sexta-feira, 3 de outubro de 2025

POR ONDE ANDEI

 

Quantos lugares, quantas cenas, quantos personagens... Setembro foi um mês de muitas andanças.

Fui conhecer a Casa Piauí, que antiga residência de Francisco de Paula Rodrigues Alves (1848-1919), presidente do Brasil no período de 1902-1906. O casarão em estilo eclético, situado na esquina da Rua Piauí com Itacolomi, foi tombado em 2012, passou por restauro e parte do terreno da propriedade abrigará um prédio de alto padrão.



Na Rua Manoel da Nóbrega, os policiais da Cavalaria da PM costumam fazer uma pausa para descanso das montarias. Cavalos são animais muito bonitos e elegantes. Paro para uma prosa rápida com um dos policiais – queria saber se os animais têm nome ou apenas o número de registro tatuado, se eles são dóceis, se a cavalhada era composta apenas de machos e se os cavaleiros trabalham sempre com o mesmo animal. Enquanto o policial vai respondendo as perguntas, o cavalo toca a cabeça de leve no ombro dele – tem grandes olhos castanhos como a pelagem, numa demonstração (creio eu) de carinho. Sim, os animais têm nome que é registrado, o comportamento varia de indivíduo para indivíduo – uns são mais impulsivos; a cavalaria emprega tanto fêmeas como machos – estes são castrados. As fotos foram tiradas em outra ocasião.





Fiz uma excursão a Caieiras de trem (Linha 7 Rubi) e ônibus pela serra da Mantiqueira que permanecerá bastante tempo na memória pelo desapontamento final. Uma igreja medieval, luxuosa, com toques de Sainte-Chapelle, construída em pleno século XXI escondida numa região pobre. Caieiras é um município situado na sub-região norte da grande São Paulo. O desenvolvimento da cidade aconteceu com a produção de cal e daí veio seu nome – caieira é a denominação do forno de cal. 



Passei pelos "arcos" da Vila Prudente - que suportam o monotrilho - Linha 15 Prata do metrô.



Cruzei o Parque Villa-Lobos em uma tarde de sol.



Estive também no Sacomã, onde este conjunto resiste à insanidade imobiliária.



E ainda fui à Aricanduva, onde estas lindas casinhas dão uma ideia do que já foi o bairro. E a banca de jornal cuida da sua própria história no bairro.


Praça Nossa Senhora do Bom Parto.






quarta-feira, 1 de outubro de 2025

DIA DO IDOSO

No que estou pensando? Hoje é dia do idoso. Já faz pouquinho mais de vinte anos que estou nesse grupo e muito satisfeita por ser baby boomer e ter vivido uma época de transformações fantásticas. Embora adore bondes, mantenha meu DVD player em funcionamento e ache o corte Chanel um luxo (como o Nº 5) não significa que sofra de saudosismo. Espero bater perna por aí ainda por algum tempo – sem exageros. Nada de centenário.    



JORNAL "A TRIBUNA"

Parabéns a alunos, professores e ao diretor Roger Marques Ribeiro da Escola Estadual Parque dos Sonhos, de Cubatão (SP), que recebeu ontem o prêmio World’s Best School Prize, na categoria Superação de adversidades. A premiação é promovida pela T4 Education, uma plataforma global voltada para a melhoraria da educação, oferecendo ferramentas, programas e eventos para professores e escolas.

(JORNAL A TRIBUNA, SANTOS, SP)



terça-feira, 30 de setembro de 2025

MOMENTO DE TERNURA

 

Esperava a luz verde do semáforo na praça Clóvis Bevilacqua, onde o cenário é invariavelmente deprimente, quando notei a cambacica no chão em plena atividade. Ela hesitou quando me viu chegar, mas continuou sua atividade, me observando vez por outra, pronta para voar caso sentisse algum risco. Achei que ela estava comendo, mas estava coletando umas farpas que alguma árvore ou arbusto deixara cair ou o vento trouxera. Havia duas e logo três no bico, uma caiu e ela tratou de pegar novamente, sempre atenta à minha presença. Ora, pensei, ela está recolhendo material para o ninho. Quando chegou outro pedestre, vi que a luz verde se acendera e antes de iniciar a travessia percebi que o passarinho desaparecera. Tão pequena, tão delicada e colorida, abrandando o cenário de concreto e tragédia da praça...

    Fiquei curiosa e pesquisei para saber como é o ninho da cambacica. Elas fazem dois tipos de ninho: um para reprodução e outro para descanso – muito espertas. O primeiro recebe um acabamento melhor com entrada menor para se proteger dos predadores. Ela usa palha, folha, capim e teia de aranha na confecção do abrigo.

Foto: Prefeitura de São Paulo.




domingo, 28 de setembro de 2025

FEIRA EM SANTA CECÍLIA

 


Depois da caminhada pelo Viaduto João Goulart, vulgo Minhocão, decidi que era hora de explorar o entorno dele e nada melhor do que começar pela Rua Sebastião Pereira. Motivo da escolha foi a feira que observei do alto do viaduto. Dizem que é a melhor feira do Centro da cidade, é enorme e costuma ir até as 16 horas.

