen-Belsen,
na Alemanha em 1945.
A experiência deles não foi
única durante a II Guerra e nem comparo a que vivemos com a dos moradores do
Anexo Secreto, mas sem dúvida é um relato cheio de lições que podemos
aproveitar muito e sempre.
(Visitei a Casa de Anne Frank em Amsterdam em
2008).
quinta-feira, 2 de abril de 2020
DIÁRIO DO CONFINAMENTO
Os portugueses trouxeram para o Brasil a devoção a São Gonçalo
do Amarante (1187-1262) que prosperou, especialmente pelas terras do Norte, Nordeste e Sudeste. É padroeiro de duas cidades homônimas: uma no Ceará e outra no Rio
Grande do Norte; no Rio de Janeiro, fica o município de São Gonçalo. Minas
Gerais tem São Gonçalo do Abaeté, São Gonçalo do Pará, São Gonçalo do Rio
Abaixo e São Gonçalo do Sapucaí. Na Bahia, São Gonçalo dos Campos, enquanto
naturalmente São Gonçalo do Piauí fica no estado do Piauí. Nesta cidade
realiza-se o Baile de São Gonçalo, festa folclórica concorrida, enquanto o
município de Ibituruna (MG) promove congada e folia de São Gonçalo em honra ao
santo.
Os portugueses
trouxeram também a viola lá pelos idos de 1530, o primeiro instrumento
difundido nas novas terras. A viola caipira tem origem no alaúde,
instrumento árabe que chegou à Península Ibérica com as invasões mouras, e com
o tempo se transformou na viola cuja característica é a corda dupla. “Cada
conjunto de cordas da viola é chamado de ordem. Ou seja, é um instrumento de
cinco ordens, porém duplas. O som é mais agudo que o do violão”, de acordo com
o maestro Rui Torneze, que em 1997 criou a Orquestra Paulistana de
Viola Caipira, (Entrevista: Itaú Cultural).
“Ora viva São Gonçalo”, de Paulo Vanzolini (1924-2013).
quarta-feira, 1 de abril de 2020
DIÁRIO DO CONFINAMENTO
Sombrio mês de março, que
passou nos deixando tristes memórias, angústia, incertezas... Abril também promete ser
difícil, longe do delicioso “claro mês das garças forasteiras”, descrito por Vicente
de Carvalho.
“Abril, sorrindo em flor
pelos outeiros,
Nadando em luz na oscilação das ondas,
Desenrolava a primavera de ouro:
E as leves garças, como folhas soltas
Num leve sopro de aura dispersadas,
Vinham do azul do céu turbilhonando
Pousar o voo à tona das espumas...”
Nadando em luz na oscilação das ondas,
Desenrolava a primavera de ouro:
E as leves garças, como folhas soltas
Num leve sopro de aura dispersadas,
Vinham do azul do céu turbilhonando
Pousar o voo à tona das espumas...”
Música sempre ajuda a superar os tempos difíceis que vivemos. Lembrei-me do filme que fez suspirar as garotas da minha época.
Pat Boone (1934) devia ter continuado só cantando.
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