terça-feira, 16 de setembro de 2025

AH! ESSAS CRIANÇAS!

 O ônibus para, o motorista abre a porta, subo, dou boa tarde, mas já sei que não terei resposta. O motorista é um mal-humorado crônico. Sentei-me num banco da frente e lá fomos nós! Dois pontos depois alguns passageiros aguardam e, entre eles três ou quatro estudantes do ensino básico. Devem ter dez anos, mas estão agitados. Correm, riem e se estapeiam. O motorista para o coletivo, os adultos entram e os garotos continuam a brincadeira até que um gritou para o motorista esperar e coleguinha vem correndo sobe os dois degraus, ri e desce dizendo que não vai. Do meu camarote imagino a cara do motorista. Com uma cara marota, o moleque para em frente à porta que o motorista não fechara. Diante do silêncio, ele joga a isca:

– Por que não fechou a porta? Eu não vou.

Uma atitude obviamente desafiadora. Uma isca que o zangado ao volante engoliu, quando perguntou calmamente:

 – O que você está aprendendo na escola?

O rostinho do moleque brilhou:

– Porra nenhuma! – gritou o sapeca mal-educado.

Silenciosamente, o motorista fechou a porta e entrou no trânsito modorrento de uma terça-feira da última semana de inverno.

Isto é apenas um relato. Evidentemente, a educação é dada em casa. Respeitar as pessoas é fundamental. Quanto ao motorista, ele disse algo que costumo ouvir muito pelas ruas - a atribuição à escola de uma tarefa que cabe aos pais.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

VIDA NOTURNA

 

Ontem, a caminhada noturna pelo Centro Histórico foi decepcionante: em vez de caminhar o grupo foi convidado para assistir a um espetáculo gratuito do Festival Internacional de Palhaços. O evento tem importância cultural, sem dúvida, mas não gosto de palhaços. Assim, bati em retirada. De todo jeito valeu caminhar da Rua da Consolação até a Praça Roosevelt, que fica melhor à noite do que durante o dia.

    No caminho, vejo um quarto de uma parede só... Sem ninguém, embora não pareça abandonado. No chão, o colchão com a coberta bem arrumada; há uma mesinha posta e três livros. Duas cadeiras e vasos com plantas dão uma certa privacidade ao leito. Há duas lixeiras. Cenário?

    Lembro-me, não sei porquê, da música de Noel Rosa “O orvalho vem caindo”, embora não haja semelhança com a cena. A cama não é uma folha de jornal; a noite tem lua às vezes envolta em nuvens, nada de orvalho e as poucas estrelas visíveis ainda estão lá no céu... Caminho até a Avenida São Luís, agora tranquila, para pegar o ônibus. No ponto, dois homens aguardam sentados e conformados.





sábado, 6 de setembro de 2025

CENA BUCÓLICA

Hoje, na Vila das Mercês, depois de alguma andança, me dirigia ao ponto de ônibus, quando observei mais à frente um casal em plena colheita. Ah! Que cena! Lembrei-me da infância quando a nespereira do quintal de casa ficava carregadinha, fazendo a alegria da família e dos passarinhos, sem contar os nossos papagaios que adoravam a fruta. A árvore da Vila das Mercês também estava carregada e, generosa, estendeu os galhos para a calçada.







PAISAGEM

 Minha rua quinta-feira. Um luxo só. Inverno chegando ao fim com ares de primavera e uma lua cheia para lobisomem nenhum botar defeito.




domingo, 31 de agosto de 2025

DOMINGO NO MINHOCÃO

 

Hoje o passeio foi pelo Elevado Costa e Silva que, de acordo com a população, é simplesmente Minhocão. Fico com o povo: fui passear no Minhocão. O elevado tem 2.500 m de extensão; liga a Zona Oeste a partir da Praça Roosevelt à Zona Leste, terminando na Avenida Francisco Matarazzo. Os cinco acessos intermediários contribuem com mais 900 m. O objetivo da obra: desafogar o trânsito da cidade. O projeto do arquiteto Luiz Carlos Gomes Cardim Sangirdadi foi recusado pelo prefeito Faria Lima; quando o engenheiro Paulo Maluf assumiu a prefeitura paulistana, construiu o viaduto em onze meses e deu à obra o nome do seu padrinho: General Costa e Silva. O povo, entretanto, não perdoou e a obra-prima de Maluf virou Minhocão. A inauguração aconteceu em 24 de janeiro de 1971, com um tremendo congestionamento.

Não vou contar a história do Minhocão, porque daria uma novela – aliás, a polêmica foi registrada por Jorge Andrade na novela O Grito (1975/1976), mas ele já apareceu também em filmes. Passei poucas vezes por lá e, provavelmente, de ônibus; estou mais familiarizada com os baixos do viaduto – que eu me lembre da Avenida Amaral Gurgel até a praça Marechal Deodoro. Neste domingo, achei que era tempo de corrigir essa falha e assim fui até a Praça da República de metrô, segui pela Avenida Ipiranga até a Rua da Consolação, onde começa o viaduto. Ainda deu tempo de olhar o velho Teatro de Arena Eugenio Kusnet e a Igreja da Consolação em restauro.