            Aproveitei o domingo de sol e de temperatura amena para ir até lá via Praça da República. Para variar peguei o ônibus errado e tive que descer na Praça Júlio de Mesquita, que separa a Avenida São João da Rua Barão de Limeira. Na Avenida São João, lembrei-me de uma foto de Claude Levi Strauss, tirada no Carnaval de 1934, de um grupo de foliões. Que diferença! Dela sobrou apenas o prédio do Banespa/Santander. Entro na Rua Pedro Américo e saio na Praça da República, de onde sigo pela Rua do Arouche porque a Avenida Vieira de Carvalho estava fechada para um show.

            Gostaria muito que algum estudioso me informasse qual o polígono que se aplica à configuração do Largo do Arouche. Enfim, lá estão a Academia Paulista de Letras e o restaurante La Casserole; o mercado das flores continua uma atração agradável à vista e ao olfato. Há uma feira de alimentos onde algumas pessoas tomam o café da manhã. Passo pelo restaurante O Gato Que Ri.  Lá o que restou do antigo Cine Arouche, agora dirigido a público adulto – entenda-se programação pornô. Há várias famílias, casais e idosos passeando pelos jardins, mas o pessoal da cracolândia também está presente, dormindo ou alheio à realidade.

            Enfim, passo sob o elevado e estou na Rua Sebastião Pereira e na feira. O público é heterogêneo – vai de donas de casa fazendo as compras da semana, regateando preços, até pessoas como eu, curiosas e mais tentada a consumir um pastel com caldo de cana (que eu não gosto) ou água de coco. Frutas da época em alta – morango e jabuticaba (que eu adoro). Bananas nanicas bonitas com bom preço. Escolho uma barraca simpática e peço o pastel de queijo (que estava bom).

            Das feiras gosto do colorido, do alarido e da única coisa fiada disponível – as conversas entreouvidas nas barracas. Terminei a visita e me dirigi à Alameda Glete, segui até o Terminal Princesa Isabel para pegar o ônibus para casa. O pé dói e o estômago reclama – hora do almoço.




sexta-feira, 26 de setembro de 2025

SÃO PAULO E O TRÓLEBUS HISTÓRICO

O trólebus, aquele veículo enorme, confortável, sem solavancos, seguro, desliza macio pelas ruas da cidade, silencioso, preso por uma alça a uma rede elétrica, faz parte da minha história. Em Santos o trólebus da linha 54 Centro – Orquidário passava em frente à minha casa, na Rua Constituição e, quando fui para a Faculdade em 1967, era ele que eu tomava todas as noites na esquina com a Rua Sete de Setembro para descer na Rua Euclides da Cunha, perto do Orquidário, onde ficava a Faculdade de Filosofia. E, num desses acasos da vida, quando me instalei em São Paulo na Aclimação, novamente, lá estava o trólebus passando em frente do prédio em que morava. Dessa vez, era o 408 A – 10, a linha de trólebus mais antiga do Brasil: 76 anos.  

São Paulo foi pioneira no Brasil na implantação de veículos elétricos. Eles eram importados dos Estados Unidos e Inglaterra e começaram a rodar em 22 de abril de 1949. Inicialmente, o trajeto se estendia da Praça General Polidoro e à Praça João Mendes. Foi bem mais tarde que a linha se estendeu da Aclimação a Perdizes, passando por sete bairros.

            Espero que os trólebus continuem rodando por São Paulo ou pelo menos a linha Cardoso de Almeida/Machado de Assis. Encostá-los é desperdício de dinheiro público, pois significa abandonar toda a rede elétrica e a mão de obra especializada... A Prefeitura ressalta o fato de que os veículos novos movidos à bateria não são poluentes; ora, os – os trólebus (210) também não são poluentes, rodam com energia elétrica.

            Aqui fica a proposta de um passeio de uma hora aproximadamente por sete bairros de São Paulo – Aclimação, Liberdade, Centro, Vila Buarque, Higienópolis, Pacaembu e Perdizes, repletos de pontos históricos, casas de espetáculos, museus, igrejas e paisagens pitorescas. Se der sorte pode ser até que haja um trólebus circulando, o que reforçará o aspecto históricos da viagem.

           


segunda-feira, 22 de setembro de 2025

VIVA A SIBIPIRUNA!

 


Dias atrás notei que a sibipiruna estava quase sem folhas, galhos à vista e fiquei preocupada. Ela estaria morrendo? Seria muito triste perder uma árvore tão bonita! Fui atrás do sr. Benedito que entende de tudo um pouco, inclusive de plantas. Ficou admirado com a pergunta e me garantiu que ela estava muito bem. Se ele disse... E não é que hoje ela está maravilhosa! A folhagem verdinha e na copa os primeiros indícios de que irá florescer em breve. Vai ver estava só se preparando para a Primavera.

domingo, 21 de setembro de 2025

CORRER E ANDAR

 

Em um desses impulsos inexplicáveis, peguei emprestado na biblioteca um livro do médico Drauzio Varella (1943) sobre corridas. Quantas vezes vejo o ônibus lá no ponto se abastecendo de passageiros e penso que se desse uma corrida poderia me juntar ao grupo; mas prefiro “deixar para lá” e esperar o próximo. Correr por esporte nunca foi uma opção. Maratona então nem pensar. Ao ler o título completo – “Correr – O exercício, a cidade e o desafio da Maratona” – deduzo que foi a cidade que me atraiu para essa leitura.

