A
Mooca foi um dos grandes polos industriais da cidade. Um rápido olhar pela
lista de empresas instaladas naquela região há um século é possível imaginar
que quase tudo que se precisava era produzido ou passava por lá – desde velas e
sabão, a fósforos, chuveiros, tecidos, biscoitos, açúcar, panetones, sapatos de
qualidade e alpargatas e cerveja. O trajeto do trem da Linha 10 – Turquesa
Brás-Ipiranga dá uma percepção do que era a região na primeira metade do século
passado: uma longa sequência de galpões industriais, agora abandonados, a
maioria semidestruída. A ferrovia foi o motivo da instalação das indústrias
naquela área, pois facilitava o transporte dos insumos e das mercadorias.
A
Mooca é um bairro de muitas origens – a italiana predominava, mas ali conviviam
alemães, franceses, escoceses, libaneses, holandeses, espanhóis e portugueses entre
outros. Uma das primeiras indústrias instaladas na Mooca foi a Cervejaria
Bavária, fundada em 1892 pelo alemão Heinrich Stupakoff (1856-1920), numa área
de 23 mil metros quadrados, na Avenida Bavária, atual Presidente Wilson, 307. As
instalações da empresa incluíam um depósito de cevada, um edifício destinado a
adegas, uma chaminé de cinquenta metros de altura e um conjunto de casas para
operários. Havia ainda no local dois poços artesanais com 130 m de profundidade
e capacidade de 250 mil litros de água para a fabricação do gelo e da cerveja –
em caso de falta d’água no bairro, a população recorria à empresa.
Em
1904 a Companhia Antarctica Paulista – Fábrica de Gelo e Cervejaria, que
nascera modesta, já havia crescido a ponto de adquirir o controle da Cervejaria
Bavária. A Antarctica surgiu a partir da sociedade de outro alemão, Louis
Bücher, proprietário de uma pequena cervejaria, com Joaquim Salles, dono de um
matadouro e uma pequena fábrica de gelo subutilizada, na Água Branca, nas imediações
das ferrovias SPR e a Sorocabana. O empreendimento foi um sucesso: em 1895, a
companhia tornou-se sociedade anônima e em 1904 ao adquirir a Bavária, mudou para
a Mooca.
Uma
empresa tão poderosa que construiu uma área de lazer de trezentos mil metros
quadrados para os funcionários, onde havia campo de futebol, quadra de tênis,
pista de atletismo, parque infantil, restaurantes e, naturalmente, uma
choperia. Esse era o Parque Antarctica,
que também desapareceu.
Estes
foram alguns dos empreendedores que transformaram a Mooca num dos bairros mais
importantes da história da cidade: Heinrich Stupakoff – Cervejaria Bavária, depois
comprada pela Antarctica; Donato Di Cunto – padaria e confeitaria,
firme e forte no mesmo endereço; Francisco Matarazzo – Indústrias Reunidas
Matarazzo; Alessandro Lorenzetti – fábrica de parafusos; Pierre Duchen –
biscoitos amanteigados; Vittorio Migliora – Fiat Lux; Egidio Pinotti Gamba–
Moinhos Gamba ou Moinho Santo Antônio; Robert Fraser – Alpargatas; Irmãos Giuseppe e Nicola Puglisi Carbone – Companhia
União dos Refinadores – Açúcar e Café entre muitos outros.












