É estranho ver o viaduto sem veículos e pessoas caminhando despreocupadas. Parece verão. Público heterogêneo – jovens, adultos e idosos; alguns sentados de olho no celular ou conversando com amigos; outros lendo (sim, lendo) livros. Há um espaço com jogos (dama e xadrez) e brinquedos. Um pai ensina a filha a jogar xadrez; muita gente toma sol como se aqui fosse o Gonzaga e saboreia água de coco. Não há vendedores. Em caso de necessidade, não faltam banheiros químicos.

O que me surpreende? A tranquilidade que paira pelo viaduto. Que bom! Estou interessada nas ruas lá embaixo – Major Sertório, General Jardim, Marques de Itu, Santa Isabel, Jaguaribe... De repente uma algazarra. Localizo a origem: uma enorme feira de domingo lá embaixo na Rua Sebastião Pereira. Uma infinidade de barraquinhas. Último dia de agosto, último domingo do mês e a freguesia parece disposta a gastar. Adiante, o Largo Santa Cecília. Hora de voltar.

Gostei muito da experiência e retornarei no sentido contrário – a partir do Largo Padre Péricles, em Perdizes. O lado negativo é a falta de recipientes na entrada do viaduto na Consolação para os vendedores de coco jogarem o lixo. 






 




sábado, 30 de agosto de 2025

DR. FRANKENSTEIN

Hoje é dia do Frankenstein, de acordo com a Microsoft que insiste em me manter atualizada com essas datas comemorativas tão importantes. Só por causa disso assistirei hoje o filme “Frankenstein” (1931), dirigido por James Whale.  O roteiro, baseado na obra de Mary Sheley, tem mais seis “colaboradores”: Peggy Webling, John L. Balderston, Francis Edward Faragoh, Garrett Fort, Robert Florey, John Russell. No papel de monstro, está Boris Karloff (1887-1969). Não gosto de filmes de terror, mas adorei “O jovem Frankenstein” (1974), dirigido por Mel Brooks (1926), com Geme Wilder (1933-2016). Os dois assinam o roteiro. A data é uma referência à criadora do monstro, a escritora britânica Mary Shelley, que nasceu em 30 de agosto de 1797 e faleceu em 1853. Ela escreveu o livro aos 19 anos.


https://www.blogger.com/blog/post/edit/8140872972624257493/6435134818330665965

AH! OS PSICHÊS!

 

Na biblioteca, peguei o livro por causa do tema, o bairro do Brás, nem me preocupei em verificar a autoria. Em casa, acomodada na poltrona, displicente, folheei o livro, parei nas páginas ilustradas com fotos antigas e voltei ao Sumário – uma espécie do cardápio dos livros. Um capítulo me atraiu – “Homenagem ao bucolismo, que não existe, e ao agente ferroviário, que existiu”, mas o seguinte foi decisivo porque lá estava o psichê, coisa da minha infância, palavra que não via ou ouvia havia mais sessenta anos... Fui direto para a página 110, repleta de “Retalhos, psichês, panos de prato, camisas saco”. Faço uma leitura dinâmica – das lojas de retalhos que proporcionam a criação de colchas e tapetes coloridos artesanais, criados por senhoras prendadas, das lojas especializadas em venda de sacarias, ideais para fazer pano de prato ou pano de chão –  e também se faziam camisas com pano de saco – roupa de trabalho, sem gola... Mais duas página sobre os casamentos (“Casava-se muito no Brás”) até que fico sabendo que no Brás antigo, além do enxoval, era fundamental também comprar um psichê.

            Eis um móvel que foi expulso dos dormitórios, quando as famílias trocaram as casas por apartamentos. Para quem não sabe ou não lembra, o psichê tanto pode ser a tradicional penteadeira com um grande espelho e várias gavetas para guardar os objetos de toucador como um espelho de corpo inteiro em moldura com pés e inclinável. No quarto de minha avó tinha um lindo psichê e no quarto do meu tio havia o psichê de moldura. As penteadeiras mantêm-se em camarins.

            Satisfeita com as histórias que encontrei nessa crônica, iniciei a leitura do livro cuja prosa deliciosa me conquistou e, quando finalmente, resolvi buscar o nome do autor não me espantou: Lourenço Diaféria (1933-2008), nascido e criado no Brás. Em “Raízes de uma Paixão” ele conta a história de Charles Miller (1874-1953) que nasceu no Brás, foi estudar na Inglaterra, aprendeu a jogar futebol e na volta foi trabalhar na São Paulo Railway, a “Inglesa”, como era chamada; entretanto, Miller se empenhou em dois trabalhos: um, no almoxarifado da ferrovia, e o outro, a ensinar e a divulgar o tal football – no início entre os funcionários da SPR, do London Bank e da Companhia de Gás que formaram os dois primeiros times de futebol no Brasil... O resultado desse trabalho todos nós sabemos e a história do Brás segue conduzida com sensibilidade que caracterizou o jornalista que passou pelos principais jornais de São Paulo. Ele começou a carreira na Folha da Manhã (Folha de S. Paulo), passou pelo Jornal da Tarde, Diário Popular e Diário de Grande ABC; escreveu vários livros e entre eles “BRÁS – sotaques e desmemórias”, Editora Boitempo Editorial, 2002.