            Foi uma boa escolha, mas gostei mesmo de acompanhá-lo nas corridas que ele fez pelo Minhocão e pelo Centro da cidade, porque encontrei muita semelhança com a minha experiência de caminhante. Claro que não vou andar às seis da manhã, nem pelo elevado e tampouco no Centro. Prefiro horários mais amenos. Fui duas vezes caminhar no viaduto João Goulart e apreciei a paisagem, os frequentadores e “a altura privilegiada que oferece ao transeunte possibilidade de bisbilhotar o interior dos apartamentos”. Coisa que gosto de fazer. Foi assim que o garotinho sentado na varanda, devidamente protegida por uma tela, me acenou todo sorridente quando me viu passar; que notei uma cozinha tão bem organizada que me deu vontade de cumprimentar o/a proprietário (a); ou ser desestimulada de bisbilhotar por uma máscara de caveira estrategicamente colocada à janela. Roupas secando dependuradas em varais ou estendidas no peitoril das janelas. Sapatos e tênis tomando sol. E as cortinas branquinhas balançando ao vento de um domingo quente? Um bichano junto à rede de proteção da varanda parece muito interessado no que se passa lá embaixo na São João...

            Já percorri o viaduto da Praça Roosevelt ao Largo Padre Péricles que desconhecia completamente. Pergunto a um senhor onde é o metrô da Barra Funda, ele indica o caminho e afirma que caminhar faz bem. Com certeza – só o viaduto tem 3,4 km.

            Já a corrida do Dr. Varella pelo Centro é peculiar e um dia vou reproduzi-la à minha moda – ou seja, andando. À medida que corre, ele registra aspectos arquitetônicos e históricos dos lugares por onde passa. Ele começa na Rua Maria Antônia, segue pela Rua Consolação em direção à avenida Ipiranga, passa pela boate Love Story (Rua Araújo) – que fechou faz tempo; na Praça da República, entra no calçadão da Barão de Itapetininga (“e já estou no meio dos prédios mais encantadores da cidade”).

Dr. Varella traça um retrato realista dos moradores de rua, usuários de crack, desocupados que se espalham pelo Centro, mas nem por isso escapa ao seu olhar o casal que dormia juntinho num colchão em um canto abrigado da rua... A descrição que ele faz da primeira vez que se viu em meio à Cracolândia, na esquina das Ruas Helvétia e Dino Bueno, foi muito semelhante à minha experiência naquele local: uma visão chocante, que no primeiro instante causa dúvida – seguir em meio àquela gente maltrapilha (homens, mulheres de todas as idades e crianças), suja, alucinada que andava de uma lado para o outro ou se mantinha no chão? Avaliei o que vi e resolvi seguir, caminhando normalmente, passei por eles e ninguém sequer reparou em mim. Ocupavam apenas um quarteirão. Hoje espalham-se pela cidade. Passo por eles quase todos os dias na região da Sé. É um gravíssimo problema social.  

O livro é de 2015, Companhia Das Letras.









terça-feira, 16 de setembro de 2025

AH! ESSAS CRIANÇAS!

 O ônibus para, o motorista abre a porta, subo, dou boa tarde, mas já sei que não terei resposta. O motorista é um mal-humorado crônico. Sentei-me num banco da frente e lá fomos nós! Dois pontos depois alguns passageiros aguardam e, entre eles três ou quatro estudantes do ensino básico. Devem ter dez anos, mas estão agitados. Correm, riem e se estapeiam. O motorista para o coletivo, os adultos entram e os garotos continuam a brincadeira até que um gritou para o motorista esperar e coleguinha vem correndo sobe os dois degraus, ri e desce dizendo que não vai. Do meu camarote imagino a cara do motorista. Com uma cara marota, o moleque para em frente à porta que o motorista não fechara. Diante do silêncio, ele joga a isca:

– Por que não fechou a porta? Eu não vou.

Uma atitude obviamente desafiadora. Uma isca que o zangado ao volante engoliu, quando perguntou calmamente:

 – O que você está aprendendo na escola?

O rostinho do moleque brilhou:

– Porra nenhuma! – gritou o sapeca mal-educado.

Silenciosamente, o motorista fechou a porta e entrou no trânsito modorrento de uma terça-feira da última semana de inverno.

Isto é apenas um relato. Evidentemente, a educação é dada em casa. Respeitar as pessoas é fundamental. Quanto ao motorista, ele disse algo que costumo ouvir muito pelas ruas - a atribuição à escola de uma tarefa que cabe aos pais.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

VIDA NOTURNA

 

Ontem, a caminhada noturna pelo Centro Histórico foi decepcionante: em vez de caminhar o grupo foi convidado para assistir a um espetáculo gratuito do Festival Internacional de Palhaços. O evento tem importância cultural, sem dúvida, mas não gosto de palhaços. Assim, bati em retirada. De todo jeito valeu caminhar da Rua da Consolação até a Praça Roosevelt, que fica melhor à noite do que durante o dia.

    No caminho, vejo um quarto de uma parede só... Sem ninguém, embora não pareça abandonado. No chão, o colchão com a coberta bem arrumada; há uma mesinha posta e três livros. Duas cadeiras e vasos com plantas dão uma certa privacidade ao leito. Há duas lixeiras. Cenário?