Uma das minhas primas diante do psichê do quarto de minha avó. Anos 1970.

À direita, em frente à janela, um pequeno psichê. Um dos castelos do Vale do Loire, França. 2012.


PARQUE PRINCESA ISABEL

Achei que o sol ia aparecer à tarde, como ontem, e fui à antiga Praça Princesa Isabel lá pelos lados dos Campos Elíseos; porém, o tempo fechou e esfriou, mas fui em frente. O ônibus entra na Avenida São João e depois desvia pela Alameda Barão de Limeira. Passamos pela Folha, nº 425. Que tristeza! Dois ou três homens fumando na rua (é proibido fumar em prédios). Lembrei-me das dezenas de carros amarelinhos na porta, das pessoas que se aglomeravam na calçada, querendo saber das novidades ou simplesmente fazendo fofoca; gente entrando e saindo do prédio a qualquer hora do dia; as máquinas que ficavam na entrada... Do lado, uma construção de portas cerradas para uma história de sucesso até o triste fim – a famosa casa Zacharias de pneus da Barão de Limeira, 477. Tudo se foi.

A Praça Princesa Isabel, de princesa só tem o nome. Agora é Parque! Um imenso parque, quase vinte mil metros quadrados, muito bem cuidado. Tive que contornar o parque todo para entrar e no caminho a Guarda Metropolitana enquadrava dois pilantras. Comigo havia oito pessoas, dois passeando com seus cachorros, um casal de namorados e dois solitários resistentes ao frio. Alguns garis varriam as folhas que o vento insistia em espalhar. Tudo impecável. O Duque continua impávido, erguendo a espada: ontem o monumento completou sessenta anos. A obra que ao todo tem 48 metros de altura é de Victor Brecheret (1894-1955) e estava destinada, inicialmente, para ser colocada no Vale do Anhangabaú, mas mudaram de ideia e o Duque até hoje mantém-se sobranceiro na Praça Princesa Isabel.

 

O Duque em dia cinzento. (27/08/2025)


quinta-feira, 28 de agosto de 2025

CORDISLÂNDIA

 

O dia não começou muito bem, mas sempre salva-se alguma coisa boa. Ao sair do Centro Esportivo, vi o carro oficial estacionado próximo ao Hospital do Servidor e o nome da cidade chamou minha atenção: Cordislândia. Uma “cidade do coração”? Nunca havia ouvido falar dela.  Lembrei-me das aulas de Latim de dona Lígia Fava Fonseca, nos tempos do Liceu em Santos. Cor, cordis = coração – substantivo neutro da terceira declinação. O município fica no Sul de Minas Gerais e é banhado pelo rio Sapucaí, que tem 240 km e também percorre parte do território paulista. Tudo começou 1860, quando o fazendeiro pernambucano José Paredes Viana fundou, um vilarejo que (claro!) denominou de Paredes. O solo fértil atraiu moradores interessados em lavoura. Dois moradores Joaquim Silvério Grilo e José Máximo doaram áreas para a construção do cemitério e da igreja; em 1889, o lugarejo ganhou a primeira escola e a professora era Dona Vitalina Pereira; em seguida veio a agência postal. Somente em 1911 foi criado o Distrito de Paredes do Sapucaí como parte do município de São Gonçalo do Sapucaí. Em 1930 a população conseguiu o benefício da iluminação elétrica e em 1945 foi criada a paróquia do Sagrado Coração de Jesus. Paredes do Sapucaí foi elevada à categoria de cidade em 1962 e ganhou a denominação de Cordislândia em homenagem ao padroeiro da cidade.

Cordislândia tem 3.200 habitantes e o gentílico de quem nasce na cidade é cordislandense. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é alto: 0,660. A principal atividade econômica do município é a agropecuária com destaque para café e leite, mas ultimamente tem se destacado com a produção de vinhos e queijos artesanais, atraindo turistas.



terça-feira, 26 de agosto de 2025

DIA DO CACHORRO

Hoje é o Dia Internacional do Cachorro, data criada em 2004. Se eu tivesse um animal de estimação, seria um cão vira-lata, embora goste demais do Golden Retriever e do Pastor Alemão.




domingo, 24 de agosto de 2025

PARQUE BUENOS AIRES

 

O veranico é um convite para sair sem destino pela cidade. Depois de explorar o reduto da Sé, expandi minhas caminhadas para Higienópolis, pois há muito tempo queria ir ao Parque Buenos Aires. Quando mudei para São Paulo ainda era Praça Buenos Aires, mas em 1987 tornou-se parque e está inserido no quadrilátero formado pelas Ruas Piauí, Bahia, Alagoas e Avenida Angélica. Visitei o lugar há muitos anos, passei por lá muitas vezes, mas não me lembrava do interior.

Metrô até a estação Higienópolis e saída pela Rua Piauí, que no início ainda tem algumas pequenas casas e prédios antigos com varandas e venezianas de madeira. Boa parte da quadra é do Mackenzie. Atravesso a Rua Itambé (pedra afiada em Tupi). Do lado par da Piauí várias casas graciosas resistem à verticalização. A quadra após a Rua Sabará já não tem casas, com exceção da Casa Rodrigues Alves, na esquina com a Rua Itacolomy. O casarão foi construído no início do século passado, pertenceu à família do presidente Francisco de Paula RODRIGUES ALVES (1841-1919), que governou o Brasil no período de 1902 a 1906. Em algum momento a propriedade passou para o Instituto Nacional da Previdência Social; entre 1965 e 2003 foi sede da Divisão de Ordem Política e Social (Dops) e da Polícia Federal; em 2012 foi tombada pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp).

Lá se encontra também o Edifício Piauí (428), construção de 1952, que foi o primeiro projeto do arquiteto Artacho Jurado em Higienópolis. Ele morou com a família no apartamento de cobertura.  

            Enfim, o Parque Buenos Aires, que foi inaugurado em 1913 com o nome de Praça Higienópolis, na gestão do Prefeito Raimundo Duprat, que contratou o paisagista francês Joseph-Antoine Bouvard. O objetivo era a preservação da vista do vale do Pacaembu. Abundante área verde em que se destacam sibipirunas, canelas e um enorme jequitibá-rosa, espelhos d’água e várias obras de arte – entre elas Mãe (Caetano Fraccaroli), Tango (Roberto Vivas) e Emigrantes (Lasar Segall) – dão um toque especial ao logradouro. Em 1992 o Parque foi tombado pelo Conpresp.

Eis um parque como deveriam ser todos: frequentado por moradores em busca de tranquilidade. Nada de correrias (pelo menos não vi). Alguns casais namorando; amigas conversando; algumas pessoas lendo, outras cochilando; babás cuidam de crianças bem comportadas que aproveitam a tarde quente de agosto.

Na saída vejo a geladeira velha de porta escancarada. Uma “biblioteca” onde se pode depositar livros para doar e pegar o que interessa sem burocracia. Espio as doações – só livros didáticos... Hora de ir embora. Tarde proveitosa.


Árvores frondosas dão sombra e proteção.

c
Lasar Segall.

Doação de livros.

sábado, 16 de agosto de 2025

ADONIRAN BARBOSA

 

Adoniran Barbosa, nome artístico de João Rubinato (1910-1982), foi o tema da Caminhada Noturna pelo Centro Histórico desta quinta-feira (14). Umas trinta pessoas – jovens, adultos e idosos; casais ou pessoas sozinhas interessadas em andar pela cidade e conhecer História e histórias de São Paulo se concentraram às 20h em frente à Biblioteca Mário de Andrade. Noite fria. Todo mundo bem agasalhado. Começa a caminhada pela famosa – São João com Ipiranga, onde tem uma escultura simpática de Adoniran e seu cãozinho Peteleco bem na porta do Bar da Brahma, depois fomos para a Rua Aurora, onde ele morou de 1949 a 1966, no apartamento do Edifício Santa Ignez, mas resolvi não continuar, pois minhas sextas-feiras começam às 5h30.   

Durante o passeio acabei conversando com uma senhora que mora no Centro, costuma fazer as caminhadas. Está curtindo seus 75 anos. Ela me conta que trabalhou num salão de beleza de propriedade de um francês. Ele exigia que as funcionárias se trajassem com elegância. Maquilagem caprichada. O uniforme elegante incluía luvas. “As clientes eram todas da elite paulistana.”  Não gosta de ficar em casa e sempre encontra programas culturais e nos finais de semana vai caminhar no Minhocão. “É muito bom ver todo aquele movimento de gente para lá e para cá, uns de bicicleta, outros com seus bichinhos ou correndo ...”. Ela conhece o Centro Histórico muito bem. É baiana, radicada em São Paulo há longos anos. De repente está falando da beleza arquitetônica dos prédios antigos e lamenta o fim do glamour que existia na região.

Pausa na Praça Júlio de Mesquita, onde o grupo admira a beleza da Fonte Monumental, que tem várias histórias – foi a primeira obra pública de São Paulo criada por uma mulher, a artista campineira Nicolina Vaz de Assis Pinto do Couto (1866-1941); o chafariz estava destinado para a Praça da Sé, mas acabou sendo instalado na Praça Vitória, antigo nome da Júlio de Mesquita. Ao longo dos anos o monumento sofreu muitas depredações e Adoniran Barbosa registrou e lamentou o mau comportamento das pessoas na música ROUBARAM A LAGOSTA: “...é melhor ficar seca ou molhada/ Do que ser derretida ou roubada”.

Novo destino: Rua Aurora cuja decadência se acentua. Ah! Lá está o prédio do Cine Áurea, inaugurado em 1957 e que no final do século exibia apenas filmes “adultos” ou de sexo explícito. A Rua dos Gusmões, ali perto, também fez parte do repertório de Adoniran – "Essa mulher sabe que por ela/ Sou capaz de tudo/ Sou capaz até/ De atravessar a rua dos Gusmões/ LENDO ALI BABÁ E OS 40 LADRÕES".

O grupo agora vai para o viaduto Santa Ifigênia. Não me chamo Eugênia, nem nasci ou cresci e muito menos conheci meu primeiro amor por ali, mas concordo com Adoniran – o Viaduto é muito bonito. Eu me despeço da senhora baiana, mas ela também vai para os lados da avenida Rio Branco, onde pegarei meu ônibus e ela prosseguirá.

https://www.youtube.com/watch?v=M-vE6ycLKK8 

Foto de 2024. Quinta, à noite, estava cercado por frequentadores da casa.