    Lembro-me, não sei porquê, da música de Noel Rosa “O orvalho vem caindo”, embora não haja semelhança com a cena. A cama não é uma folha de jornal; a noite tem lua às vezes envolta em nuvens, nada de orvalho e as poucas estrelas visíveis ainda estão lá no céu... Caminho até a Avenida São Luís, agora tranquila, para pegar o ônibus. No ponto, dois homens aguardam sentados e conformados.





sábado, 6 de setembro de 2025

CENA BUCÓLICA

Hoje, na Vila das Mercês, depois de alguma andança, me dirigia ao ponto de ônibus, quando observei mais à frente um casal em plena colheita. Ah! Que cena! Lembrei-me da infância quando a nespereira do quintal de casa ficava carregadinha, fazendo a alegria da família e dos passarinhos, sem contar os nossos papagaios que adoravam a fruta. A árvore da Vila das Mercês também estava carregada e, generosa, estendeu os galhos para a calçada.







PAISAGEM

 Minha rua quinta-feira. Um luxo só. Inverno chegando ao fim com ares de primavera e uma lua cheia para lobisomem nenhum botar defeito.




domingo, 31 de agosto de 2025

DOMINGO NO MINHOCÃO

 

Hoje o passeio foi pelo Elevado Costa e Silva que, de acordo com a população, é simplesmente Minhocão. Fico com o povo: fui passear no Minhocão. O elevado tem 2.500 m de extensão; liga a Zona Oeste a partir da Praça Roosevelt à Zona Leste, terminando na Avenida Francisco Matarazzo. Os cinco acessos intermediários contribuem com mais 900 m. O objetivo da obra: desafogar o trânsito da cidade. O projeto do arquiteto Luiz Carlos Gomes Cardim Sangirdadi foi recusado pelo prefeito Faria Lima; quando o engenheiro Paulo Maluf assumiu a prefeitura paulistana, construiu o viaduto em onze meses e deu à obra o nome do seu padrinho: General Costa e Silva. O povo, entretanto, não perdoou e a obra-prima de Maluf virou Minhocão. A inauguração aconteceu em 24 de janeiro de 1971, com um tremendo congestionamento.

Não vou contar a história do Minhocão, porque daria uma novela – aliás, a polêmica foi registrada por Jorge Andrade na novela O Grito (1975/1976), mas ele já apareceu também em filmes. Passei poucas vezes por lá e, provavelmente, de ônibus; estou mais familiarizada com os baixos do viaduto – que eu me lembre da Avenida Amaral Gurgel até a praça Marechal Deodoro. Neste domingo, achei que era tempo de corrigir essa falha e assim fui até a Praça da República de metrô, segui pela Avenida Ipiranga até a Rua da Consolação, onde começa o viaduto. Ainda deu tempo de olhar o velho Teatro de Arena Eugenio Kusnet e a Igreja da Consolação em restauro.

É estranho ver o viaduto sem veículos e pessoas caminhando despreocupadas. Parece verão. Público heterogêneo – jovens, adultos e idosos; alguns sentados de olho no celular ou conversando com amigos; outros lendo (sim, lendo) livros. Há um espaço com jogos (dama e xadrez) e brinquedos. Um pai ensina a filha a jogar xadrez; muita gente toma sol como se aqui fosse o Gonzaga e saboreia água de coco. Não há vendedores. Em caso de necessidade, não faltam banheiros químicos.

O que me surpreende? A tranquilidade que paira pelo viaduto. Que bom! Estou interessada nas ruas lá embaixo – Major Sertório, General Jardim, Marques de Itu, Santa Isabel, Jaguaribe... De repente uma algazarra. Localizo a origem: uma enorme feira de domingo lá embaixo na Rua Sebastião Pereira. Uma infinidade de barraquinhas. Último dia de agosto, último domingo do mês e a freguesia parece disposta a gastar. Adiante, o Largo Santa Cecília. Hora de voltar.

Gostei muito da experiência e retornarei no sentido contrário – a partir do Largo Padre Péricles, em Perdizes. O lado negativo é a falta de recipientes na entrada do viaduto na Consolação para os vendedores de coco jogarem o lixo. 






 




sábado, 30 de agosto de 2025

DR. FRANKENSTEIN

Hoje é dia do Frankenstein, de acordo com a Microsoft que insiste em me manter atualizada com essas datas comemorativas tão importantes. Só por causa disso assistirei hoje o filme “Frankenstein” (1931), dirigido por James Whale.  O roteiro, baseado na obra de Mary Sheley, tem mais seis “colaboradores”: Peggy Webling, John L. Balderston, Francis Edward Faragoh, Garrett Fort, Robert Florey, John Russell. No papel de monstro, está Boris Karloff (1887-1969). Não gosto de filmes de terror, mas adorei “O jovem Frankenstein” (1974), dirigido por Mel Brooks (1926), com Geme Wilder (1933-2016). Os dois assinam o roteiro. A data é uma referência à criadora do monstro, a escritora britânica Mary Shelley, que nasceu em 30 de agosto de 1797 e faleceu em 1853. Ela escreveu o livro aos 19 anos.


https://www.blogger.com/blog/post/edit/8140872972624257493/6435134818330665965

AH! OS PSICHÊS!

 

Na biblioteca, peguei o livro por causa do tema, o bairro do Brás, nem me preocupei em verificar a autoria. Em casa, acomodada na poltrona, displicente, folheei o livro, parei nas páginas ilustradas com fotos antigas e voltei ao Sumário – uma espécie do cardápio dos livros. Um capítulo me atraiu – “Homenagem ao bucolismo, que não existe, e ao agente ferroviário, que existiu”, mas o seguinte foi decisivo porque lá estava o psichê, coisa da minha infância, palavra que não via ou ouvia havia mais sessenta anos... Fui direto para a página 110, repleta de “Retalhos, psichês, panos de prato, camisas saco”. Faço uma leitura dinâmica – das lojas de retalhos que proporcionam a criação de colchas e tapetes coloridos artesanais, criados por senhoras prendadas, das lojas especializadas em venda de sacarias, ideais para fazer pano de prato ou pano de chão –  e também se faziam camisas com pano de saco – roupa de trabalho, sem gola... Mais duas página sobre os casamentos (“Casava-se muito no Brás”) até que fico sabendo que no Brás antigo, além do enxoval, era fundamental também comprar um psichê.

            Eis um móvel que foi expulso dos dormitórios, quando as famílias trocaram as casas por apartamentos. Para quem não sabe ou não lembra, o psichê tanto pode ser a tradicional penteadeira com um grande espelho e várias gavetas para guardar os objetos de toucador como um espelho de corpo inteiro em moldura com pés e inclinável. No quarto de minha avó tinha um lindo psichê e no quarto do meu tio havia o psichê de moldura. As penteadeiras mantêm-se em camarins.

            Satisfeita com as histórias que encontrei nessa crônica, iniciei a leitura do livro cuja prosa deliciosa me conquistou e, quando finalmente, resolvi buscar o nome do autor não me espantou: Lourenço Diaféria (1933-2008), nascido e criado no Brás. Em “Raízes de uma Paixão” ele conta a história de Charles Miller (1874-1953) que nasceu no Brás, foi estudar na Inglaterra, aprendeu a jogar futebol e na volta foi trabalhar na São Paulo Railway, a “Inglesa”, como era chamada; entretanto, Miller se empenhou em dois trabalhos: um, no almoxarifado da ferrovia, e o outro, a ensinar e a divulgar o tal football – no início entre os funcionários da SPR, do London Bank e da Companhia de Gás que formaram os dois primeiros times de futebol no Brasil... O resultado desse trabalho todos nós sabemos e a história do Brás segue conduzida com sensibilidade que caracterizou o jornalista que passou pelos principais jornais de São Paulo. Ele começou a carreira na Folha da Manhã (Folha de S. Paulo), passou pelo Jornal da Tarde, Diário Popular e Diário de Grande ABC; escreveu vários livros e entre eles “BRÁS – sotaques e desmemórias”, Editora Boitempo Editorial, 2002.

Uma das minhas primas diante do psichê do quarto de minha avó. Anos 1970.

À direita, em frente à janela, um pequeno psichê. Um dos castelos do Vale do Loire, França. 2012.


PARQUE PRINCESA ISABEL

Achei que o sol ia aparecer à tarde, como ontem, e fui à antiga Praça Princesa Isabel lá pelos lados dos Campos Elíseos; porém, o tempo fechou e esfriou, mas fui em frente. O ônibus entra na Avenida São João e depois desvia pela Alameda Barão de Limeira. Passamos pela Folha, nº 425. Que tristeza! Dois ou três homens fumando na rua (é proibido fumar em prédios). Lembrei-me das dezenas de carros amarelinhos na porta, das pessoas que se aglomeravam na calçada, querendo saber das novidades ou simplesmente fazendo fofoca; gente entrando e saindo do prédio a qualquer hora do dia; as máquinas que ficavam na entrada... Do lado, uma construção de portas cerradas para uma história de sucesso até o triste fim – a famosa casa Zacharias de pneus da Barão de Limeira, 477. Tudo se foi.

A Praça Princesa Isabel, de princesa só tem o nome. Agora é Parque! Um imenso parque, quase vinte mil metros quadrados, muito bem cuidado. Tive que contornar o parque todo para entrar e no caminho a Guarda Metropolitana enquadrava dois pilantras. Comigo havia oito pessoas, dois passeando com seus cachorros, um casal de namorados e dois solitários resistentes ao frio. Alguns garis varriam as folhas que o vento insistia em espalhar. Tudo impecável. O Duque continua impávido, erguendo a espada: ontem o monumento completou sessenta anos. A obra que ao todo tem 48 metros de altura é de Victor Brecheret (1894-1955) e estava destinada, inicialmente, para ser colocada no Vale do Anhangabaú, mas mudaram de ideia e o Duque até hoje mantém-se sobranceiro na Praça Princesa Isabel.