Busto do compositor: Praça Dom Orione, Bela Vista. 2019.




 



quarta-feira, 13 de agosto de 2025

ARTISTAS MIRINS

 

O Macaulay Culkin, o garotinho que estrelou “Esqueceram de mim” em 1990, fará 45 anos este mês. É, o tempo passa, e os atores infantis de sucesso crescem. Muitos têm talento suficiente para prosseguir na carreira; outros mudam de profissão como Pablo Calvo Hidalgo (1948), garoto espanhol que ficou famoso ao estrelar Marcelino, Pão e Vinho, em 1953. Aos 16 anos, deixou o cinema e formou-se em engenharia. Ao chegar à adolescência John Leslie Coogan Jr. (1914-1984) já havia faturado US$ 4 milhões. Ele estrelou O Garoto (1921), dirigido por Charles Chaplin; teve problemas com a família por causa do dinheiro, mas revelou-se na maturidade um bom ator. Um dos seus últimos papéis foi Tio Chico na série Família Adams (1964).

A garotinha Shirley Temple (1928-2014)) manteve uma carreira regular até 1949 – só em 1932 ela fez nove filmes. Afastou-se do mundo artístico para concorrer ao Senado dos Estados Unidos – perdeu, mas tornou-se delegada das Nações Unidas e depois embaixadora americana em Gana e na Tchecoslováquia (atual República Tcheca). Em 1985, reapareceu nas telas.

Mickey Rooney (1920-2014)) é um exemplo de sucesso. Começou aos 7 anos e foi considerado pelo livro Guiness dos Recordes como o ator com a mais longa carreira no palco e nas telas. Aliás, por causa da baixa estatura e seu rosto juvenil continuou interpretando adolescentes por muito tempo (o que não o agradava). Foi premiado com Oscar, Globo de Ouro e Emmy. Contracenou com as garotinhas Elizabeth Taylor (1932-2011) e Judy Garland (1922-1969). As pequenas atrizes conseguiram um grande sucesso profissional, mas tiveram vidas bem diferentes – Taylor uma vida sentimental atribulada e Garland lutando contra as drogas.

Elizabeth Taylor e Mickey Rooney (ele já estava com 24 anos), em "A mocidade é assim".

William Aaker (1943) ninguém conhece, mas ficou famoso como o pequeno Cabo Rusty, parceiro do cão pastor alemão na série Rin tin tin. Ele se manteve em atividade entre 1951 e 1963, período em que atuou em 18 filmes e 22 séries de TV. Charles William Mumy Jr. (1954), o Will da série Perdidos no Espaço, é ator e músico. Lucas Daniel Haas (1976) também mantém uma carreira sólida depois de ter estreado aos 9 anos em A Testemunha (1985) ao lado de Harrison Ford. Baldes de lágrimas garantiram a fama a Rick Schroder (1970), o garoto escolhido para o papel de T.J. em O Campeão (1979). Schroder continua no ramo, também dirigindo filmes. Angus T. Jones (1993) começou cedo a carreira de ator, mas o sucesso surgiu com a série Two and a Half Man, quando estava com dez anos. O papel valeu-lhe prêmios e em 2010 era o ator mirim mais bem pago da tv americana. Por questões religiosas, abandonou a série e pouco tem atuado desde então.

No Brasil, lembro da turma do Sítio do Pica-pau Amarelo na década de 1970 cujo elenco era formado por Júlio César Vieira da Cunha e Silva (1964) no papel de Pedrinho. Só Rosana Garcia (1964), como Narizinho, e Suzana Abranches (1961), como Emília, continuam no meio artístico. Outros atores mirins: Samuel Melo (1990), Xande Valois (2004), André Luís Franbach (1997); Sérgio Malheiros (1993), Felipe Bragança (2001), José Victor Pires (1999) e João Vitor Silva (1996).

Não é possível esquecer o menino de rua Fernando Ramos da Silva (1967-1987), que atuou em Pixote – A Lei do Mais Fraco (Hector Babenco, 1981). Depois de algumas participações em outros trabalhos, ele voltou para as ruas e foi assassinado.

Lee Aaker com Rin-tin-tin.

sábado, 9 de agosto de 2025

ANDY WARHOL

 

Quarta-feira, Andy Warhol teria completado 97 anos. Ele nasceu em Pittsburgh, Pensilvânia e faleceu em 1987 em Nova York. Warhol se destacou na chamada Pop Art, nos anos cinquenta do século passado e ainda hoje causa polêmica. Até o final de agosto é possível visitar a exposição Andy Warhol POP ART! na FAAP, que reúne cerca de seiscentas obras dele originais, inclusive Marilyn Diptych.

Campbell’s Soup Cans para ele. A obra é de 1962.

“Se você quiser saber tudo sobre Andy Warhol, basta olhar para a superfície das minhas pinturas e filmes, e para mim, e lá estou eu. Não há nada por trás disso.” Andy Warhol, O Outro do East Village , 1966.

ACERVO do Museu de Arte Contemporânea de NY.


Andy Warhol POP ART! na FAAP, 31 de julho.