 

O Duque em dia cinzento. (27/08/2025)


quinta-feira, 28 de agosto de 2025

CORDISLÂNDIA

 

O dia não começou muito bem, mas sempre salva-se alguma coisa boa. Ao sair do Centro Esportivo, vi o carro oficial estacionado próximo ao Hospital do Servidor e o nome da cidade chamou minha atenção: Cordislândia. Uma “cidade do coração”? Nunca havia ouvido falar dela.  Lembrei-me das aulas de Latim de dona Lígia Fava Fonseca, nos tempos do Liceu em Santos. Cor, cordis = coração – substantivo neutro da terceira declinação. O município fica no Sul de Minas Gerais e é banhado pelo rio Sapucaí, que tem 240 km e também percorre parte do território paulista. Tudo começou 1860, quando o fazendeiro pernambucano José Paredes Viana fundou, um vilarejo que (claro!) denominou de Paredes. O solo fértil atraiu moradores interessados em lavoura. Dois moradores Joaquim Silvério Grilo e José Máximo doaram áreas para a construção do cemitério e da igreja; em 1889, o lugarejo ganhou a primeira escola e a professora era Dona Vitalina Pereira; em seguida veio a agência postal. Somente em 1911 foi criado o Distrito de Paredes do Sapucaí como parte do município de São Gonçalo do Sapucaí. Em 1930 a população conseguiu o benefício da iluminação elétrica e em 1945 foi criada a paróquia do Sagrado Coração de Jesus. Paredes do Sapucaí foi elevada à categoria de cidade em 1962 e ganhou a denominação de Cordislândia em homenagem ao padroeiro da cidade.

Cordislândia tem 3.200 habitantes e o gentílico de quem nasce na cidade é cordislandense. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é alto: 0,660. A principal atividade econômica do município é a agropecuária com destaque para café e leite, mas ultimamente tem se destacado com a produção de vinhos e queijos artesanais, atraindo turistas.



terça-feira, 26 de agosto de 2025

DIA DO CACHORRO

Hoje é o Dia Internacional do Cachorro, data criada em 2004. Se eu tivesse um animal de estimação, seria um cão vira-lata, embora goste demais do Golden Retriever e do Pastor Alemão.




domingo, 24 de agosto de 2025

PARQUE BUENOS AIRES

 

O veranico é um convite para sair sem destino pela cidade. Depois de explorar o reduto da Sé, expandi minhas caminhadas para Higienópolis, pois há muito tempo queria ir ao Parque Buenos Aires. Quando mudei para São Paulo ainda era Praça Buenos Aires, mas em 1987 tornou-se parque e está inserido no quadrilátero formado pelas Ruas Piauí, Bahia, Alagoas e Avenida Angélica. Visitei o lugar há muitos anos, passei por lá muitas vezes, mas não me lembrava do interior.

Metrô até a estação Higienópolis e saída pela Rua Piauí, que no início ainda tem algumas pequenas casas e prédios antigos com varandas e venezianas de madeira. Boa parte da quadra é do Mackenzie. Atravesso a Rua Itambé (pedra afiada em Tupi). Do lado par da Piauí várias casas graciosas resistem à verticalização. A quadra após a Rua Sabará já não tem casas, com exceção da Casa Rodrigues Alves, na esquina com a Rua Itacolomy. O casarão foi construído no início do século passado, pertenceu à família do presidente Francisco de Paula RODRIGUES ALVES (1841-1919), que governou o Brasil no período de 1902 a 1906. Em algum momento a propriedade passou para o Instituto Nacional da Previdência Social; entre 1965 e 2003 foi sede da Divisão de Ordem Política e Social (Dops) e da Polícia Federal; em 2012 foi tombada pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp).

Lá se encontra também o Edifício Piauí (428), construção de 1952, que foi o primeiro projeto do arquiteto Artacho Jurado em Higienópolis. Ele morou com a família no apartamento de cobertura.  

            Enfim, o Parque Buenos Aires, que foi inaugurado em 1913 com o nome de Praça Higienópolis, na gestão do Prefeito Raimundo Duprat, que contratou o paisagista francês Joseph-Antoine Bouvard. O objetivo era a preservação da vista do vale do Pacaembu. Abundante área verde em que se destacam sibipirunas, canelas e um enorme jequitibá-rosa, espelhos d’água e várias obras de arte – entre elas Mãe (Caetano Fraccaroli), Tango (Roberto Vivas) e Emigrantes (Lasar Segall) – dão um toque especial ao logradouro. Em 1992 o Parque foi tombado pelo Conpresp.

Eis um parque como deveriam ser todos: frequentado por moradores em busca de tranquilidade. Nada de correrias (pelo menos não vi). Alguns casais namorando; amigas conversando; algumas pessoas lendo, outras cochilando; babás cuidam de crianças bem comportadas que aproveitam a tarde quente de agosto.

Na saída vejo a geladeira velha de porta escancarada. Uma “biblioteca” onde se pode depositar livros para doar e pegar o que interessa sem burocracia. Espio as doações – só livros didáticos... Hora de ir embora. Tarde proveitosa.


Árvores frondosas dão sombra e proteção.

c
Lasar Segall.

Doação de livros.

sábado, 16 de agosto de 2025

ADONIRAN BARBOSA

 

Adoniran Barbosa, nome artístico de João Rubinato (1910-1982), foi o tema da Caminhada Noturna pelo Centro Histórico desta quinta-feira (14). Umas trinta pessoas – jovens, adultos e idosos; casais ou pessoas sozinhas interessadas em andar pela cidade e conhecer História e histórias de São Paulo se concentraram às 20h em frente à Biblioteca Mário de Andrade. Noite fria. Todo mundo bem agasalhado. Começa a caminhada pela famosa – São João com Ipiranga, onde tem uma escultura simpática de Adoniran e seu cãozinho Peteleco bem na porta do Bar da Brahma, depois fomos para a Rua Aurora, onde ele morou de 1949 a 1966, no apartamento do Edifício Santa Ignez, mas resolvi não continuar, pois minhas sextas-feiras começam às 5h30.   

Durante o passeio acabei conversando com uma senhora que mora no Centro, costuma fazer as caminhadas. Está curtindo seus 75 anos. Ela me conta que trabalhou num salão de beleza de propriedade de um francês. Ele exigia que as funcionárias se trajassem com elegância. Maquilagem caprichada. O uniforme elegante incluía luvas. “As clientes eram todas da elite paulistana.”  Não gosta de ficar em casa e sempre encontra programas culturais e nos finais de semana vai caminhar no Minhocão. “É muito bom ver todo aquele movimento de gente para lá e para cá, uns de bicicleta, outros com seus bichinhos ou correndo ...”. Ela conhece o Centro Histórico muito bem. É baiana, radicada em São Paulo há longos anos. De repente está falando da beleza arquitetônica dos prédios antigos e lamenta o fim do glamour que existia na região.

Pausa na Praça Júlio de Mesquita, onde o grupo admira a beleza da Fonte Monumental, que tem várias histórias – foi a primeira obra pública de São Paulo criada por uma mulher, a artista campineira Nicolina Vaz de Assis Pinto do Couto (1866-1941); o chafariz estava destinado para a Praça da Sé, mas acabou sendo instalado na Praça Vitória, antigo nome da Júlio de Mesquita. Ao longo dos anos o monumento sofreu muitas depredações e Adoniran Barbosa registrou e lamentou o mau comportamento das pessoas na música ROUBARAM A LAGOSTA: “...é melhor ficar seca ou molhada/ Do que ser derretida ou roubada”.

Novo destino: Rua Aurora cuja decadência se acentua. Ah! Lá está o prédio do Cine Áurea, inaugurado em 1957 e que no final do século exibia apenas filmes “adultos” ou de sexo explícito. A Rua dos Gusmões, ali perto, também fez parte do repertório de Adoniran – "Essa mulher sabe que por ela/ Sou capaz de tudo/ Sou capaz até/ De atravessar a rua dos Gusmões/ LENDO ALI BABÁ E OS 40 LADRÕES".

O grupo agora vai para o viaduto Santa Ifigênia. Não me chamo Eugênia, nem nasci ou cresci e muito menos conheci meu primeiro amor por ali, mas concordo com Adoniran – o Viaduto é muito bonito. Eu me despeço da senhora baiana, mas ela também vai para os lados da avenida Rio Branco, onde pegarei meu ônibus e ela prosseguirá.

https://www.youtube.com/watch?v=M-vE6ycLKK8 

Foto de 2024. Quinta, à noite, estava cercado por frequentadores da casa.



Busto do compositor: Praça Dom Orione, Bela Vista. 2019.




 



quarta-feira, 13 de agosto de 2025

ARTISTAS MIRINS

 

O Macaulay Culkin, o garotinho que estrelou “Esqueceram de mim” em 1990, fará 45 anos este mês. É, o tempo passa, e os atores infantis de sucesso crescem. Muitos têm talento suficiente para prosseguir na carreira; outros mudam de profissão como Pablo Calvo Hidalgo (1948), garoto espanhol que ficou famoso ao estrelar Marcelino, Pão e Vinho, em 1953. Aos 16 anos, deixou o cinema e formou-se em engenharia. Ao chegar à adolescência John Leslie Coogan Jr. (1914-1984) já havia faturado US$ 4 milhões. Ele estrelou O Garoto (1921), dirigido por Charles Chaplin; teve problemas com a família por causa do dinheiro, mas revelou-se na maturidade um bom ator. Um dos seus últimos papéis foi Tio Chico na série Família Adams (1964).

A garotinha Shirley Temple (1928-2014)) manteve uma carreira regular até 1949 – só em 1932 ela fez nove filmes. Afastou-se do mundo artístico para concorrer ao Senado dos Estados Unidos – perdeu, mas tornou-se delegada das Nações Unidas e depois embaixadora americana em Gana e na Tchecoslováquia (atual República Tcheca). Em 1985, reapareceu nas telas.

Mickey Rooney (1920-2014)) é um exemplo de sucesso. Começou aos 7 anos e foi considerado pelo livro Guiness dos Recordes como o ator com a mais longa carreira no palco e nas telas. Aliás, por causa da baixa estatura e seu rosto juvenil continuou interpretando adolescentes por muito tempo (o que não o agradava). Foi premiado com Oscar, Globo de Ouro e Emmy. Contracenou com as garotinhas Elizabeth Taylor (1932-2011) e Judy Garland (1922-1969). As pequenas atrizes conseguiram um grande sucesso profissional, mas tiveram vidas bem diferentes – Taylor uma vida sentimental atribulada e Garland lutando contra as drogas.

Elizabeth Taylor e Mickey Rooney (ele já estava com 24 anos), em "A mocidade é assim".