Andy Warhol POP ART! na FAAP, 31 de julho.


quarta-feira, 6 de agosto de 2025

PALACETE DO CARMO

 

Um dia ele foi o Palacete do Carmo, construído nos anos vinte do século passado na esquina da Praça Clóvis Bevilacqua, com a Rua Roberto Simonsen, no Centro Histórico de São Paulo. Abandonado há anos, atualmente, ele parece estar se desfazendo aos poucos e me causa sensação de insegurança cada vez que passo por ali. A revista VEJA publicou em 14/08/2020 matéria sobre a negociação de um grupo de investidores com a Arquidiocese de São Paulo, proprietária do Palacete, da reforma do prédio que tem cerca de 3.900 m². Em nota publicada em seu site, a Arquidiocese de São Paulo esclarece que não é proprietária do Palacete do Carmo e demais edificações adjacentes, que pertencem ao Mosteiro de Santa Thereza de Jesus.

    O projeto, que incluiria a restauração da ala histórica e a construção de um moderno anexo, na época, ficaria em torno de duzentos milhões de reais, mas não deu certo.

Um dó ver uma parte da história da cidade se degradar dia a dia... O abandono deu à natureza um espaço e no topo do prédio observam-se alguns arbustos viçosos.



segunda-feira, 4 de agosto de 2025

VELHICE E SOLIDÃO

 

Dizem que santo de casa não faz milagres, caso do filme neorrealista UMBERTO D (1952), dirigido por Vitorio de Sica e que na época a Itália não soube apreciar. Um filme que, infelizmente, ainda retrata o tratamento dado à velhice em vários países. Uma história banal de abandono e solidão narrada e interpretada com extrema sensibilidade e autenticidade. O próprio De Sica afirmou que o filme foi mal visto na Itália pós-guerra, pela abordagem dos problemas sociais envolvendo aposentados e idosos. De Sica dedicou o filme ao pai.

Humberto D foi indicado para a Palma de Ouro do Festival de Cannes de 1952; ganhou o prêmio de melhor Filme Estrangeiro da Associação de Críticos de Arte de Nova York em 1955 e indicado ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro da Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão em 1957; Carlo Battisti, que não era ator, mas professor de Linguística, venceu o Prêmio NBR – National Board of Review – de Melhor Ator de 1957. Em 2005 foi incluído na lista ALL TIME 100 Movies da revista TIME.

|Achei maravilhoso.


quinta-feira, 31 de julho de 2025

BONS DE CONVERSA

 

Eu já disse e repito. Admiro muito pessoas que estão sempre dispostas conversar não importa quem seja o ouvinte (ou ouvintes). Elas sabem como iniciar a prosa e mesmo que você não tenha a mesma habilidade, isso não as intimida. Ao longo desses anos tenho encontrado muitas dessas pessoas que se sentam ao meu lado na condução e logo estão me contando suas vidas. Nem preciso pesquisar para dizer que ônibus e pontos de ônibus são onde as encontro mais; depois esquinas onde aguardo para atravessar ruas e seguem as salas de espera.  

Foi num ponto de ônibus na Avenida Ricardo Jafet, que encontrei Francisca. Eu pretendia esperar o Jardim Saúde - Parque D. Pedro II, que deve fazer a mesma rota do cometa Halley. Estava disposta a esperar uns dez minutos e se ele não aparecesse, minha opção era o metrô. Quando cheguei ao ponto um senhor estava perguntando a uma senhora baixinha, cerca de cinquenta anos, pelo tal ônibus e comentei que ele costumava demorar muito.  Ela disse que ele iria passar em cinco minutos, pois era o horário que costumava sair do emprego. Fiquei mais animada e, como teria que voltar na semana seguinte, memorizei o horário. Dito e feito. Uns dez minutos depois surgiu o difícil.

Quando retornei dias depois, estava pensando na vida quando a senhora apareceu, conversou com a moça que, por falta de um banco, sentara no meio-fio, mas logo foi premiada com a chegada do ônibus. A senhora me reconheceu, se aproximou e iniciou a conversa. Nos cinco ou dez minutos de espera, soube que se chama Fran, trabalha nas imediações, sai sempre naquele horário para pegar a netinha na escola e de quebra ainda me recitou todos os horários do Jardim Saúde. O ônibus apareceu. Ela subiu, foi saudada festivamente pela tripulação, se aboletou no banco da rainha –nome que dei ao banco da frente que fica no topo de dois degraus – e começou uma longa conversa bem humorada com motorista e cobrador. Eu a encontrei outras vezes e ela no meio de uma das histórias comentou que pelo menos o nome ela sabe assinar.  Não resisti e a incentivei a fazer um curso de alfabetização. Toda sorridente me disse que faz parte dos planos dela.

Fran é uma daquelas pessoas que enfrenta as dificuldades da vida sem lamúrias e distribui simpatia por onde passa.   

sexta-feira, 25 de julho de 2025

IVANHOÉ E ROBIN HOOD

 

Estou na fase de amenidades. Ontem assisti ao filme americano Ivanhoé, o Vingador do Rei (1952), uma adaptação do romance de Sir Walter Scott (1771-1832), que li na adolescência. A direção foi de Richard Thorpe (1896-1991). No elenco encabeçado por Robert Taylor (1911-1969), tem Elizabeth Taylor (1932-), no frescor dos seus 20 anos, mas ainda uma atriz imatura. A experiente John Fontaine (1917-2013) parece mais a mãe aborrecida com o namoro da filha do que a noiva enciumada.