William Aaker (1943) ninguém conhece, mas ficou famoso como o pequeno Cabo Rusty, parceiro do cão pastor alemão na série Rin tin tin. Ele se manteve em atividade entre 1951 e 1963, período em que atuou em 18 filmes e 22 séries de TV. Charles William Mumy Jr. (1954), o Will da série Perdidos no Espaço, é ator e músico. Lucas Daniel Haas (1976) também mantém uma carreira sólida depois de ter estreado aos 9 anos em A Testemunha (1985) ao lado de Harrison Ford. Baldes de lágrimas garantiram a fama a Rick Schroder (1970), o garoto escolhido para o papel de T.J. em O Campeão (1979). Schroder continua no ramo, também dirigindo filmes. Angus T. Jones (1993) começou cedo a carreira de ator, mas o sucesso surgiu com a série Two and a Half Man, quando estava com dez anos. O papel valeu-lhe prêmios e em 2010 era o ator mirim mais bem pago da tv americana. Por questões religiosas, abandonou a série e pouco tem atuado desde então.

No Brasil, lembro da turma do Sítio do Pica-pau Amarelo na década de 1970 cujo elenco era formado por Júlio César Vieira da Cunha e Silva (1964) no papel de Pedrinho. Só Rosana Garcia (1964), como Narizinho, e Suzana Abranches (1961), como Emília, continuam no meio artístico. Outros atores mirins: Samuel Melo (1990), Xande Valois (2004), André Luís Franbach (1997); Sérgio Malheiros (1993), Felipe Bragança (2001), José Victor Pires (1999) e João Vitor Silva (1996).

Não é possível esquecer o menino de rua Fernando Ramos da Silva (1967-1987), que atuou em Pixote – A Lei do Mais Fraco (Hector Babenco, 1981). Depois de algumas participações em outros trabalhos, ele voltou para as ruas e foi assassinado.

Lee Aaker com Rin-tin-tin.

sábado, 9 de agosto de 2025

ANDY WARHOL

 

Quarta-feira, Andy Warhol teria completado 97 anos. Ele nasceu em Pittsburgh, Pensilvânia e faleceu em 1987 em Nova York. Warhol se destacou na chamada Pop Art, nos anos cinquenta do século passado e ainda hoje causa polêmica. Até o final de agosto é possível visitar a exposição Andy Warhol POP ART! na FAAP, que reúne cerca de seiscentas obras dele originais, inclusive Marilyn Diptych.

Campbell’s Soup Cans para ele. A obra é de 1962.

“Se você quiser saber tudo sobre Andy Warhol, basta olhar para a superfície das minhas pinturas e filmes, e para mim, e lá estou eu. Não há nada por trás disso.” Andy Warhol, O Outro do East Village , 1966.

ACERVO do Museu de Arte Contemporânea de NY.


Andy Warhol POP ART! na FAAP, 31 de julho.



Andy Warhol POP ART! na FAAP, 31 de julho.


quarta-feira, 6 de agosto de 2025

PALACETE DO CARMO

 

Um dia ele foi o Palacete do Carmo, construído nos anos vinte do século passado na esquina da Praça Clóvis Bevilacqua, com a Rua Roberto Simonsen, no Centro Histórico de São Paulo. Abandonado há anos, atualmente, ele parece estar se desfazendo aos poucos e me causa sensação de insegurança cada vez que passo por ali. A revista VEJA publicou em 14/08/2020 matéria sobre a negociação de um grupo de investidores com a Arquidiocese de São Paulo, proprietária do Palacete, da reforma do prédio que tem cerca de 3.900 m². Em nota publicada em seu site, a Arquidiocese de São Paulo esclarece que não é proprietária do Palacete do Carmo e demais edificações adjacentes, que pertencem ao Mosteiro de Santa Thereza de Jesus.

    O projeto, que incluiria a restauração da ala histórica e a construção de um moderno anexo, na época, ficaria em torno de duzentos milhões de reais, mas não deu certo.

Um dó ver uma parte da história da cidade se degradar dia a dia... O abandono deu à natureza um espaço e no topo do prédio observam-se alguns arbustos viçosos.



segunda-feira, 4 de agosto de 2025

VELHICE E SOLIDÃO

 

Dizem que santo de casa não faz milagres, caso do filme neorrealista UMBERTO D (1952), dirigido por Vitorio de Sica e que na época a Itália não soube apreciar. Um filme que, infelizmente, ainda retrata o tratamento dado à velhice em vários países. Uma história banal de abandono e solidão narrada e interpretada com extrema sensibilidade e autenticidade. O próprio De Sica afirmou que o filme foi mal visto na Itália pós-guerra, pela abordagem dos problemas sociais envolvendo aposentados e idosos. De Sica dedicou o filme ao pai.

Humberto D foi indicado para a Palma de Ouro do Festival de Cannes de 1952; ganhou o prêmio de melhor Filme Estrangeiro da Associação de Críticos de Arte de Nova York em 1955 e indicado ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro da Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão em 1957; Carlo Battisti, que não era ator, mas professor de Linguística, venceu o Prêmio NBR – National Board of Review – de Melhor Ator de 1957. Em 2005 foi incluído na lista ALL TIME 100 Movies da revista TIME.

|Achei maravilhoso.