Dizem que Walter Scott foi quem criou o romance histórico – ou seja, usou elementos da história inglesa recheados de paixões e intrigas. No caso, a época é o século XII. A Inglaterra era governada por João Sem Terra, irmão do rei Ricardo I, mais conhecido como Ricardo Coração de Leão. Ricardo, após participar da III Cruzada (1189-1182), no retorno para casa, foi sequestrado pelo rei Leopoldo da Áustria que o manteve preso. O romance (e o filme) trata apenas do episódio do resgate – Ivanhoé em busca de Ricardo, já considerado morto, o encontro do monarca e a luta para levantar a quantia exorbitante estipulada para sua libertação. O filme mostra os cavaleiros medievais em justas – competições em arenas (liças), e torneios munidos de lanças bem animados. Tudo promovido pelo João Sem Terra e seus acólitos. 

Ivanhoé é um personagem lendário e, quanto ao rei Ricardo verdadeiro, ele pouco se importou com o fato de que a Inglaterra foi à bancarrota para pagar o seu resgate, pois logo em seguida atravessou o Canal Inglês para cuidar de interesses ingleses na Normandia (França) e nunca mais retornou - o que o filme não conta. É um bom filme para diversão e, quem sabe, despertar o interesse de alguém por História  a real é bem diferente. Assisti à série feita para TV (1958) estrelada por Roger Moore (1927-2017).


                                  

Ontem, foi a vez de outro “capa e espada”: As Aventuras de Robin Hood (1938), que recebeu três Oscar – melhor trilha musical original, melhor direção de arte e melhor edição de filme. Errol Flynn interpretou Robin e Olivia de Havilland, Lady Marian; a direção ficou primeiro com William Keighley, logo substituído por Michael Curtiz. As cenas das batalhas entre os nobres e os plebeus são muito boas. O arqueiro responsável pelos lançamentos foi Howard Hill (1899-1975), o maior profissional de arco e flecha de sua época. Ele interpretou o capitão dos arqueiros derrotado por Robin Hood, que consegue partir uma flecha ao meio. Em tempos de fantásticos efeitos especiais é bom saber que, na verdade, foi Hill quem realizou a proeza. A cena foi feita em apenas uma tomada! Um ótimo entretenimento.  Acima o arqueiro Howard Hill.


sábado, 19 de julho de 2025

DIA NACIONAL DO FUTEBOL

Dia Nacional do Futebol: 19 de julho. A data escolhida refere-se à fundação do Sport Club Rio Grande, da cidade de Rio Grande (RS), há 125 anos. O “Vovô”, como é chamado, continua firme e forte em ação.

    Com todo respeito ao “Vovô”, eu prefiro homenagear nesse dia a Seleção Brasileira de Futebol que venceu a Copa do Mundo em 29 de junho de 1958, na Suécia.

    Feola (técnico), Djalma Santos, Zito, Belini, Nilton Santos, Orçando, Gilmar, Garrincha, Didi, PELÉ, Vavá e Zagalo. 

   Fizeram também parte da seleção: Castilho, De Sordi, Oreco, Moacir, Joel, Dida, Mazzola (86 anos), Moacir (89) e Pepe (90 anos) e Dino Sani (93 anos).

    E lá se foram 67 anos ...

segunda-feira, 14 de julho de 2025

JÚLIO CÉSAR

Semana passada circulando na livraria da Unesp vi e comprei “Júlio César”, de Shakespeare (1564-1616). Nos anos de 1980, quando ainda existia o vendedor de livros e enciclopédias, que visitava residências, escritórios, redações e escolas com clássicos da literatura mundial, comprei dois livros com as principais tragédias e comédias de Shakespeare, onde infelizmente faltaram algumas obras como “Henrique V” e “Júlio César”. “Henrique V” comprei logo depois, mas Júlio César lamentavelmente ficou esquecido.  Li a peça no mesmo dia. Atemporal como são os clássicos, a obra provoca reflexões sobre o homem, o poder, a ambição e a inveja, o amor e a morte. 

Procurei mais informações sobre os eventos que levaram ao assassinato de César e notei que ele nasceu no dia 13 do mês que os romanos chamavam de “Quintilis”, quinto mês do calendário romano, que começava em março. Em 44 a. C., ano em que ocorreu o assassinato de César, o Senado Romano o homenageou trocando a denominação de mês de seu nascimento para Júlio, daí Julho em Português. Estava pensando em escrever algo sobre a peça e sobre César, quando abri o site do CINEMA LIVRE e vi que uma das novidades era exatamente o filme “Júlio César” (1953), de Joseph L. Mankiewicz (1909-1993), autor do roteiro que manteve fiel ao texto original.

Que coincidência! E no elenco James Mason (Brutus), John Gielgud (Cássio) e o jovem Marlon Brando (Marco Antônio). O filme, indicado para cinco categorias, ganhou o Oscar de 1954 na categoria de Melhor Direção de Arte em Preto e Branco e Marlon Brando foi indicado na categoria de Melhor Ator. Assisti ontem ao filme. Um espetáculo imperdível. Marlon Branco não fica a dever nada ao desempenho de James Mason, um ator inglês shakespeariano, e a cena de seu discurso diante do corpo de César é impecável.

No filme, entretanto, há um anacronismo.  O ano é 44 antes de Cristo: um personagem tira da toga um códice que folheia e depois o guarda. Naquela época os romanos escreviam em pergaminho que eram enrolados e guardados em tubos. Foi no início da era cristã, século I d. C., que surgiram os códices que consistiam no resumo do conteúdo dos rolos feito em folhas costuradas, o que permitia o manuseio e o transporte mais fácil. Posteriormente, no filme, Marco Antônio tira da túnica o testamento de César escrito em um pergaminho como era usual na época.

            Meu interesse por Caio Julius Caesar (100 a.C-44 a. C.) é antigo, pois como jornalista não poderia ignorá-lo: ele foi o criador das famosas Acta Diurna Populi Romani ou Acta Publica, que publicava diariamente as atas do Senado, éditos, discursos dos tribunos e as ocorrências de interesse público da República – casamentos, óbitos, acontecimentos militares, falências, espetáculos e banquetes (coluna social?). Isso em 69 a.C. As informações eram escritas em tábua branca, denominada álbum e afixadas nos muros das cidades.

A Acta Diurna Populi Romani ou Acta Publica circulou até a queda do Império Romano que ocorreu em 476 d. C.



Marlon Brando na cena do discurso em louvor a César, que jaz a seus pés.


sábado, 12 de julho de 2025

AS COSTUREIRAS


Não sei qual superlativo dar à arte do compositor Heitor Villa-Lobos (1887-1959). E quem desejar conhecer a grandiosidade dele pode visitar o Villa-Lobos Chanel, sem fins comerciais, ele é dedicado exclusivamente para divulgação da obra do compositor.

Foi lá que conheci “As Costureiras”, interpretado por um coral feminino de Trondheim, cidade norueguesa.

AS COSTUREIRAS
Música e letra Heitor Villa-Lobos.

Com alma a chorar!
Alegre a sorrir!
Cantando os seus males!
As costureiras, somos nesta vida!
Até amores unimos à linha,
Nós trabalhamos sempre alegres na lida!
Como alguém que adivinha,
O belo futuro que nos vai a sorrir!

Cose, cose, cose a costureira,
Cose a manga, a blusa, a saia,
Cose com interesse e mostra-te faceira,
Bem faceira a quem provares o ponteado,
O alinhavado, o costurado, o chuleado, o pregueado.


https://www.youtube.com/watch?v=RW6iU2m-2v4 
Trondheim Women Student Choir.



"As costureiras" (1950), Tarsila do Amaral (1886-1973).




sábado, 5 de julho de 2025

VIVA GABRIEL

Ah! O sol está de volta e o dia bem agradável, o que me levou à Vila Prudente para localizar um lugar onde terei de ir segunda-feira cedo. Para evitar problemas, fui “passear” por lá. A estação do metrô já é velha conhecida. Uma funcionária explica o caminho e diz que são apenas cinco minutos de caminhada. Lá fora, as coisas se complicam. Peço informações a três pessoas – nenhuma é do bairro. Já ia para um terminal de ônibus, quando vi o rapaz com uma sacolinha de comida. Resolvi tentar. 

– Bom dia. Você mora por aqui?

– Mais ou menos...

    Mais ou menos? Quem mora mais ou menos? Expliquei onde eu ia e ele logo ajeitou o celular, começou a pesquisar e localizou o endereço.

– Vamos atravessar a rua aqui porque é naquela direção – apontou a transversal.

Agradeci e já ia me despedindo, mas ele fez questão de me acompanhar. Perguntou meu nome e me vi na obrigação de perguntar o dele – Gabriel. Gabriel é uma simpatia. Deve ter uns 22 ou 23 anos. Expliquei que não conhecia a região, morava na Vila Mariana – estação que ele disse conhecer bem pois faz conexão do metrô com o ônibus para ir trabalhar. Ele presta consultoria em segurança (?). A rua vira uma ladeira íngreme que enfrento bravamente (treino todos os dias nas ladeiras da Aclimação, bem mais suaves). Então chegamos, agradeço muito a gentileza e desejamos boa sorte um para o outro.

Na volta, resolvi conhecer uma igreja que vi numa travessa e por isso cheguei à Praça Padre Damião Kleverkamp, pequena e agradável. A Igreja de Santo Emídio foi inaugurada em 1948. Santo Emídio (179 d. C.-309 d. C.) foi um bispo cristão, a quem se atribuem muitos milagres. Ele é o santo protetor dos terremotos, enchentes e chuvas intensas. Fora os terremotos, está no lugar certo. Damião Kleverkamp foi o primeiro pároco da igreja São Emídio. 

Na hora da foto, chegou o fusquinha ... Fazer o quê?

A preguiça fez com que eu descobrisse um suave caminho para retornar à estação do Metrô – quase plano! Detesto esses aplicativos que "indicam" caminho, mas sem Gabriel não teria chegado ao meu destino.